Trechos da minha coluna desta semana no TechTudo:

Via techtudo.com.br:O WebOS é um sistema operacional (que usa o kernel Linux) duro na queda: nascido como uma tentativa da Palm de lidar com tempos difíceis, foi levado com ela quando ela acabou sendo adquirida pela HP, e ao longo da sua vida comercial esteve presente em produtos como os smartphones Pre, Pixi e Veer, além do malfadado tablet HP TouchPad, lançado em julho a US$ 499 e descontinuado no mês seguinte, quando os estoques foram torrados a US$ 99 cada.

A derrocada do TouchPad não foi culpa do WebOS, ou ao menos não sozinho: os problemas começavam desde o projeto, e o hardware era tão fraco a ponto de os engenheiros da própria HP terem demonstrado que conseguiam rodar o WebOS com o dobro do desempenho se instalassem-no em um tablet da concorrência.


Dodô

Mas a partir do anúncio da descontinuidade do TouchPad, teve início uma sequência de meses de incerteza na HP, que destituiu seu CEO e não sabia mais se continuaria trabalhando com PCs, se daria continuidade ao próprio WebOS, além de outras dúvidas associadas.

E nesta tarde de sexta-feira chuvosa (ao menos aqui), a decisão do futuro do WebOS foi anunciada: a HP até disse que continua pensando em fazer tablets (mas não smartphones) com o sistema no futuro, mas vai entregar o código à comunidade sob uma licença open source (“pure open source project”, nas palavras do anúncio), ou seja, o WebOS está em vias de se tornar mais um sistema operacional em código aberto.

Ou, nas palavras da CEO presentes no comunicado distribuído à imprensa, a HP libera a criatividade da comunidade open source para avançar para uma nova geração de aplicações e dispositivos. E a HP promete continuar envolvida, não apenas buscando atrair a atenção de desenvolvedores comunitários (ao mesmo tempo em que cuida da governança), como ainda colaborando com eles no desenvolvimento.

(…) O fiel desta balança será o hardware, componente essencial para que o WebOS seja uma plataforma, e não apenas um sistema. Como em outros momentos da história em que fabricantes mudam a intensidade do seu suporte a um sistema, no momento resta aos interessados torcer.

Torcer para que HTC, Samsung, Facebook, Amazon, alguma operadora ou qualquer outro interessado opte por usar o WebOS, e não outros sistemas já estabelecidos, como o sistema de uma linha de equipamentos, dando assim aos desenvolvedores um conjunto de usuários potencialmente interessados em rodar seus aplicativos.

Talvez a dúvida persista por algum tempo, até porque – tanto para os desenvolvedores, quanto para os usuários e todos os demais interessados – pode até não haver outro sistema parecido com o WebOS, mas certamente há alternativas a considerar.

O negócio, como sempre, é saber o momento certo de tomar a decisão de abandonar o investimento específico em uma plataforma – ou de insistir nela quando os outros estão desistindo, por tempo suficiente para ver surgir a cavalaria que a salvará ツ