"Libertas quae sera tamen", gritava Richard Stallman, sem sapatos, em frente ao
estúdio do InfomediaTV no FISL, enquanto se realizava o primeiro debate público com a presença de nossa maior rival em um evento internacional de software livre sediado no Brasil. A manifestação de Stallman deu a Cesar Brod, participante da mesa e finalista do prêmio anual da Free Software Foundation que homenageia contribuições excepcionais ao software livre, o ensejo de apontar que a própria presença da Microsoft em um evento como este, discutindo abertura de código e padrões abertos, era em si uma vitória. Roberto Prado, Gerente de estratégias de mercado da empresa e o executivo responsável pelas suas relações com o código aberto no Brasil, assentiu e disse que sem dúvida trata-se de um reconhecimento à existência de uma comunidade forte e atuante no Brasil. Sobre o lema da inconfidência mineira, ele comentou: "espero que a liberdade não seja tardia, e é para isso que estamos aqui hoje." Prado aproveitou a oportunidade para lembrar que a manifestação da comunidade era sempre bem-vinda, uma vez que a natureza dos debates, antes inexistentes, neste momento ainda é de antagonismo.

"Libertas quae sera tamen", gritava Stallman enquanto
assistia ao debate no estande da InfomediaTV (foto de Hélio Castro)
Outro momento importante do debate foi o reconhecimento, por Prado, de que o seu grande desafio neste momento é conquistar a confiança do público, nos mercados onde a presença do código aberto é considerável. Iniciativas como Shared Source (que ele reconhece ser profundamente diferente de GPL e BSD) foram um primeiro passo, a disponibilização no SourceForge de softwares genuinamente livres desenvolvidos pela Microsoft para uso em sua própria plataforma (como o IronPython) é outra, e outros ainda estão por vir - foram dadas algumas pistas de que o próximo anúncio deve ter relação com um portal estimulando o desenvolvimento aberto e colaborativo entre os desenvolvedores da plataforma Microsoft - no estilo do SourceForge, do Savannah ou do brasileiro CódigoLivre. Ele esclareceu que trata-se de uma resposta natural ao que o mercado exige - e se o mercado exige padrões abertos, interoperabilidade, software sendo comercializado como serviço e abertura de código, a indústria naturalmente precisa se adaptar a esta realidade.
Perguntas enviadas por pessoas da comunidade (incluindo participantes do BR-Linux, como Manoel Pinho e Vinícius Medina) foram respondidas ao vivo, com graus maiores ou menores de evasivas.
Uma pergunta não assinada questionou por que a Microsoft veio para o stand da InfomediaTV neste ano, mas recusou os convites oficiais do evento em anos anteriores e também no deste ano. Roberto Prado disse estar nesta função há um ano, e que ele seria a pessoa a quem este tipo de convite deveria ser endereçado em contatos com a empresa - e que não havia recebido nada. Esclareceu ainda ter conversado com o presidente da organização do FISL, Marlon Dutra, para se certificar de que sua presença seria bem-vinda - pois em outra hipótese jamais viria. César Brod encerrou sua participação agradecendo a honra de ter sido escolhido para participar deste debate inédito, e parabenizando o InfomediaTV pela iniciativa. Roberto Prado agradeceu o convite e a oportunidade, disse que a MS estará também no evento LinuxWorld, em São Paulo, e comentou como foi positivo ter tido possibilidade de encontrar e conversar com pessoas envolvidas de fato e na prática com o ideal do software livre, como o César Brod, o Cláudio Matsuoka, o Hélio Castro e a Sulamita Garcia.
Uma nota negativa, que não posso confirmar ainda mas pretendo apurar (e espero que não seja verdade, pois vai completamente contra o espírito da colaboração) é que a Solis, cooperativa presidida por Brod, teria sido abordada por pessoas dizendo falar em nome da organização do evento, e recebido a informação de que sua participação no evento sofreria cortes por ele ter aceitado participar do debate. Conheço os organizadores do evento e acredito na sua integridade, portanto espero em breve poder noticiar que as pessoas que procuraram a Solis o fizeram por sua própria iniciativa e não falavam em nome da organização, ou que estavam apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto. Informarei quando tiver mais dados. (atualização, 18h30: enviei e-mail ao presidente da organização do evento pedindo a ele uma declaração sobre o assunto)
Às 15:30 inicia novo programa ao vivo no
estúdio do InfomediaTV no FISL, falando sobre administração de ambientes heterogêneos. O representante da Microsoft vai debater com Marcone Thiesen, também da Solis. Perguntas do público podem ser enviadas pelo e-mail carlos_augusto?infomediatv.com.br.
Veja abaixo outro relato sobre o debate, enviado pelo leitor Pierre Freire.
Estou acompanhando o FISL pela Tv e pelo INFOMEDIA. Estou te mandando um relato do debate entre o representante da MS e o CEsar Brod. Se achar util e quiser publicar.
Estava morrendo de vontade de participar do FISL, mas não pude ir a Porto Alegre, mas graças a TV Fisl e a INFOMEDIATV, estou ligado no evento. Acabei de assistir ao tão esperado debate entre o Roberto Prado Gerente de Estrategias da MS e o conhecido Cesar Brod da SOLIS.
Sou péssimo para relatar, mas vou tentar descrever um pouco do que ocorreu.
O representante da MS falou bastante sobre a licença SHARE-SOURCE que a Microsoft usa, em seus produtos citou governos, universidades onde a Microsoft mostra o código aos clientes sobretudo em relação ao fator segurança. Cesar Brod da SOLIS, fez uma colocação muito importante em relação aos novos rumos da tecnologia, sobretudo com a adventos dos softwares que rodarao remotos via WEB, onde o fator serviço vai pesar muito mais do que a licença.
*** Houve uma manifestação de usuarios acompanhando Stallman gritando: "LIBERTAS QUE SERA TAMEN" Liberdade ainda mesmo que tarde. Frase simbolo da incofidência mineira, o detalhe é que hoje é 21 de abril.
** Richard Stallman assiste a palestra ( Eu não vi na telinha, poderiam ter dado um close nas barbas do Richard)
O Roberto Prado da Microsoft disse também que assumiu a um ano este cargo e se preocupou bastante com o distanciamento da Microsoft em relação a comunidade, fato que lembrou os primordios da internet, onde quase a Microsoft perdeu o bonde da história. Disse que reconhece a força do movimento de software livre no Brasil e reconhece a grande base instalada. Confirmou a presença da MICROSOFT na Linuxworld Brasil assim como participaram na de Los Angeles e me parece que a Microsoft vai falar sobre o tema a coexistência e formas de gerenciar ambientes heterogeneos e tambre sobre o virtual server.
O tema que mais se falou foi sobre SOFTWARES NA WEB COMO SERVIÇO ou seja no futuro você usar o editor de textos no seu BROWSER.
O representante da Microsoft falou rapidamente sobre as iniciativas da MICROSOFT neste sentido como os serviços:
- OFFICE LIVE
- WINDOWS LIVE
Apenas em fase de testes.
O CEsar Brod, citou os rumores sobre o Google entrar em um projeto com a comunidade para lançar o OPENOFFICE neste modelo. Cesar citou também que o MIOLO um framework livre cronstruido e disponibilizado pela SOLIS também caminha neste sentido implementando recursos com AJAX. Citou também um caso interessante e cenario de um futuro nao muito distante. A possibilidade de um cliente em .NET por exemplo esta usando remotamente programas livres.
Para quem gosta de novidades o gerente da Microsoft falou rapidamente sobre o projeto CODLAB ( Acho que o nome foi este ) que na realidade é uma plataforma que a MICROSOFT quer disponibilizar para os desenvolvedores armazenarem os códigos dos produtos que desenvolvem, algo simular ao sourceforge.
O apresentador nao perdeu a deixa e perguntou ao Cesar Brod, o que ele achava desta iniciativa e que impacto ela traria a comunidade?
O Cesar Brod lembrou que no Brasil temos o projeto codigo livre com um repositorio com mais de mil projetos atualmente. E recebe com louvou esta atitude da Microsoft, que mostra uma maturidade em relação ao software Livre. Disse que vê sucesso pois não se pode nagar a grande base de usuarios da Microsoft no mundo.
Bem, cheogu a horas das perguntas enviadas pelo público:
Se prestei bem atenção, o amigo Manoel Pinho e o Vinicius Medina mandaram perguntas.
Vou tentar transcrever mais ou menos a pergunta do MANOEL PINHO.
1 - Com a tendência das empresas ganharem dinheiro com serviços e o uso intensivo dos protocolos abertos e a possivel falência do modelo de licenças proprietárias, como a Microsoft vai atuar? RESPOSTA DO ROBERTO PRADO / MICROSOFT: Ele disse que a Microsoft usa bastante padroes abertos sempre esta antenada com o mercado citou XML, WEBSERVICES, SOAP. Quanto a politica de cobrança ela vai adaptar as mudanças de mercado se eles realmente existirem neste sentido e atenderem os desejos do clientes caso estes achem que o modelo de licenças nao seja mais interessante.
A segunda pergunta nao me lembro quem fez. [nota do editor: foi o RockerTux] 2 - A opção de suportar a VIRTUALIZAÇÃO DO LINUX no Windows com o Virtual Server, foi algo para agregar funcionalidade ao sistema, ou mais uma maneira de denegrir a imagem do Linux, porque a virtualização vai mostrar uma performance muito baixa do sistema e será mais uma arma de marketing para MS? RESPOSTA DO ROBERTO PRADO / MICROSOFT: Devido aao ambiente diversificado nas empresas, foi um movimento de mercado visando agregar valor para os clientes, é uma tendencia.
Neste momento o rapaz responsavel pela area de segurança da MS e especialista em Linux, o nome dele é Dennis, completou: O recurso foi solicitado por vários clientes que usam Linux.
O Cesar Brod, comentou também que isto acontece do lado contrário, ou seja, servidores LINUX rodando WINDOWS com VMARE e a virtualização é um processo lento, mas depende muitas vezes do hardware instalado. E disse que nao vê problemas, pois se isto é bom para o cliente, o onus da lentidao as vezes é aceitavel. Tudo é uma questao de escolha.
A terceira pergunta foi formulada pelo Vinicius Medina.
3 - Basicamente ele perguntou se a Microsoft nao respeita padrões? RESPOSTA: A Microsoft respeita os padroes e sempre esta de acordo as normas dos orgãos mundiais que cuidam destas tarefas. Ela participa e apoia "ativamente". Ele disse também que alguma coisas não estão 100%, mas isto não acontece apenas com a MICROSOFT. "Esperei ele falar quem são os outros, mas nao deu nomes aos bois".
Perguntaram também, porque a MICROSOFT nao tinha aceitado convites anteriores. RESPOSTA: Ele disse que trabalha a um ano e nunca chegou um convite antes e que adorou a oportunidade.
Chegou a hora das CONSIDERAÇÕES FINAIS:
*** CESAR BROD: O debate mostoru maturidade, disse que no software livre nao existe lideres, todos são lideres , recebeu com orgulho o convite e que foi um momento historico para o software livre e em nenhum momento se sentiu constrangido no debate, achou muito valido.
*** ROBERTO: Agradeceu a todos e achou importante, disse sempre estar aberto ao dialogo e aproximação com a Comunidade.
Bem, pessoal, eu fiz apenas um resumo do que assisti, posso nao ter sido muito preciso no relato. Mas é isto ai. Um abraço a todos.
Pierre
Acho que minha pergunta foi a que recebeu a resposta menos evasiva, apesar de eu ainda estar repetindo "me engana que eu gosto"
BTW, eu sou o Arthur Miranda e mandei a pergunta sobre a virtualização e a perda de desempenho do GNU/Linux =P
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