Segue transcrição, enviada pelo editor-chefe da Linux Magazine aderindo à campanha para retificar as informações erradas da Veja sobre o software livre no Brasil, iniciada pelo BR-Linux e integrada por todos os segmentos da comunidade nacional: “
Prezado leitor, prezada leitora da Linux Magazine,
Não vá o sapateiro além das sandálias!, esse o sentido da frase em latim que escolhi para título do editorial desta edição da Linux Magazine. Trata-se de uma citação de Plínio, o Velho (Naturalis Historia 35.36.85 - XXXV, 10, 36), atribuída ao pintor grego Apeles (352 - 308 AC), retratista oficial de Alexandre Magno (o Grande) e que foi utilizada para descrever uma situação em que um sapateiro, consultado sobre as características da sandália que estava sendo pintada em uma tela do autor, começou a criticar o restante da obra.
A citação se aplica perfeitamente à controvérsia atual sobre um artigo publicado na revista Veja, atacando a iniciativa do Governo Federal de apoio ao Software Livre e de Código Aberto (SL/CA). Ela ilustra o que pode acontecer quando um jornalista, sem credenciais para sequer debater, se vê obrigado a cobrir um assunto do qual não entende absolutamente nada. Também é triste ver uma revista de grande circulação como a Veja abandonar a isenção jornalística e, no intuito de achincalhar de maneira indiscriminada iniciativas do Governo Federal, ser cúmplice de um grupo de empresas que estão apenas defendendo seus interesses e seu monopólio. De maneira equivocada, bateu em uma das boas iniciativas desse governo, que se equipara às iniciativas de governos de países de primeiro mundo, como as da Alemanha (especialmente da cidade de Munique) e dos Estados Unidos da América (Washington). Mas nem o autor nem a revista pararam para olhar o que está acontecendo em administrações públicas ao redor do mundo no que tange à utilização de Software Livre. Preferiram comparar bananas e laranjas, ao invés de olhar os avanços que o SL/CA trouxe à administração pública federal.”
Agradecemos o envio! Veja abaixo o restante do texto.
A reportagem, como um todo, aborda o tema de maneira simplista,
utilizando-se de relatos de representantes de algumas empresas
(desfavorecidas em projetos com o governo ou preteridas pelas
iniciativas deste em prol do SL/CA), como se a a opção do governo do PT
pelo Software Livre tivesse motivos meramente ideológicos. Ademais, é
míope em perceber que, mesmo usado como bandeira ideológica pelo
partido do governo, o Software Livre não é petista, psdebista,
pmdebista, pefelista etc., estando acima de interesses partidários e
de outros grupos políticos. Via de regra, o SL/CA é tecnicamente
muito superior ao software proprietário, conforme já ilustramos
nesta coluna mensal em diversas oportunidades. Essa superioridade se
deve mesmo ao seu modelo de desenvolvimento, algo que não foi abordado
na matéria nem mesmo en passant. É por essa razão que a maior parte da
infra-estrutura da Internet é baseada em SL/CA.
Tudo isso, aliado ao fato de que o autor infelizmente não sabe
distinguir o que é Software Livre do que é software grátis --- afinal, o
programa de imposto de renda online da Receita (escrito em Java), apesar
de grátis, não é livre ---, atesta o seu completo despreparo para
discorrer sobre o tema. E, para terminar, não é verdadeira a afirmação
de que em São Paulo já é possível preencher o boletim de ocorrência
policial pela Internet, pois falta acrescentar no início dessa frase a
sentença: Se o contribuinte usar o Internet Explorer, ...! Isso exclui
naturalmente não só outros sistemas operacionais, como também qualquer
outro navegador de Internet, mesmo rodando no Windows®, relegando
usuários desses aplicativos e sistemas a cidadãos de segunda classe ---
ou a excluídos digitais, mesmo enquanto pagadores de impostos. Na
opinião da Veja, entretanto, há que se pagar adicionalmente o pedágio
Microsoft!
Rafael Peregrino da Silva
Editor
O Produto "Microsoft", usa 2 Servidores DELL Parrudos (um para o ASP outro para MS-SQL), e em sua versão original, não realizava backup´s, os email´s de resposta tinham que ser ativados manualmente, etc...
O que esteve politicamente por detras disso eu não sei, mas esta e outras questões do tipo, geraram um desanimo e um descontentamento tão grandes, que levou a maior parte dos desenvolvedores do então DETEL (Departamento de Telemática) começarem a procurar outros caminhos, e com a crescente terceirização dos serviços de informações policiais (por principio sigilosas), cada vez menos pessoal qualificado se submete a estar no setor...