Relato enviado por Helio Castro, correspondente do BR-Linux no FISL, às 12h45min.
“Bom, depois de passar pela saga de chegar a Fiergs, entrar na imensa fila de registro, ver muita, mas muita gente conhecida que se encontra novamente no pavilhão do FISL. O oitavo de uma longa série, meu sétimo numa lista.
Neste momento já devem ter inúmeros sites e notícias com fotos da área e estandes, todo mundo urgindo pela primeira notícia do dia, a primeira foto. Aqui na sala de imprensa então, todos os computadores ocupados (curiosidade momentânea, as máquinas são boot remoto com Sacix, Gnome e Iceweasel).
Pergunta então, porque eu não estou escrevendo direto do notebook? Rede! É tanta, mas tanta gente tentando acessar as redes sem fio que um simples ip via dhcp está difícil de ser obtido, imagine o resto. Mas, nada que não deva ser logo resolvido pela organização.
A primeira impressão que tive foi, de novo, de limpeza da área do pavilhão. O centro está composto da arena de programação, o belo site do CrieiTive, e sofás!!!
Sim, sofás no meio. Me pareceu agradável, realmente. Olhando com calma se vê todo o evento dividido em anéis, do centro para fora, vai da organização, depois grupos de usuários e depois governo e empresas..
Ah, claro, empresas. Sem detalhar ainda, posso garantir que você vai encontrar psicólogos por aqui, vários. Pra você entender o que eu quero dizer basta saber que normalmente estes profissionais são contratados nas empresas para um setor chamado RH. O resto você conclui por si mesmo..
E temos nomes novos, que então me chamou a atenção sobre uma característica que o evento vem assumindo, sem intenção, que é um centro onde as empresas aparecem para conseguir seus principais recursos escassos no país, mão de obra especializada.
Fora as big one usuais, alguns estandes .gov e o estado constante de felicidade do grupo de usuários, os demais estão aqui atrás de você (até mesmo quem não veio no Fisl deve estar sabendo de caminhos para trilhar partindo daqui).
Mas pra começo, que dei uma passada voando pelo pavilhão, me diverti horrores com a criançada no estande da OLPC. Sim, pode ser que não de certo, pode ser que dê muito cero, mas que é muito bom ver crianças brincando com interfaces inteligentes (Squeak, pra quem não conhece um smalltalk simples e perfeito para alimentar a fome de conhecimento dos nossos guris e gurias novinhos :-), e vendo que o "brinquedo" funciona.
Hoje pretendo ir atrás de conversar informalmente com várias pessoas e tentar criar um apanhado do primeiro dia (e de preferência com wireless).”
Enviado por Helio Castro.
Tudo no ambiente é um objeto... até um texto qualquer em qualquer parte do ambiente - dentro de uma janela, no desktop ou simplesmente "flutuando" pela tela - é um objeto, possui métodos, e pode ser editado. O mais interessante de tudo é que, como o Squeak roda em uma máquina virtual Smalltalk, tudo no ambiente é em Smalltalk e mudanças são imediatas... por exemplo, se você alterar a classe dos objetos de texto para que, digamos, mudem de cor aleatoriamente a cada segundo, no momento em que você salvar a nova versão deste método da classe (que você está editando dentro do próprio ambiente), *POOF* - todos os objetos de texto da tela, incluindo os que estão na própria janela em que você está e as dos outros "programas" que estão rodando... não é necessário parar um programa e reiniciá-lo para que redefinições inteiras de métodos, classes e o escambau entrem em vigor, basta dar um save e as mudanças são imediatas no ambiente. É fascinante, pra quem vem de outros ambientes e paradigmas de OOP.
No site da squeakland tem um monte de material e de exemplos sobre o uso do ambiente para o ensino a crianças; tem um repositório pronto de coisas feitas pelas próprias crianças, "programando" no ambiente - você pode (re)programar o ambiente tanto digitando smalltalk quanto editando as propriedades de um objeto visualmente, usando as janelas de edição, onde pode-se criar até "comportamentos" dos objetos - e estas edições interativas geram automaticamente código em Smalltalk.
Quando ouvi a notícia de que os tais OLPC usariam o Squeak de alguma forma, achei muito interessante. Não sabia que havia o envolvimento deste projeto com o "notebookzinho". O Alan Kay deve estar sorrindo de orelha a orelha :)
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