Por hoje é só, pessoal! O Torvalds completou sua metamorfose reversa.
O BR-Linux completa 30 anos daqui a 1 mês (comecei o site na noite de 15 para 16 de novembro de 1996), mas não vou fingir que está tudo normal e alegre por aqui.
Eu recoloquei o BR-Linux no ar há 5 meses, em 11 de maio de 2026 – momento em que Linus Torvalds estava reclamando do “trabalho de faz-de-conta” de quem enviava bug reports feitos por IA, e noticiávamos o pesadelo percebido pelos usuários do rsync que descobriram bugs críticos após uma atualização ter sido feita com código e testes criados por IA.
Mantive o ritmo usual, e nesse período publiquei 195 posts por aqui. Uma boa média! Mas nesses 5 meses, o tema da cobertura foi ficando cada vez mais repetitivo: adoção de IA por projetos, consequências da adoção de IA em projetos, IA, IA, IA.
Definitivamente não era o tema que eu queria concentrar a cobertura quando reabri o site, mas prossegui. Aí em meados de julho o Linus Torvalds veio a público sublinhar, de novo, que o seu kernel não é anti-IA, e nem visa ser um projeto social. Direito dele, claro, não questiono a liberdade de ele dizer isso, mas novamente não combina com o que eu aprecio no projeto, nem acho legal (nem surpreendente, claro) ele dizer que quem não curte IA no kernel deveria fazer um fork.
Mais um mês passou, e foi a vez do Debian votar para permitir contribuições feitas por IA. Nesse ponto, escrevi um editoria explicando que eu ia dar um tempo, porque estava confuso sobre como cobrir isso, já que o que eu quero é escrever sobre aplicações e técnicas. Não desejo fazer cobertura de oposição aos softwares que usei e gostei por tanto tempo.
Na ocasião, resumi meu ponto de vista, no editorial que publiquei:
Estou nesta estrada há tempo demais para esperar que os desenvolvedores do rsync, do Linux ou do Debian tenham os mesmos posicionamentos que eu. Eles são adultos, e podem escolher seus posicionamentos. Mas entre tantas coisas que podem e devem ser discutidas sobre o uso de IA no desenvolvimento de software, eu não vejo como esses atores específicos podem deixar de valorizar o próprio contexto do licenciamento: a percepção de que ela dilui e enfraquece as licenças de software livre e de código aberto, pois cria obras derivadas sem atribuir a autoria original, nem manter as restrições ou liberdades da obra original.
Escrevi isso há pouco mais de um mês, e continuava na dúvida a respeito, mas hoje ela acabou.
O ponto de inflexão foi a chegada da notícia de que o próprio Linus agora está escrevendo código para o kernel Linux usando IA (tanto para programar, quanto para testar).
Direito dele, claro, mas amplifica e torna o definitivo o conflito que eu expus acima, sobre eu ter vontade de continuar cobrindo essa cena. Não tenho mais. O que farei como usuário eu ainda decidirei, mas como mantenedor do BR-Linux preciso iniciar uma nova pausa.
Talvez apareça ocasionalmente, talvez retorne no futuro – afinal o BR-Linux é meu blog, e também tenho consciência de onde eu for usar open source (ou outros tipos de tecnologia), a IA estará presente.
Por enquanto, se quiser manter contato comigo, tem 2 caminhos fáceis: meu perfil no Mastodon (onde às vezes falo de código aberto) e no Instagram (onde posto muito conteúdo sobre efetividade).
Até mais!
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