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Análise da versão brasileira do Mandriva Flash

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Recebi há 2 semanas um exemplar da versão nacional do Mandriva Flash, enviada pela Mandriva Conectiva para análise pelo BR-Linux, e posterior sorteio entre os leitores do site (o resultado do sorteio será divulgado na noite desta segunda-feira 26).

O Mandriva Flash foi lançado no final do ano passado e é basicamente o Mandriva Linux pré-instalado em um pen drive USB de 2GB, de forma que você pode (em condições ideais) simplesmente plugar o Mandriva Flash em uma porta USB de um computador, reiniciar o computador dando boot pela porta USB e usar o Linux normalmente, sem instalar nada no disco rígido do micro e gravando no próprio Mandriva Flash (que vem com cerca de 1GB livres) os seus arquivos, preferências e configurações.



Como ele tem boa qualidade em suas rotinas de reconhecimento de hardware durante o boot, você pode - ao menos teoricamente - "pular" de micro em micro tendo acesso sempre ao mesmo sistema, ambiente e dados, todos carregados a partir do próprio Mandriva Flash.

Mas as condições ideais não estão sempre presentes. Para começar, muitos micros não têm suporte a boot diretamente pelas portas USB, e mesmo os que dispõem deste recurso freqüentemente exigem alterações na configuração da BIOS - algo que você nem sempre tem permissão para fazer em computadores alheios. Uma solução alternativa é usar a pequena imagem ISO de um CD de boot, que vem gravada no próprio Mandriva Flash, para gerar um CD de boot capaz de iniciar o Mandriva Flash até mesmo em máquinas sem nenhum suporte a boot via USB. E se você pretende mesmo pular de micro em micro, já vá treinando sua lábia para convencer o operador da biblioteca, do cyber café ou da rede universitária que ele não precisa se preocupar com os seus reboots, e pode liberar os boots via CD e USB no micro que você pretende usar.

Mesmo com todos os desafios, o Mandriva Flash tem seu nicho e sua utilidade. Veja abaixo a análise completa.


Boot e inicialização

Onde as condições ideais estão presentes, entretanto, a inicialização do sistema funciona bem. Testei em um 2 notebooks (um Thinkpad T60 e um HP Pavilion DV4000) com sucesso completo, e em uma estação de trabalho HP que exigiu a inserção do CD de boot, apesar de sua BIOS dispor da opção de boot via USB. Nos 3 casos, só foi possível dar boot após remover outros periféricos USB (mouse, teclado, drive externo). Após o boot eles puderam ser usados sem problemas.

No primeiro boot o sistema faz uma série de questionamentos: idioma do ambiente, fuso horário, tipo de teclado. se deve conectar em rede, nome do usuário para o qual se deve criar uma conta (obrigatória), senha para o root, etc. Estas perguntas, cujas respostas não podem ser obtidas automaticamente, ocorrem apenas na primeira inicialização, e alterações posteriores já podem ser feitas diretamente pelo centro de controle da Mandriva, no ambiente instalado. Testei um teclado US internacional (sem a tecla da cedilha) e funcionou perfeitamente com a acentuação em português.

Segundo a documentação, o sistema exige no mínimo 256MB de RAM (512 recomendados), placa de vídeo NVidia, ATI ou Intel i8xx ou i9xx, e placa de som AC97 ou compatível com Sound Blaster. Nos 3 equipamentos em que testei, o som, o vídeo e o suporte básico a periféricos funcionou sem soluços. O driver de vídeo com aceleração foi ativado automaticamente, e os efeitos 3D da interface (desktop "cubo", janelas flexíveis ao se movimentar, etc.) estavam disponíveis sem nenhuma configuração adicional.

Usei impressoras laser conectadas via USB em 2 dos micros de teste, e ambas foram reconhecidas e configuradas automaticamente, após me solicitar confirmação. Imprimi algumas páginas de teste sem problemas, nem sustos.


O software incluído

O Mandriva Flash vem com o kernel 2.6.17 (mais uma série de drivers proprietários disponíveis em outros produtos da Mandriva, para vídeo, wireless e modems, entre outros), KDE 3.5.4, Firefox 1.5.0.6 (mais Flash e RealPlayer), OpenOffice.org 2.0.3. Apesar de incluir componentes proprietários no nível do software básico, o Mandriva Flash não traz consigo alguns aplicativos proprietários que vêm em outros produtos da Mandriva, como o LinDVD, JVM, Skype, Adobe Reader.

Há uma boa seleção de softwares pré-instalados, suficiente para tarefas comuns como editar textos e planilhas, visualizar e retocar imagens, ouvir músicas nos formatos mais comuns (inclusive MP3), navegar na web e ler e-mails, entre outras.



O Centro de Controle Mandriva é o mesmo disponível em outras edições da distribuição, e permite configurar os mais variados itens de hardware e software. Usei para algumas tarefas corriqueiras, como a seleção de uma rede sem fio ou a inclusão de um novo usuário, sem percalços.


Organização do "disco"

O pen drive de 2GB vem dividido em 2 partições, ambas FAT, de forma que podem ser vistas e manipuladas até mesmo em computadores com Windows - o que é parte dos objetivos do sistema. A partição "Share" tem 750MB e pode ser usada livremente para gravar e transportar arquivos, podendo ser lidos sem problemas também em micros que não estejam rodando o Mandriva Flash.

A outra partição ocupa o restante dos 2GB do pen drive, e traz um arquivo contendo a distribuição como um todo (pouco mais de 700MB, comprimido, read-only) e um loopback de 400MB que contém as modificações do sistema e os diretórios dos usuários.

Como a imagem do disco do sistema operacional é read-only, eventuais alterações, atualizações e instalação de novos pacotes ocupam o espaço limitado do loopback de 400MB, portanto cada adição ou atualização de software deve ser considerada com cautela. Ainda assim, as ferramentas de atualização e instalação de pacotes do Centro de Controle Mandriva funcionam sem problemas, incluindo o MandrivaUpdate - que dispõe de grande volume de atualizações para os pacotes do Mandriva Flash.


Descrição do hardware

Recebi o Mandriva Flash para testes em uma pequena embalagem de feltro azul, contendo o pen drive em si, um cordão para prendê-lo no pescoço, e um folheto com os termos de uso, suporte e garantia. A versão brasileira do produto tem 90 dias de garantia para o aparelho, 1 mês de permissão de uso do Mandriva Club (categoria prata) e 1 mês de suporte via web com escopo limitado (reconhecimento de hardware, processo de boot, uso de aplicativos, etc.)

A versão brasileira do Mandriva Flash vem instalada em um pen drive da Dane-Elec, modelo zMate Pen 2GB, e acompanhada de uma medalhinha de alumínio, de 20 x 5mm, com a logomarca e o nome Mandriva gravados.

Por ser baseada no pen drive zMate, a versão brasileira do Mandriva Flash tem uma desvantagem séria em relação ao modelo europeu (que também usa pen drives Dane-Elec, mas de outro modelo): trata-se de um pen drive um pouco mais volumoso, e assim pode tornar impossível usar a porta USB vizinha àquela em que estiver conectado. Isto aconteceu nos meus 3 micros de teste, e pode ser facilmente resolvido com um cabo extensor USB - ou usando outra porta USB, quando o micro tem em número suficiente. No caso do Thinkpad T60, que tem apenas 3, tive que desconectar o mouse externo quando fui testar o HD USB externo.


Uso do sistema

O Mandriva Flash busca ser o software de uma estação de trabalho básica portátil, e agregar alguns recursos de eye candy como as janelas flexíveis ou o desktop em cubo 3D. Testei o ambiente tendo em mente este uso específico, mesmo porque não seria simples transformá-lo em uma ferramenta de segurança, um ambiente de desenvolvimento ou uma estação multimídia.

Acessei o correio eletrônico (via webmail e também com o kmail, incluso), enviei e recebi anexos, abri arquivos do Word e do Excel no OpenOffice em português, naveguei na Internet, visualizei e editei imagens que baixei da câmera digital, conversei com amigos usuários de ICQ, Jabber e MSN, assisti a vídeos no YouTube, tudo sem problemas nem dificuldades adicionais de configuração - o ambiente de trabalho básico está bem polido.

Um detalhe que me chamou a atenção, por se tratar de uma demanda comum e aparentemente simples de resolver, é que devido à ausência da JVM, não foi possível acessar os serviços de home banking dos bancos a que tenho acesso, usando a configuração default do Mandriva Flash.

No que diz respeito a multimídia, os resultados são parciais. O sistema vem com CODEC do formato MP3 pré-instalado e configurado, o que permite ouvir músicas neste formato de forma simples (não é necessário configurar nem ativar nada). Mas quando se trata de vídeos, a coisa muda de figura, e temos resultados bem parciais, devido à questão de formatos proprietários (e aparentemente não especificamente à questão das patentes de software, já que o MP3 está suportado).

Veja os testes realizados, em ordem crescente de sucesso obtido:


  • Vídeo em formato WMV, "machine plier" - confecção norte-americana ensina como construir uma máquina de dobrar camisas perfeitamente, usando apenas uma caixa de papelão e fita adesiva. O Mandriva Flash só conseguiu reproduzir o áudio.
  • Vídeo em formato WMV, "harlem globetrotters" - Melhores momentos do time de basquete-arte. O Mandriva Flash só conseguiu reproduzir o áudio.
  • DVD comercial "X Files Season 4 disc 6": O Mandriva Flash reproduziu com sucesso as 2 trilhas iniciais (letreiros em espanhol e português alertando contra a exibição comercial), e não exibiu áudio nem vídeo das demais trilhas (menus, episódios).
  • Vídeo MPEG1+MP2 "Gotta have more cowbell" - Sketch do Saturday Night Live com Christopher Walken no papel de Bruce Dickinson, simulando uma sessão de gravação com o Blue Öyster Cult. Áudio e vídeo reproduzidos com sucesso, com presença persistente de matriz quadriculada de pontos em toda a tela, reduzindo a qualidade gráfica.
  • Vídeo XVID+MP3 "Lindsay Lohan as Hermione Granger" - sketch do Saturday Night Live em que Harry Potter tem dificuldades de se concentrar devido a 2 bons motivos que Hermione (representada por Lindsay Lohan, em 2004) trouxe na volta das férias de verão. Áudio e vídeo reproduzidos com sucesso, com presença persistente de matriz quadriculada de pontos em toda a tela, reduzindo a qualidade gráfica.


Usei as configurações default dos aplicativos, mas no caso dos vídeos quadriculados tentei também com opções diferenciadas, sem sucesso.

Conclusões

Usar o pen drive como se fosse um filesystem comum, gravando os arquivos do sistema diretamente nele, não é uma solução otimizada. Mas gravar nele o sistema operacional como um grande blob que não pode ser alterado é um fator limitador para usuários avançados, reduzindo em muito a flexibilidade do sistema e também a própria possibilidade de atualizá-lo.

Ainda assim, mesmo considerando a restrição acima, o sistema operacional gravado em um pen drive tem muito mais flexibilidade do que o seu substituto mais próximo, que é o Live CD.

Considerando exclusivamente as funcionalidades para as quais foi planejado, o Mandriva Flash provê uma estação de trabalho suficiente para muitos usos, com aplicativos de escritório, navegador, correio eletrônico, IM, reprodutor de áudio e mais.

As dificuldades para inicializar o sistema em alguns ambientes são um ponto fraco, mas cuja solução é prevista, conhecida e mencionada na documentação. Não incluir o software necessário para permitir o uso da maioria dos home bankings, entretanto, acaba sendo uma restrição muito mais séria ao usuário tido como alvo da oferta - inclusive ao contrastar com a presença de diversos outros softwares proprietários (Flash, RealPlayer, drivers variados) no produto.

Para os que buscam a possibilidade de um ambiente de trabalho que pode ser levado de micro em micro, vale a pena verificar o Mandriva Flash. E para quem gosta de exibir as vantagens do ambiente gráfico 3D do Linux e deixar impressionados os colegas, esta sem dúvida é uma das melhores opções em termos de efeito!

Referência:

Para mais detalhes sobre o Mandriva Flash, documentação, preços e outros, visite o site do produto.


Comentários dos leitores

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Comentário de yamane
Só mais algumas considerações :-): O mesmo PenDrive (Dane-Elec de 2Gb) pode ser encontrado por preços entre R$90 e R$120, como por exemplo Aqui e também Aqui

O PenDrive da Mandriva Européia é do mesmo fabricante (Dane-Elec), porém possui 5 anos de garantia (contra 3 meses da Mandriva Nacional), é personalizado e possui um melhor acabamento, além de custar mais barato (mesmo pagando 60% de impostos de importação).

A Mandriva Nacional alega que esse PenDrive possui 1Gb livre, porém como o Augusto pode comprovar, ele possui 750Mb.

Será que já conseguiram vender algum pendrive? :-(
Comentário de bode
Estou usando o MCNLive: Sou fã do Mandriva mas não vi motivos para comprar mais um pendrive sendo que já possuo 2. Procurando por aí afora encontrei este site:

http://www.mcnlive.org/

Mandriva rodando perfeito em um pendrive Kingston de 512Mb...
Vale a pena conferir!!!
Comentário de salvador
Tiago "Salvador" Souza: Some os 750MB da partição FAT com cerca de 250MB da partição normal e você tem 1GB, ou próximo. Posso estar errado :)
Comentário de spunkiie
Velocidade do Barramento.: Faltou frizar outro interessante atrativo para esse tipo de solucao: A velocidade.

o barramento USB pode chegar 480 Mbit/s, o que eh 3x mais rapido do que, por exemplo, a velocidade maxima que um HD IDE pode alcancar (133).
Comentário de spunkiie
Corrigindo.: Corrigindo.

A velocidade do USB eh documentada em Megabits, a do ATA, em Megabytes, sendo assim o USB chega no maximo a 60 Megabytes/s
o que equivaleria a um HD IDE rodando em Ultra DMA 3.

ainda assim uma velocidade interessante para um dispositivo tao pequeno.


Comentário de wagnerluis1982
Errado: A Velocidade teórica de um HD é de 133 Megabytes/s enquanto a do USB como você mesmo mencionou é de 480 Megabits/s, acontece que 1 byte equivale a 8 bits, então 480/8 = 60 Megabytes/s.

Indo ainda mais além de formos converter a velocidade do HD em bits teremos 133*8 = 1064 Megabits/s, bem maior que os 480.

Lembrando que essas velocidades são teóricas, em testes o meu HD ATA100 nunca passou dos 50 MB/s.
Comentário de Tiago Baciotti Moreira
Pen-drive "queimar" rápido demais?: Bom Dia pessoal,

Usei por um tempo o Puppy Linux que também rodava a partir de um pendrive. O Puppy utilizava uma técnica de trabalhar 100% do tempo em memória RAM e só gravar os dados de volta na hora de shutdown do sistema.

Isso era feito pelo fato do pendrive ter um certo número de ciclos de gravação, que após esse número x ser atingido o pendrive não conseguiria mais garavr dados. (me corrijam por gentileza se eu estiver errado).

Dessa forma, o PuppyLinux extenderia MUITO a vida do pendrive pelo fato de fazer a gravação uma única vez, ao desligar o micro.

Obviamente isso traz o risco de se perder os dados que estão na Ram numa possível queda de energia, porém aumenta MUITO a velocidade do sistema.

Eu trabalhava em micros de 700mhz com o Puppy e rodava tudo MUITO rápido.

Bom, tendo em vista isso, minha pergunta é se o Mandriva possui recurso semelhante com o objetivo de extender a vida do PenDrive.

Muito Obrigado,

Tiago .'.
Comentário de xultz
Não se pode confundir as: Não se pode confundir as coisas: de um lado, temos a velocidade máxima da porta USB, mas isso não basta. Atrás desta USB temos a memória da pen drive, que tem velocidade de acesso para leitura e outra para escrita. Não tenho os números, mas a leitura é mais lenta que a velocidade da porta, e a escrita mais ainda. Por este motivo ainda é mais rápido manipular dados em HD que pen drive.
Comentário de yamane
Tutorial em português: E para quem não domina o inglês, vale a pena ler esse tutorial:
http://www.guiadohardware.net/tutoriais/instalar-kurumin-pendrive/

Um abraço,
Renato
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