A aquisição da Sun pela Oracle levou a uma vítima inesperada: os esforços de acessibilidade no GNOME. Como são relativamente raras as empresas que investem na área, é hora de agradecer por todo o tempo em que a Sun o fez, e torcer para que alguma outra organização (privada ou não) tenha interesse e condições de tocar o barco do qual a Oracle aparentemente já desembarcou.
Como bem lembrou a nota no OSTATIC, o acontecimento de agora demonstra claramente uma situação que já era grave (para a acessibilidade em código aberto) desde antes: tão poucos recursos são investidos nisso, que bastam poucas demissões de desenvolvedores para comprometer os planos e deixar o projeto sem nenhum desenvolvedor em tempo integral.
A situação do previamente já pequeno grupo de acessibilidade da Sun é simples de resumir: acabam de ser dispensados pela Oracle mais 2 de seus membros, incluindo Willie Walker, líder do desenvolvimento da popular (nesse âmbito) tecnologia assistiva Orca e também do grupo de acessibilidade do GNOME.
O próprio Walker já declarou que vai tentar continuar trabalhando no GNOME 2.30 como voluntário, mas ele está em busca d eum novo emprego, e não necessariamente será possível continuar contribuindo. Ele também nota que os planos atuais para a acessibilidade no GNOME 3.0 são ambiciosos, e ou o projeto busca os recursos necessários para desenvolvê-los, ou é melhor já ir revendo as metas.
A decisão da Oracle, embora com potenciais consequências sérias para quem depende deste tipo de solução, é ao mesmo tempo um símbolo do risco de quando uma iniciativa tem alto grau de dependência em relação a uma única fonte voluntária de recursos, especialmente quando esta fonte não tem ganho estratégico direto com este patrocínio – se o mercado dessa fonte muda, ou se ela é extinta ou vendida (como foi o caso), a chance de a fonte de recursos secar de uma hora para outra é muito grande. (via h-online.com)