
Esta famosa controvérsia existe desde que eu ouvi falar de sistemas operacionais. A GPL, que é usada pelo Linux e pela maior parte dos softwares GNU, arma ambos os personagens.
GNU/Linux [Richard Stallman sugere que se pronuncie Gnú slash Linux ou Gnú plus Linux] é o termo cunhado pela FSF e seus seguidores para denominar sistemas compostos pelos softwares do projeto GNU e o kernel Linux; estes sistemas são geralmente chamados de 'Linux'. De acordo com a Wikipedia, o principal argumento a favor de 'GNU/Linux' é que o kernel de Linus Torvalds foi apenas uma pequena parte, embora final, de um sistema operacional que estaria completo (exceto por esta parte): o GNU, escrito e montado ao longo de muitos anos com o objetivo explícito de criar um sistema operacional livre e integrado.(...)
Vejamos agora o outro lado da moeda, ou seja, as pessoas que dizem que Linux é um nome mais do que suficiente. Linux é, por uma larga margem, o nome mais difundido, e a maior parte das pessoas simplesmente adota este uso, ao mesmo tempo em que referências à controvérsia dos nomes aparecem com pouca freqüência na mídia de massa. 'Linux' tem o maior impulso histórico por ter sido o nome adotado para o sistema combinado desde 1991, enquanto Stallman só começou a pedir para as pessoas chamarem de GNU/Linux na metade da década, quando o nome 'Linux' já era popular. Linux é mais curto e fácil de pronunciar do que GNU/Linux, principalmente considerando que Richard Stallman sugere que se pronuncie Gnú slash Linux ou Gnú plus Linux.
Em resposta a Stallman, Linus Torvalds declarou: 'Bem, eu acho que é justificado, mas apenas se você de fato fizer uma distribuição GNU do Linux ... da mesma maneira que 'Red Hat Linux' está correto, ou 'SUSE Linux', ou 'Debian Linux', porque se você constrói sua própria distribuição, você pode batizá-la. Mas penso que chamar o Linux em geral de GNU Linux é apenas ridículo.' Veja o texto completo em
OSWeekly.com - The 'GNU/Linux' and 'Linux' Controversy, publicado nesta sexta-feira.
Veja também o
artigo na Wikipedia sobre esta controvérsia, e a
opinião de Richard Stallman sobre o assunto.
Este interessante
editorial de uma edição de 1996 do Linux Journal traz um contraponto histórico, registrado logo após os primeiros contatos de RMS com a publicação, procurando convencê-los a rebatizar sua pioneira publicação como 'GNU/Linux Journal', ou passar o chamar o sistema operacional de 'Lignux' (esta segunda idéia aparentemente logo morreu). Cito alguns trechos do editorial:
O núcleo de sua opinião é que o projeto GNU está trabalhando há 12 anos para fazer algo como o Linux é hoje, que o Linux é baseado no GNU, e que o projeto GNU foi construído com outros softwares livres como o X Window, TeX e os utilitários de rede do BSD. Ele então conclui que estes componentes juntos formam o sistema GNU.
Usando esta mesma lógica poderíamos dizer que combinamos o kernel Linux, o sistema GNU e outros softwares livres para produzir o que é chamado de sistema Linux. De fato, nós dizemos isso.
O que deu errado? Talvez RMS esteja frustrado porque Linus recebeu a glória do que RMS gostaria de ter feito. (...) Linux não é uma ameaça ou rival; é o maior sucesso de RMS.
A opinião do BR-Linux sobre o assunto fecha com uma declaração antiga de Linus Torvalds: “
Esta discussão foi longe demais. Não importa do que as pessoas chamam o Linux, desde que o crédito seja dado a quem é devido (dos dois lados). Pessoalmente, vou continuar chamando de 'Linux'.” Eu também chamo o Linux de Linux, e o GNU de GNU ;-)
Como curiosidade, procurei entre as 20 distribuições mais populares do
DistroWatch para ver se elas chamavam a si próprias de Linux ou de GNU/Linux. Eis o resultado:
Linux: 85% - Ubuntu, SUSE, Fedora Core, Mandriva, Mepis, Damn Small, Knoppix (embora fale em GNU/Linux na sua apresentação), Gentoo, PCLinuxOS, Slackware, VectorLinux, CentOS, Xandros, SLAX, Puppy, Arch, Zenwalk
GNU/Linux: 15% - Debian, Kubuntu, Kanotix.