Este interessante artigo do Electronista apresenta alguns detalhes tornados públicos sobre o testemunho de Joshua Bloch (“Chief Java Architect” no Google) no processo que a Oracle move contra o Google a respeito do Android.

Enquanto não são divulgados outros testemunhos e evidências já apresentados ao juiz, este testemunho recém-publicado mostra que aparentemente há mesmo ao menos um trecho admitidamente retirado do Java e inserido no Android: é uma rotina de ordenação com implementação idêntica (algo que pode ocorrer mesmo sem cópia quando se trata de reimplementação de um algoritmo conhecido) mas que Bloch declarou que é provável que seja baseada em código da Sun ao qual ele teve acesso – e confirmou acreditar que a Sun (proprietária do Java na época do fato) ficaria incomodada se soubesse que seu código foi usado desta forma.

Ele procurou minimizar o fato com base na pequena extensão e importância da rotina em questão, mas a análise apresentada no artigo destaca que a importância deste testemunho não é tanto quanto à confirmação da existência deste código, mas quanto ao processo de sua inclusão: trata-se de um contraponto às alegações do Google quanto à inexistência de infração intencional.

O artigo também levanta outro aspecto curioso: correspondência interna do Google em 2007 demonstra o entendimento interno de que a escolha da Sun por uma licença copyleft para o código do Java tinha entre seus objetivos justamente impedir que alguém pudesse modificá-lo e distribui-lo sem oferecer imediatamente o código-fonte correspondente – ou seja, impedir a exata prática que o Google vem adotando com o Android 3.x, por exemplo.

A infração intencional e o conhecimento prévio de que havia termos de licenciamento cujo cumprimento não era de interesse da empresa podem ser elementos importantes na continuidade do caso, se a análise pelas partes e pelo judiciário também concluir pela sua presença. Será interessante acompanhar os próximos passos. (via electronista.com)