Ex-astronauta da Canonical afirma: Ubuntu é o sistema operacional para a era dos agentes de IA

No momento, o foco da firma do ex-astronauta é a turma que acredita na IA como motor do futuro do desenvolvimento de software, e ontem ele deixou isso claro ao palestrar em um evento em que seu assessor para assuntos de tecnologia aproveitou para afirmar que eles rejeitam a postura de quem se mantém afastado da IA por princípios morais.

Sabemos que o Ubuntu não deseja ser, nem nunca desejou, uma continuidade daquela visão do que seria uma distribuição Linux ortodoxa (melhor representada por projetos como o Slackware); a esta altura já não surpreende que esteja a cada 4 anos mudando quem é o seu público-alvo (já foi mobile, já foi a turma da convergência de telas), nem que abandone na chuva o público-alvo anterior a cada troca de foco – que é a parte que me levou a abandoná-lo há 16 anos (hoje minha distribuição do dia a dia é o Debian, nunca fui triste), após uma regressão grave na qualidade do instalador, que me custou dados e muito stress, na época em que eles resolveram se concentrar em ter seu próprio ambiente gráfico.


Foto de um executivo em palco de apresentação
O ex-astronauta da Canonical

E a palestra do CEO da Canonical e ex-astronauta Mark Shuttleworth deixou clara, mais uma vez, essa desconexão com o legado, pois ele falou com todas as letras: para esse mundo novo que ele enxerga como o futuro para o Ubuntu, não há alternativa exceto “os usuários irem além do apt e rpm, para snaps assinados, atualizados automaticamente e orientados por políticas” – formato e modelo de distribuição de pacotes que a empresa dele prefere há tempos, e agora justifica com a palavra mágica “IA”.

Outro ponto em que o ex-astronauta apresenta a mesma desconexão em relação ao modelo ortodoxo de Linux é a insistência em containers. Para ele, containers são a solução desde a base, com "tudo rodando em caixas de ferramentas isoladas em camadas", o que seria uma solução ideal para a sua visão em que seu público-alvo “deseja rodar milhares de agentes”, e assim cada instância do Claude e do Copilot terá completo isolamento.

Essa solução containerizada é complementada pelo 'Workshop', um modelo que permite ao administrador hierarquizar os tokens, senhas e acessos, passando a cada agente apenas o conjunto que ele precisa ter, e reduzindo assim a atual onda de ataques em que agentes roubam conjuntos inteiros de credenciais de máquinas de desenvolvimento ou acessíveis por elas.

Esse público-alvo a que ele está se dirigindo existe? Certamente, e parte dele deve até mesmo estar lendo o BR-Linux neste momento, enquanto acredita no acerto das medidas da Canonical – e pode até estar certo, quanto ao sucesso mercadológico do contexto tecnológico que a empresa adotou, pois nada está definido no momento.

A certeza que eu tenho, entretanto, é que eu não sou parte desse público-alvo, e isso não mudaria, caso eu fosse fã de IA no desenvolvimento de software. No nível sistema operacional, eu prefiro interfaces e conhecimentos estáveis ao longo de muitos anos, e não uma sucessão de tentativas periódicas de me levar a adotar um novo ambiente, um novo padrão de empacotamento, um novo conjunto de coreutils etc., enquanto vejo os recursos e requisitos que eu valorizava sendo largados pelo caminho.

Referência: tech.lgbt

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