O RootBoard promete ser um computador Linux portátil, com teclado, tela e alto-falantes de verdade, e hardware totalmente aberto, construído para makers, e baseado em plaquinhas da classe Pi Zero.
Mais uma alternativa a embarcar na tendência de interesse por cyberdecks, hardware aberto e economia de insumos digitais escassos, ele traz algumas propostas interessantes, como o teclado bastante completo, não usar drivers proprietários para componentes comuns (como o teclado), nem firmwares ocultos ou inacessíveis.
No momento é uma proposta no Kickstarter, mas rapidamente bateu a meta de arrecadação (no momento em que escrevo já arrecadou o triplo da meta, e ainda tem 3 semanas de prazo).
Mais uma vez, vaza a opção de figurões do governo dos EUA pelo uso do app Signal quando querem tentar burlar a legislação que exige que as suas comunicações sejam objeto de registro público.
Significa? Significa. Ainda mais quando vemos campanhas focadas em estimular o uso de outros apps do mesmo ramo, descritos como mais seguros, apesar de não oferecer o mesmo grau de acesso ao código (o Signal é open source) nem a recursos como a criptografia fim a fim.
O uso do Signal pelo alto escalão do governo dos EUA (como o atual Ministro da Defesa Hegseth, o Secretário de Estado Rubio e o Chefe de Estado-Maior Caine) não é secreto, e nem uma irregularidade: O aplicativo é instalado por default nos celulares oficiais, e seu uso é autorizado. O que vem sendo questionado é o uso da opção que remove automaticamente os registros das conversas, pois – como dito – a lei exige que as comunicações dessas autoridades sejam registradas publicamente.
E esse é o ponto: quando querem tentar evitar que seja preservado esse registro, a escolha desses agentes públicos – que teriam acesso a uma grande variedade de outras alternativas – é a alternativa open source: o Signal.
A nova versão do Tails – distribuição que busca maior privacidade roteando todas as suas conexões via Tor – também atualiza o Tor Browser para a versão 15.0.17 e o Tor Client para 0.4.9.11.
Usuários clássicos ou jurássicos ainda fazemos backup com o tar e acham suficiente, mas esse artigo do itsfoss vai bem além e descreve 6 ferramentas mais modernas e interativas para essa tarefa.
Uma tela do UrBackup
Algumas são para backups de múltiplas plataformas, outras são para backup de dados de um usuário no desktop, outras são voltadas especificamente a servidores, e o artigo explica detalhes sobre cada uma delas: Déjà Dup, MSP360 Free Backup, Kopia, BorgBackup, Restic e UrBackup.
Importante: para backups, um requisito essencial é saber que a ferramenta estará disponível no momento e no ambiente em que você for precisar fazer uma restauração a sério. Leve isso em conta na hora de escolher qualquer ferramenta para esse uso.
Eu publico periodicamente uma coluna sobre backups, na tag #TerBackup do Fediverso.
Vinton Cerf, um dos criadores dos protocolos básicos da Internet, deixará na próxima semana o seu cargo de evangelista-chefe da Internet no Google.
Em 1973, ele se uniu com seu ex-colega de universidade, Bob Kahn, con a ideia de criarem juntos um conjunto de protocolos que ajudasse a viabilizar a ideia da Internet – e foi assim que surgiu o TCP/IP, padronizado oficialmente na rede a partir de 1983.
Vint Cerf em 2025
A partir de então, ele se dedicou a uma série de papeis, sistemas, organizações e empresas que deram forma e mantiveram em funcionamento a rede mundial, e agora decidiu que essa carreira vai passar ao estágio da aposentadoria.
Significativamente, um de seus últimos compromissos públicos como evangelista-chefe da Internet foi uma palestra na conferência Fronteira Aberta, onde falou junto a outros cientistas e criadores que estão por trás de projetos que tiveram elevado impacto e longa duração – e previu que estamos chegando ao limite da atual estratégia de desenvolvimento a portas fechadas, e a próxima onda de evolução tecnológica demandará um retorno aos padrões abertos e interoperáveis.
Enviado por Alessandro de Oliveira Faria (A⸱K⸱A CABELO) (cabeloθopensuse⸱org)
Como contribuidor da biblioteca openCV, tenho o orgulho de compartilhar que a nova versão não é apenas uma atualização: é uma mudança de geração, aproximando visão computacional, linguagem natural e multimodalidade em um mesmo ecossistema.
A OpenCV (Open Source Computer Vision), você sabe, é a principal biblioteca de código aberto para visão computacional e aprendizado de máquina.
O projeto ps5-linux continua expandindo o suporte, que passou a incluir também as versões de firmware 7.61, 7.20 e 6.50 – não apenas nos modelos originais maiorzões, mas também em alguns dos PlayStation 5 Slim.
Os recursos do Linux rodando no PS5 ficam cada vez mais interessantes, e agora incluem saída de vídeo 4K60 (e áudio) pela HDMI, partição Linux dedicada no SSD, possibilidade de usar todas as portas USB, o drive de BluRay, a porta Ethernet e o Bluetooth.
O projeto suporta várias versões do firmware (a partir da versão 3.0), apesar das tentativas constantes da Sony para bloquear os acessos – que atrapalham, mas vem sendo vencidas, afinal vulnerabilidades nas defesas da Sony não tem faltado.
A conclusão anterior, de que não tentariam oferecer suporte acima do firmware 6.0 acaba de ser superada na prática, com o suporte às versões 7.20 e 7.61. No momento, os desenvolvedores dizem que não tentarão suportar acima do firmware 8.0.
O desenvolvedor Daniel Palmer anunciou, e disponibilizou o código, do seu port minimalista do Linux para o videogame Sega MegaDrive, de 1988.
O funcionamento depende de ter o cartucho EverDrive Core, para dar acesso a um cartão SD, a um sinal de sincronismo e, principalmente, a valiosíssimos 4MB de RAM.
O cartucho EverDrive Core, em uso.
No momento, o boot exige uma ginástica nos menus do cartucho (que ~pensa estar carregando um jogo), que é completada por meio de comandos enviados por uma conexão serial via cabo USB entre um computador e o cartucho.
Também exige tempo: a CPU dos anos 1980 do MegaDrive não foi feita pensando em um dia ter de carregar e descompactar o kernel Linux. Mas ela consegue, e ao final oferece uma shell interativa (cortesia do smolsh) acessível via serial, e a capacidade de gerar um console visual na saída de vídeo do próprio MegaDrive.
É versão inicial, então talvez ainda evolua. E também inclui uma alternativa para rodar emulado usando QEMU, mas o desenvolvedor adverte que não tem o mesmo astral, porque a CPU fica rápida demais.
A nova versão do ambiente COSMIC chega apenas uma semana desde a atualização anterior, resolvendo uma oscilação na tela ao abrir a visão geral do desktop, corrigindo um possível travamento ao lidar com arquivos compactados, ajustando o diálogo de autenticação ao conectar em VPNs, exibindo corretamente o indicativo visual quando o sistema opera conectado a uma fonte externa de energia, e mais.
O Thom Holwerda (@thomholwerda@exquisite⸱social) avisa que não vai mais cobrir no OS News os novos "sistemas operacionais" que tem surgido como parte da onda de slop produzida pelos usuários de IA.
Segundo o comunicado, o envio de sugestões de notícias sobre esse tipo de coisa tem aumentado (e eu confirmo, porque no BR-Linux acontece também), mas eles não serão divulgados no OS News, e enviar é infrutífero.
O comunicado continua: “Outros sites podem optar por empregar padrões mais baixos, como é sua prerrogativa, mas o OSNews não o fará. Obviamente não posso garantir que nada escapará, mas tomarei o máximo cuidado para garantir que o OSNews permaneça livre dos chamados ‘sistemas sloperacionais’.”
O Krita não é o primeiro nome que vem à cabeça quando se pensa em aplicativo open source para substituir o Photoshop, mas mereceria ser, pois faz muito mais do que a sua reputação sugere.
Frequentemente descrito como uma ferramenta para pintura e desenho, ele também brilha nas disciplinas de edição de imagem, com excelente suporte a camadas, máscaras e suas combinações, por exemplo.
No atual cenário em que o público da Adobe está novamente procurando alternativas – não só por causa do preço, mas também por questões de propriedade e uso do material criado com as ferramentas –, essa comparação volta a ficar relevante, e nesse artigo do XDA temos uma exploração das diferenças entre os resultados do Krita e do Photoshop, em um mesmo projeto, pelo mesmo profissional.
É bem detalhado, mas o resumo é: o Krita entregou, grátis, 90% do que ele procurava no Photoshop. E ele lista o que são esses 90%, e também os 10% que ele não encontrou – e que são importantes, especialmente quando o trabalho envolve especificamente tratar fotos, ou tipografia digital.
VPN é bom e útil, mas os provedores que vendem esse serviço são um assunto mais complicado, e as notícias do final de semana voltaram a colocar em evidência esse conselho de 2015 (mas atualizado várias vezes desde então): Não use serviços de VPN.
Ou, como eu resumi minha opinião quando soube da novidade: “a ideia de confiar meu tráfego a uma empresa que vende VPNs sempre me pareceu o oposto de privacidade e de segurança”.
Isso porque os incentivos e custos relacionados a prover esse tipo de serviço não se alinham às expectativas de quem os adquire, e é muito difícil auditar com qualidade se ela faz o que anuncia, sem exceções e ao longo do tempo.
Assim, a probabilidade de o provedor de VPN acabar virando justamente o ponto fraco na corrente da segurança e da privacidade precisa sempre ser considerada nos planos, e ela aumenta justamente porque cada provedor que oferece esses serviços tem acesso no atacado ao tráfego de tantas pessoas que valorizam a ideia de evitar sua exposição – e assim vira um alvo maior e mais lucrativo.
O valor cobrado por esses serviços não fará nenhum CEO optar por cumprir pena ou enfrentar uma batalha jurídica custosa ou arriscada.
Ou seja: os incentivos do mercado direcionam as mais variadas forças a transformarem esse tipo de provedor em honeypot, voluntariamente ou não, intencionalmente ou não, conscientemente ou não. O valor cobrado por esses serviços não fará nenhum CEO optar por cumprir pena ou enfrentar uma batalha jurídica custosa ou arriscada.
Além disso, é a representação prática de um ditado, quando toda uma comunidade de pessoas que de outra forma teriam tráfegos dispersos resolvem colocar todos os seus ovos em uma mesma cesta.
Eu estou dizendo que VPN é ruim? Não estou, e desde a primeira frase deste post eu deixei claro que VPN é bom e útil. O problema apontado são os serviços de VPN, oferecidos por provedores cujo produto são as VPNs. A questão está detalhada na referência, então não vou repetir tudo, mas mesmo assim vou sublinhar: a VPN atualizada e bem configurada que você usa ou mantém, em sua própria infraestrutura, ou em um serviço contratado de alguém cujo negócio não é especificamente vender VPNs, não estão incluídos na crítica apresentada (e têm seus próprios desafios também).
E se você está por fora das novidades do final de semana, aqui está um resumo, que merece atenção especialmente para quem usa VPN em razão de precauções de natureza política ou ideológica, ou valoriza saber para onde vai o dinheiro que gasta com esse tipo de serviço: uma controvérsia longa e ainda em andamento surgiu quando foi divulgado e confirmado que um dos co-fundadores de um provedor de VPN sueco, bastante popular e até então renomado, fez a maior doação do seu país a um partido político no ano passado, e foi justamente a um partido cuja plataforma é expulsar todos os imigrantes do país (aos quais o líder do partido chama de "parasitas").
A Microsoft anunciou a versão preliminar do WSL Containers, ou WSLC, tentando mais uma cartada para puxar para o Windows os desenvolvedores que usam Linux.
O WSLC promete levar ao Windows (com o WSL) uma experiência nativa de containers do Linux, do build à execução e ao gerenciamento, por meio da ferramenta de linha de comando wslc.
Em momento oportuno tendo em vista as novidades da Sony, o popular aplicativo de BitTorrent Transmission anunciou hoje sua nova versão.
A versão 4.1.3 do Transmission chega corrigindo uma vulnerabilidade e é recomendada a todos os usuários.
A correção é específica para usuários que ativam a interface remota (web ou RPC), e trata de uma situação em que poderiam haver solicitações remotas abusivas ou fraudulentas (CSRF/CORS).
Em mais um movimento que reforça as convicções de quem tem pouca confiança em adquirir filmes e séries de serviços on-line, a Sony notificou os usuários de Playstation que vai bloquear em seus dispositivos os filmes e episódios comprados por eles no Studio Canal da PlayStation Store.
São mais de 500 títulos, incluindo alguns bem expressivos, como O Exterminador do Futuro 2 e Um Drink no Inferno.
O comunicado é seco, e não fala em alternativas, nem em reembolso: “A partir de 1º de setembro de 2026, devido aos nossos contratos de licenciamento de conteúdo, você não poderá mais acessar o conteúdo adquirido anteriormente no Studio Canal e ele será removido da sua videoteca.”
Não é a primeira vez que algo assim acontece, e a própria Sony já havia feito o mesmo em 2023, com os filmes de outro contrato. A frase “se comprar não é possuir, então copiar não é roubar” expressa o conflito de interesses desse tipo de ação, foi cunhada em um desses episódios anteriores, e ganha nova projeção a cada repetição.
Pessoalmente, sou fã de ter vídeos em mídia física que me pertença, ou em armazenamento local (sem DRM nem necessidade de estar on-line ou receber certificados de alguém para assistir).