Em uma longa entrevista publicada pelo LinuxFr.org a respeito de grande variedade de temas (e sobre a qual eu escrevi com mais detalhes em um post anterior), Linus Torvalds expôs várias opiniões sobre a GPL, licença livre adotada (em sua versão 2) pelo kernel Linux desde 1991.
Em uma pergunta sobre o aspecto ético da licença, Linus posicionou-se com clareza sobre 2 aspectos igualmente interessantes:
1) que sua opinião pessoal é de que a GPL (versão 2) combina com o que ele quis e quer fazer com o kernel, e acha uma maneira certa (mas não necessariamente a única) de agir: disponibilizar para as pessoas usarem, sob o compromisso de também disponibilizarem as alterações que fizerem.
2) que o item acima é a sua opinião pessoal, e ele sabe que é compartilhada por muitos outros, mas que ele despreza as pessoas que tentam promover a adoção da GPL como uma questão de ética. Ele considera bobagem, e acredita que ética é um posicionamento pessoal: quando alguém a usa como argumento para que outra pessoa faça alguma coisa, não está mais sendo ético, e sim passa a receber um adjetivo que prefiro não reproduzir aqui.
Ele esclareceu mais: ele usa a GPL e acredita que o uso que faz é ético, mas não é a licença que é ética em si. Várias outras pessoas acreditam que as licenças BSD, com suas liberdades adicionais, são escolhas melhores para elas, e outras preferem ainda reservar todos os direitos para o autor do código, sem compartilhá-los – é a escolha delas, e está certa para elas.
Sumarizando em um trecho curto da entrevista: “Tentar empurrar alguma licença como sendo ‘a escolha ética’ me dá raiva. Mesmo.” (via LinuxFr.org)