
Após perceber a
repercussão da entrevista do Jô Soares com Sergio Amadeu e Julio Neves sobre software livre, tomei a iniciativa de procurar o Julio para obter mais detalhes, preencher algumas lacunas e evitar alguns boatos que já começavam a se formar.
Um ponto bastante específico que apurei com o Julio e que já estava sendo disseminado erradamente como boato em outros locais é que
não houve cortes substanciais na entrevista. Segundo ele, houve um único corte na edição, para remover uma frase que havia ficado pela metade. Ou seja, quem assistiu o programa viu a íntegra da entrevista.
Ainda segundo ele, as principais razões do que nós assistimos ontem foi que a programação original da entrevista incluía diversos artefatos extras, como uma apresentação de software livre rodando no notebook do Sérgio Amadeu e a distribuição de brindes de software livre para a platéia, mas isso foi cortado em cima da hora. Como conseqüência, a pauta original da entrevista já era, e o entrevistador acabava não podendo dar muita corda para os 2 entrevistados, para evitar se perder - e aí a entrevista ficou travada.
Para mais detalhes, o Julio Neves me autorizou a divulgar a carta que ele enviou ao amigo que fez a ponte para ele conseguir a entrevista no programa do Jô, que descreve o clima que havia antes do início da entrevista. E de fato a descrição ajuda a compreender melhor o que houve.
Agradeço mais uma vez ao Julio Neves por nos manter informados.
Veja abaixo
a íntegra da mensagem do Julio:
Caro amigo,
Acho que a entrevista foi a melhor oportunidade para divulgarmos o Software Livre e
difundirmos seu uso no nosso país e mais uma vez quero agradecer-lhe em meu nome
e em nome da comunidade (mesmo não sendo seu porta-voz). A seguir detalhamento
dos fatos anteriores à gravação.
Soube em cima da hora (6a. feira) da confirmação da entrevista e estava fora do RJ.
No fim de semana debrucei-me no micro preparando uma apresentação para levar ao
ar.
Existe uma pré entrevista que foi feita pelo Caio (acho que é esse o nome) . Ele me
pediu o material e logo após ligou-me de volta propondo que conectássemos o
notebook no telão do Jô e fizéssemos toda a apresentação em Linux. Achei ótimo
porque seria uma tremenda chance de mostrar que Linux não come criancinhas. :)
Acertamos que o Sérgio, por estar em SP chegaria às 9:30 para ligar o notebook à
rede e ao telão. Depois de tudo pronto, o pessoal de TI disse que a política de
segurança não permitia notebooks de não funcionários na rede. Pedimos 10 minutos
a mais para baixar o conteúdo e faríamos a apresentação off-line.
Pouco antes do almoço disseram que não poderia aparecer a marca do notebook
(Sony). O Sérgio, que estava indo em casa almoçar, disse que traria um adesivo de
um pinguim para cobrir. Tudo certo...
As 14:00h (ai eu já estava na Globo) o Paulinho da produção disse que nem o pinguim
(Tux) seria permitido, perguntando se poderia colar um Contact que cobrisse todo o
notebook. Apesar de não ser meu, autorizei porque o Sérgio ainda não voltara mas
não seria por isso que perderíamos a oportunidade de difundir o Software Livre.
Faltando cerca de 30 minutos para nossa gravação (a esta altura o Jô gravava o
programa que foi ao ar ontem), entrou uma outra pessoa da produção dizendo que
não poderíamos usar o notebook e que, apesar da independência do Jô com relação à
Globo, que tomássemos cuidado para não atacar os anunciantes da emissora e, pelo
momento político não ser propício, que evitássemos esse tema, inclusive quanto a
empresas do governo e etc. Repare quando o programa for ao ar, que ele me
pergunta onde trabalho e digo que sou professor da UniRIO, sem mencionar a
Dataprev.
Bem, como essa decisão foi tomada em cima da hora, o programa foi ao ar sem uma
pauta definida para o Jô, e achei que por isso a entrevista não fluiu muito (ele
permaneceu sério o bloco inteiro e um bom tempo abordando um mesmo tema, creio
que para não perder o comando da situação), nem deu abertura para colocar as
piadas técnicas que pretendia, mas, como Sérgio e eu estávamos seguros do que
falávamos, creio que conseguimos espalhar as sementes de uma boa colheita.
A produção também pensa da mesma forma e pediu nossos contatos, imaginando que
terá muito e-mail a respeito de Software Livre.
Foi uma enxurrada de peguntas sem respostas.
A primeira entrevista teve dois blocos.
A de software livre foi apenas um.
Fiquei bastante desapontado com o programa.
Creio que o tempo do software livre estava marcado para ser aquele mesmo e por isso foi um fiasco.
Os entrevistados não tiveram a oportunidade de desenvoler o assunto, de falar o que é, deferença de gratis e livre, as liberdades de uso, usabilidade prática e produtiva.
Isso não manchou em nada o software livre.
A nossa força está na uso prático/produtivo, estabilidade e segurança.