Para quem fica confuso com a classificação como open source frequentemente atribuída ao Android sem maiores observações adicionais, aqui vai uma informação que pode ajudar a consolidar a situação: na quarta-feira o Google solicitou à ITC (comissão de comércio exterior dos EUA) que não permita o testemunho de um especialista apontado pela Microsoft, porque (segundo o Google) a MS teria mostrado a este especialista, sem permissão, o código-fonte do Android.

Segundo o Google, “o código-fonte confidencial impropriamente entregue ao Dr. Stevenson [o especialista em questão] é código altamente proprietário que o Google não compartilha nem mesmo com seus parceiros, tais como a Motorola”.

A referência à Motorola não é casual: a questão toda está relacionada a um processo que a MS move contra ela, relacionada a patentes em seus smartphones rodando o Android, e no âmbito do qual há um acordo de confidencialidade entre as 3 partes (MS, Motorola e Google).

Mas explicar todos os meandros e detalhes de uma declaração realizada no âmbito judicial não é tarefa simples: para os detalhes e análises, recomendo o artigo de 2 páginas que a ComputerWorld publicou, origem do trecho em inglês reproduzido acima.

Quanto ao status do Android como open source, creio que uma boa definição poderia considerar que a plataforma em si, na maneira como é oferecida aos parceiros do Google que a embarcam em smartphones e tablets, tem situações variadas: código “altamente proprietário”, um pouco de código GPL (o kernel e pouca coisa ao redor dele) e bastante código sob outras licenças também livres, embora – dependendo da versão do Android – esta parte do código regida por uma variedade de outras licenças livres possa não ter, na prática, seus fontes disponibilizados aos usuários mesmo assim. Ou seja: é uma plataforma que inclui vários componentes sob licenças proprietárias e livres, e quanto a estes últimos o código-fonte pode ou não estar disponível.