Você lembra da pergunta final do editorial do BR-Linux na semana passada? Vou reproduzi-la aqui:
Está fazendo 2 semanas que noticiamos a informação, confirmada oficialmente pela autoridade responsável, que alguém "esqueceu" de fazer referência a dual-boot na portaria que instituiu o Computador para Todos, e que os fabricantes já descobriram esta brecha e encaminharam consulta oficial para que se confirme que eles podem mesmo comercializar micros rodando Windows XP (e mais uma pequena partição com Linux e outros softwares livres) usando os benefícios e incentivos do programa governamental. Desde então, aparentemente não se divulgou mais o andamento da questão. Será que ainda demora muito para confirmarem ou negarem isto? E será que quando os fabricantes puderem vender estes micros com Windows XP, eles vão caprichar um pouco mais na configuração de hardware?
E hoje o IDGNow se encarregou de oferecer uma resposta detalhada:

“
'Fabricante Epcom Eletrônica coloca à venda nas lojas da rede Magazine Luíza o computador com dual boot ao mesmo preço da máquina só com Linux, contrariando as expectativas dos defensores do código aberto.' Navegando me deparei com esta notícia que a meu ver, mostrou uma falha grotesca na redação da lei do Computador para Todos.” A nota foi enviada por Julio Nascimento (juliocabofrioΘpop·com·br), que acrescentou este
link da fonte para maiores detalhes.
Mais trechos:
“Os integrantes do governo federal que defendiam a exclusividade dos sistemas operacionais de código aberto no programa de inclusão digital Computador para Todos, ao que parece, perderam a batalha. Desde a última segunda-feira (07/06), a fabricante Epcom Eletrônica credenciada no programa já vende a 1.399 reais um computador com dois sistemas operacionais (dual boot), uma distribuição Linux e outra Windows Starter Edition, da Microsoft. De acordo com Silvana Rossini, gerente comercial da Epcom, as máquinas estão à venda na rede Magazine Luíza a 1.399 reais, mesmo valor daquelas comercializadas apenas com a distribuição de código aberto da Metasys. Segundo a executiva, a companhia fez uma consulta ainda no mês de fevereiro ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e teve o sinal verde para incluir o dual boot. Isso [inclusão dos dois sistemas] não fere a lei. Estamos seguindo 100% das exigências do programa de código aberto e oferecendo ainda mais opções aos clientes, ressalta a executiva.
O debate sobre a possibilidade ou não de inclusão de dual boot já acontecia no governo federal há alguns meses. (...) Em entrevista ao COMPUTERWORLD na ocasião, Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República e coordenador do programa, reconheceu que o governo pode ter falhado na redação da portaria e considerou alterar até mesmo o texto do documento.”
Mesmo tendo sido cometida uma omissão tão séria na redação original, se ele considerou o assunto enquanto ainda dava tempo, é de se perguntar por que não colocou em prática a correção, ou o que conseguirá fazer agora que as vacas já saíram do cercado.
Mais um trecho, agora sobre o preço - e o PC com Windows vem com 256MB de RAM...
Outra situação polêmica que foi questionada por integrantes do governo federal antes mesmo do surgimento do equipamento com dual boot foi o preço. Alvarez, por exemplo, acreditava que seria muito difícil o fabricante incluir o dual boot e manter o mesmo valor para o produto em virtude de suporte e da própria licença. A Epcom, no entanto, manteve o mesmo patamar de preço, e atribui a possibilidade à negociação com os diversos fornecedores. Houve um comprometimento de nossos parceiros para todos os itens do que equipamento, de maneira a manter o mesmo preço, diz.
O novo equipamento traz processador Celeron D315, disco rígido de 40 Gigabytes (GB), 256 Megabytes (MB) de memória, gravador de CD e distribuições Linux (Metasys) e Windows Starter Edition. Segundo a executiva, é possível inclusive que, posteriormente, os compradores do novo PC popular façam a atualização inclusive para o Windows XP Home.
(...)
Procurado pela reportagem, o coordenado do programa, Cezar Alvarez, ainda não se posicionou sobre o assunto.”
Agora esquecem que fazem isso em cima de um produto que é parcialmente pago com recurso público (ou estou enganado?).
E tem mais (assim como aconteceu com o surgimento de laptops milagrosamente baratos e funcionais depois do prtótipo funcional do OLPC), como é que só agora algumas lojas conseguiram acordo para baixar preço de peças com fonrnecedores a ponto de deixarem o preço final de um PC com Windows no mesmo valor de um PC com Linux? Alguém me ensine essa lábia.
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Carlos Wagner - São Luís / MA
P.S.: As palavras acima fazem parte da minha visão do assunto e não pretendem ser, de modo algum, a verdade absoluta sobre o mesmo.
Obrigado!