Há pouco mais de um mês comecei a procurar ativamente os números relativos à evolução dos desembolsos do governo federal com os maiores fornecedores de informática, comparando com a evolução dos investimentos governamentais em projetos de software livre. O objetivo é bem simples e direto: poder demonstrar (ou não) que estes dispêndios caíram ao longo dos anos recentes, à medida em que os investimentos em software livre cresceram.
Até agora não tive sucesso sobre esta questão em particular nos contatos com os órgãos oficiais (se você tiver estes dados, parte deles ou acesso a quem tem, e quiser ajudar,
entre em contato!), mas ontem acabei encontrando uma parte importante destes dados em uma fonte completamente inesperada - o blog de Bill Hilf, o responsável por aquele tão falado laboratório de interoperabilidade da Microsoft - dizem que ele instalou o Ubuntu Dapper no laptop de Bill Gates, e o Gates ficou tão impressionado que resolveu até desistir e se aposentar da Microsoft, mas não sei se é verdade ;-)
O
post do blog de Bill Hilf cita dados de uma edição de 2003 da
revista do Serpro (oriundos de um estudo da SLTI, que ele menciona como 'Department of Logistics and Information Technology') detalhando os gastos com os principais fornecedores de software em 2002, como segue:
1. Net Control (R$15.4 mi)
2. IBM (R$10.6 mi)
3. Oracle (R$5.7 mi)
4. Borland (R$4.2 mi)
5. Funcate (R$3.8 mi)
6. Serpro (R$3.7 mi)
7. Autotrac (R$3.3 mi)
Segundo ele, a lista inclui apenas gastos com software - os números seriam bem diferentes se o hardware estivesse incluído.
O que chamou a atenção dele (e chama a minha também, embora não tanto - a não ser que a Net Control seja fornecedora de soluções Microsoft, mas não parece ser o caso. Alguém confirma?) é que a Microsoft nem consta entre os 7 maiores identificados pelo governo brasileiro em 2002 (eu gostaria muito de ver a lista dos anos seguintes!), embora a percepção comum (minha inclusive) seja de que ela é o maior destinatário de recursos de informática do nosso governo. Não que isto mude algo sobre a visão que tenho da Microsoft, mas quem a vê como símbolo do escoadouro de recursos governamentais talvez deva agregar mais dados a seus conceitos.
Mas o que chama especialmente a minha atenção é a existência destes números sobre 2002. Se há os números de 2002, renovo minhas esperanças de que os números (sob os mesmos critérios) relativos a 2003, 2004 e 2005 apareçam também, e possamos de uma vez por todas ver qual foi o efeito da ênfase no software livre sobre os gastos do governo brasileiro com fornecedores de software proprietário.
Renovo o convite: se você dispuser destes números, ou souber a quem devo solicitá-los,
entre em contato! Vamos entender melhor como são os números da política de software de nosso país!
O trecho relevante da matéria original da revista do Serpro, intitulada
GOVERNO CONTROLA GASTOS - A ordem é economizar:
O grupo de Licenças de Uso de Software apontou um total de gastos com software no governo federal, da ordem de R$ 62,17 milhões no ano de 2002. Os gastos anuais com locação de software correspondem a R$ 13,16 milhões e o custo de manutenção de sistemas alcança R$ 16,17 milhões. As maiores compras de software foram identificadas junto ao Ministério da Defesa (R$ 19,2 milhões), seguido pelo Ministério da Saúde (R$ 10,5 milhões) e Educação (R$ 6,6 milhões).
A equipe também apresentou a lista dos maiores fornecedores de software ao governo federal: Net Control (R$ 15,4 milhões); IBM (R$ 10,6 milhões); Oracle (R$ 5,7 milhões); Borland (R$ 4,2 milhões); Funcate (R$ 3,8 milhões); Serpro (R$3,7 milhões) e Autotrac (R$3,3 milhões).
O relatório preliminar do Grupo de Trabalho de Consultoria em TI e Telefonia mostrou que os ministérios e órgãos vinculados gastaram R$ 429 milhões com a contratação de serviços de informática e R$ 82 milhões com a aquisição de equipamentos. Para realizar o levantamento de equipamentos de informática, o grupo procurou identificar no Siasg as compras realizadas de micros, servidores, impressoras laser e tinta, disco rígido, switchs, roteadores, monitores de vídeo e no-break.
O que o sr. Hiff falha em mencionar é que a IBM (que tem centros de desenvolvimento no Brasil) e a Oracle suportam e reconhecem os sistemas Linux.
A FUNCATE é uma "uma entidade de direito privado sem fins lucrativos, (...) credenciada pelo MEC e MCT como uma Fundação de Apoio às organizações governamentais de pesquisa e desenvolvimento." e trabalha com pesquisa espacial e geoprocessamento. A Autotrac é uma empresa que "desenvolve produtos e serviços para o segmento de transporte de carga, utilities e órgãos do Governo e soluções para gerenciamento logístico e de risco, comunicação, transmissão e integração de dados." sendo que ela tem como parceira a UnB, sendo que a parceiria "permite à Autotrac utilizar os recursos físicos da Universidade de Brasília, ter acesso aos melhores alunos e professores para o desenvolvimento de pesquisas e recrutamento de mão-de-obra, participar de workshops promovidos pela UnB e conhecer em primeira mão as inovações tecnológicas desenvolvidas pela instituição." e, como a FUNCATE é uma área também muito cara. Porém o dinheiro gasto com as duas é dinheiro que entra no Brasil e não vai para laboratórios externos de pesquisa.
Seria interessante ver qual seria a posição da Microsoft nesta relação. Pois o problema é que o software dela é de baixo custo, comparado aos acima, mas domina uma grande área do governo. Pode não ser o mais caro mas é, disparado, o mais usado e, consequentemente, o que o governo tem mais dependência.
Porquê será que a Microsoft sempre pensa que somos idiotas?
[]s!
Vinícius Medina
Usuário Linux 383765. É um também? Mostre a sua cara!