Entre os motivos listados estão o descompasso entre os ritmos de atualização, a adoção cada vez maior dos pacotes Snap pelo Ubuntu, e os planos da Canonical relacionados a IA.
No início do século, a partir de 2003, uma disputa entre a SCO e a IBM assustou muita gente porque tinha implicações (tênues) sobre direitos autorais do Linux – e ela acaba de renascer.
O rolo todo nasce do Projeto Monterey: uma aliança entre IBM e SCO (que já foi grande, mas na época era uma sombra do que chegou a ser), iniciada em 1998 (quando o Linux já existia há quase uma década), para fazer um "Unix universal" – que acabou quando a IBM percebeu que o mercado preferiria o Linux. A SCO não gostou, e mais tarde processou alegando que código do Monterey havia sido contribuído pela IBM e incorporado ao Linux (e ao AIX), sem ela ter sido compensada.
Os argumentos sempre foram fracos, mas a SCO (e sucessores cada vez mais mortos-vivos) foi mantida viva por investimentos de quem tinha interesse na incerteza gerada, ou na possibilidade improvável de no final faturar direitos autorais sobre o Linux.
No início da atual década, não deu mais pra segurar, e a ação foi extinta após as partes entraram em um acordo, sem qualquer identificação de culpa da IBM.
Mas causar essa incerteza, ou especular a possibilidade de um dia ganhar esse direito, permanece valioso para alguém que tem os meios para persistir, então um novo sucessor (que comprou o espólio da SCO) chamado Xinuos reviveu o caso (em 2021), agora contra a IBM e sua subsidiária Red Hat, e adicionando acusações de falsidades e conspiração.
A novidade recente é que esse caso chegou à fase de audiências, ou seja, as partes expuseram suas posições a um juiz. E são basicamente as mesmas posições de mais de 20 anos atrás, com uma novidade: agora é um novo caso, com uma nova empresa, e a IBM afirma que a Xinuos nem mesmo tem o direito de abri-lo.
Portanto, se você chegar a ver essa questão apresentada como um risco ou um problema do Linux, lembre-se: é uma tentativa de requentar, 20 anos depois, argumentos que já eram fracos originalmente, e agora estão ainda mais diluídos e questionáveis que antes.
O projeto ARMSX2 já vem há algum tempo trazendo jogos clássicos do PlayStation 2 para dispositivos Arm, e acaba de lançar uma versão inicial para Linux, que já pode ser testada em dispositivos como Raspberry Pi, Odroid, Orange Pi e mais.
Um Raspberry Pi vestido de Playstation 2, já esperando o novo emulador
O ARMSX2 se baseia no clássico emulador PCSX2, mas vem se esforçando para remover uma camada intermediária de emulação (referente à arquitetura intel x86), com sucesso mensurável: dos 124 jogos da amostra de teste, 40% já estão jogáveis, e 26% estão perfeitamente emulados.
A disponibilidade de emuladores para essa plataforma sempre acaba se revertendo em mais opções de entretenimento e preservação digital, e aplaudo.
O LinuxOnTab é daquelas soluções que parecem inacreditáveis aos olhos dos usuários da década de 1990: ele dá boot em um kernel Linux x86 real, com toda a distribuição Alpine junto, em uma aba do navegador, graças ao poder do WebAssembly e do emulador v86.
O resultado é um terminal Linux sempre disponível, com execução local, instalação zero, capaz de ser uma alternativa leve para testes, demonstrações, aulas, e shells descartáveis em geral.
A página tem os links - é só clicar, aguardar o boot, e interagir (sem login!) no terminal exibido na própria aba. Para ir além, a página explica como passar parâmetros ao abrir a aba, criar soluções de automação, e até mesmo de persistência local dos arquivos e da sessão.
Em várias regiões da Europa, a soberania digital já não é apenas um slogan: o software proprietário feito nos EUA está sendo abandonado em estados alemães, ministérios austríacos e agências francesas, e agora na Pomerânia Ocidental.
O anúncio mais recente é do estado alemão da Pomerânia Ocidental, que acaba de iniciar a migração dos serviços básicos de colaboração (como compartilhamento de arquivos, chat, videoconferências e groupware) para a alternativa open source NextCloud. A egência que provê o serviço dimensiona a migração de forma a atender a um total de 50.000 usuários das administrações municipais e do governo estadual, e neste momento 5.000 deles já estão usando a plataforma.
Além de iniciativas gerais de todo o continente, e nacionais em países como a França, mais recentemente, o estado alemão de Schleswig-Holstein iniciou a implementação do Linux, LibreOffice, Nextcloud, Open‑Xchange, Thunderbird e outras aplicações de código aberto para cerca de 25.000 a 30.000 postos de trabalho. Além disso, o Ministério dos Assuntos Econômicos da Áustria migrou cerca de 1.200 funcionários do Microsoft 365 para uma plataforma local, baseada no LibreOffice e no Nextcloud, hospedada na infraestrutura austríaca, e o Ministério da Educação francês implementou o Nextcloud para 400.000 dos seus postos de trabalho, com planos de fornecer a solução a 1,2 milhões de funcionários num futuro próximo.
Já faz quase 10 anos que o Linux, e não o Windows Server, é o sistema mais popular na nuvem Azure da Microsoft, então não surpreende que o Azure Linux seja a distribuição feita pela Microsoft, originalmente para rodar em seu próprio serviço de nuvem, mas agora também disponível como uma imagem ISO que você pode instalar onde desejar.
Criado originalmente em 2020 (então com o nome de CBL-Mariner), o Azure Linux já teve várias encarnações, e a atual tem a forma de uma distribuição corporativa criada pela Microsoft a partir de pacotes do Fedora, com aplicação de adicionais e configurações especiais para maior compatibilidade com os serviços da Microsoft, e que roda com suporte oficial para os usuários da nuvem corporativa Azure.
Quem quiser arriscar pode fazer o download da ISO para arquiteturas Intel ou para ARM64, mas fica o aviso desde já: é um sistema pensado para rodar em VMs e containers, não vai ter os típicos componentes e configurações de um desktop. Ah, e é da Microsoft.
O NanoKVM-Go promete se conectar com um único cabo USB-C, usar WiFi 6 e… expor tudo que você tecla, e tudo que aparece na sua tela, por meio de um servidor MCP para agentes de IA.
KVM é uma solução clássica para compartilhar ou tornar remotos os sinais de teclado, vídeo e mouse (da sicla: Keyboard, Video & Mouse) de um desktop ou servidor que vá ser operado sem uma pessoa presente fisicamente ao seu console. As versões tradicionais exigiam passar cabos a partir de um console físico, mas já faz algum tempo que os modelos de KVM vem ficando cada vez mais discretos e convenientes de instalar, porque se conectam à rede e compartilham por ela os sinais.
No sentido da conveniência, o novo integrante da bem-sucedida família NanoKVM é campeão: usa um único cabo USB C para se conectar ao computador de destino, e se conecta ao console remoto via WiFi 6.
Mas ele traz junto uma visão distópica, que inverte a tradicional perspectiva de oferecer privacidade e segurança na conexão entre o computador e o console remoto: em um recurso chamado de "AI Workflow", promete permitir que os agentes de IA "vejam, entendam e atuem diretamente na sua tela".
Não, obrigado!
Neste momento, trata-se de uma campanha no Kickstarter que rapidamente superou e multiplicou a meta de apoios necessários, mas ainda tem 3 semanas pela frente.
A nova versão da mais popular implementação open source do SSH chegou trazendo correções importantes no sftp e scp, para casos que permitiriam que um servidor malicioso levasse o cliente a gravar arquivos fora do local designado pelo usuário.
Há várias outras correções e evoluções também, e a lista merece ser consultada, especialmente por quem já está considerando os cenários de criptografia pós-quântica.
Neste artigo publicado no DioLinux, Ariel Bonfim mostrou detalhadamente como ele transformou um antigo Acer Aspire 1410 (de 2010) em um servidor NAS (que ele descreve como "o seu próprio ‘Google Drive’ particular") usando o OpenMediaVault.
OpenMediaVault, você sabe, é a solução de armazenamento conectado à rede (NAS ou network attached storage) baseada no Debian, que integra serviços como SSH, SFTP, SMB/CIFS, rsync, Kubernetes e vários outros, e o artigo do Ariel mostrou e ilustrou detalhadamente como configurou.
Na mesma semana em que vimos a Microsoft anunciar tentativa similar, a ferramenta de containers da Apple para macOS chega à versão 1.0, com máquinas Linux persistentes, mais integração, e melhorias nos workflows.
O Apple Container foi anunciado inicialmente no ano passado, e é uma ferramenta de linha de comando, baseada em Swift, que promete criar, rodar, compilar e publicar containeres Linux compatíveis com o padrão OCI, diretamente do macOS. O padrão OCI (ou Open Container Initiative), você sabe, é aquele que busca unificar interfaces e proceimentos nesse tipo de solução, e é observado em soluções do mercado, como Docker, Podman e containerd.
Como o macOS não executa executa containers Linux nativamente, a Apple implementou um esquema de máquinas virtuais Linux leves, com cada container tendo seu próprio ambiente isolado, que roda seu próprio init, e pode persistir entre sessões de execução.
Ao mesmo tempo, há possibilidade de integração entre o ambiente do container e o do usuário que o rodou no Mac, podendo assim compartilhar arquivos de configuração, repositórios, e editar com ferramentas do Mac arquivos que são integrantes do container Linux. O recurso também oferece suporte a vários ambientes: o desenvolvedor pode criar máquinas separadas para Alpine, Ubuntu, Debian ou outras imagens do Linux, por exemplo.
A atenção dos desenvolvedores é um recurso valioso no mercado e, assim como no caso da Microsoft, trata-se de mais uma cartada para tentar puxar os desenvolvedores que usam Linux.
A nova versão do OpenVPN saiu ontem, não traz nenhum recurso novo, mas todos os usuários devem considerar atualizar o mais rápido possível, porque ela corrige 7 vulnerabilidades que já são de conhecimento público, e que podem causar travamentos ou expor dados.
OpenVPN, você sabe, é a popular solução open source que há mais de 25 anos é usada para criar VPNs por meio de túneis criptografados diretamente entre os computadores de seus usuários.
O RootBoard promete ser um computador Linux portátil, com teclado, tela e alto-falantes de verdade, e hardware totalmente aberto, construído para makers, e baseado em plaquinhas da classe Pi Zero.
Mais uma alternativa a embarcar na tendência de interesse por cyberdecks, hardware aberto e economia de insumos digitais escassos, ele traz algumas propostas interessantes, como o teclado bastante completo, não usar drivers proprietários para componentes comuns (como o teclado), nem firmwares ocultos ou inacessíveis.
No momento é uma proposta no Kickstarter, mas rapidamente bateu a meta de arrecadação (no momento em que escrevo já arrecadou o triplo da meta, e ainda tem 3 semanas de prazo).
Mais uma vez, vaza a opção de figurões do governo dos EUA pelo uso do app Signal quando querem tentar burlar a legislação que exige que as suas comunicações sejam objeto de registro público.
Significa? Significa. Ainda mais quando vemos campanhas focadas em estimular o uso de outros apps do mesmo ramo, descritos como mais seguros, apesar de não oferecer o mesmo grau de acesso ao código (o Signal é open source) nem a recursos como a criptografia fim a fim.
O uso do Signal pelo alto escalão do governo dos EUA (como o atual Ministro da Defesa Hegseth, o Secretário de Estado Rubio e o Chefe de Estado-Maior Caine) não é secreto, e nem uma irregularidade: O aplicativo é instalado por default nos celulares oficiais, e seu uso é autorizado. O que vem sendo questionado é o uso da opção que remove automaticamente os registros das conversas, pois – como dito – a lei exige que as comunicações dessas autoridades sejam registradas publicamente.
E esse é o ponto: quando querem tentar evitar que seja preservado esse registro, a escolha desses agentes públicos – que teriam acesso a uma grande variedade de outras alternativas – é a alternativa open source: o Signal.
A nova versão do Tails – distribuição que busca maior privacidade roteando todas as suas conexões via Tor – também atualiza o Tor Browser para a versão 15.0.17 e o Tor Client para 0.4.9.11.
Usuários clássicos ou jurássicos ainda fazemos backup com o tar e acham suficiente, mas esse artigo do itsfoss vai bem além e descreve 6 ferramentas mais modernas e interativas para essa tarefa.
Uma tela do UrBackup
Algumas são para backups de múltiplas plataformas, outras são para backup de dados de um usuário no desktop, outras são voltadas especificamente a servidores, e o artigo explica detalhes sobre cada uma delas: Déjà Dup, MSP360 Free Backup, Kopia, BorgBackup, Restic e UrBackup.
Importante: para backups, um requisito essencial é saber que a ferramenta estará disponível no momento e no ambiente em que você for precisar fazer uma restauração a sério. Leve isso em conta na hora de escolher qualquer ferramenta para esse uso.
Eu publico periodicamente uma coluna sobre backups, na tag #TerBackup do Fediverso.