Novas versões do rsync trazem bugs críticos surpreendentes e foram feitas com IA

Um cenário de pesadelo começou a se desenrolar na noite de quinta, quando @JeremiahFieldhaven@mastodon.gamedev.place compartilhou seu relato sobre uma regressão grave de funcionalidade no rsync 3.4.3, e sobre o que ele descobriu ao ir inspecionar o código-fonte: as alterações dessa e de outras versões recentes não estão mais assinadas mais só pelo mantenedor (o Tridge, que conhecemos desde o século 20), mas por uma dupla: Tridge and Claude.


Fragmento de uma listagem de commits do rsync
Fragmento de listagem de commits mostrando a co-autoria da IA Claude

Ou seja: a IA entrou em cena em um utilitário que fundamenta os backups de muitos de nós, e entrou com aquele workflow típico: ao arrumar um bug, gera outros dois em partes do código que nem estavam relacionadas, e a gente começa a ver um padrão de patches feitos por IA, que estão lá para consertar bugs introduzidos por patches anteriores, também feitos por IA. A thread do link acima (assim como outros locais também) esmiuça isso um pouco mais detalhadamente, relatando outras regressões encontradas em versões recentes, numa inspeção inicial do código.

Como case de adoção de IA, é interessante para estudo, talvez vire caso antológico até, já que é um desenvolvedor experiente e renomado, e um software altamente popular. Escolha dele, claro. Do ponto de vista de quem recebe e usa um software previamente estabilizado, entretanto, provavelmente atende mal e leva a procurar alternativas.

A situação ainda está se desenvolvendo, possivelmente haverá respostas dos envolvidos, e mais detalhes, contrapontos ou explicações surgirão. Convém acompanhar. Mas vale lembrar: existe o fork openrsync, integrante da árvore de projetos do OpenBSD (sendo, portanto, irmão do openssh). Eu uso há anos.

Comentar

 
comments powered by Disqus

Comentários arquivados