Em 2008 publiquei o anúncio da Nokia sobre a criação da Fundação Symbian, que seria a gestora do código aberto deste veterano sistema operacional de smartphones e que, segundo a Nokia iria “responder com inovação à estreia do Android”.

Um ano e meio depois, em fevereiro de 2010, o tal código do Symbian foi finalmente aberto, com previsão de lançamento de aparelhos com a nova versão apenas para 2011. Na ocasião questionei: “Até lá veremos que avanços estarão presentes e, especialmente, como será a adesão entre os fabricantes e desenvolvedores extra-Nokia. Como será a capacidade de adesão da nova alternativa, considerando a tração já alcançada pelas demais alternativas (open source ou não) competindo pela atenção dos mesmos desenvolvedores e fabricantes?”

Os fabricantes logo responderam: Samsung e Motorola anunciaram que deixariam de usar o sistema. O entusiasmo dos desenvolvedores de aplicativos também não se aproximou dos níveis demonstrados ao IPhone e Android, e agora a Nokia se vê com poucas alternativas, e optou por retomar da sua fundação o controle do desenvolvimento deste sistema que outros fabricantes aparentemente não desejam mais, que a comunidade de código aberto aparentemente cansou de esperar, e que acabou sobrando na sua mão.

Este artigo do TechCrunch apresenta com riqueza de detalhes quantas condições favoráveis o Symbian já teve nas mãos e não aproveitou, e o impasse que encontrou quando outros fabricantes redefiniram o que os usuários esperam de um smartphone – deixou de ser um fone + PDA (como na era áurea do Symbian) e passou a ser um fone + internet e aplicativos variados. E o histórico, aliado às características do desenvolvimento para o Symbian, parecem estar impedindo que o tamanho da base instalada existente convença os desenvolvedores de aplicativos a oferecer seu apoio. Será que o Qt mudará este quadro?

Trecho do Zumo:

E a Symbian Foundation mó-rreu. Depois da Samsung e Sony Ericsson pularem fora do barco da fundação, assim como seu CEO Lee Williams, hoje foi feito o anúncio definitivo: “a Nokia se compromete a transformar a plataforma Symbian disponível sob um modelo alternativo aberto”.

Em resumo, todo o desenvolvimento do Symbian vai passar para as mãos da Nokia (que já expressou seu profundo interesse em que os desenvolvedores usem o Qt para Symbian e MeeGo) e a fundação vai se tornar “responsável por licenciar software e outras propriedades intelectuais, como a marca registrada Symbian”.

(…) Enquanto o MeeGo não vem (e temo que, quando vier, possa ser tarde demais), espero que os novos “donos” do Symbian na Nokia consigam deixar o sistema um tanto mais fácil e simples de usar. Estou brincando com um N8 há uma semana e, bem, dá pra confirmar o que os reviews lá fora disseram do aparelho: hardware lindo, software nem tanto (…) (via zumo.uol.com.br)