Na minha opinião, quem conta com os outros para “manter vivo” o desenvolvimento de algum software do qual pretende fazer uso está sempre se arriscando a descobrir que viveu uma ilusão – seja aberto ou proprietário, desde o mais humilde controle de videolocadora até o mais avançado sistema de biomedicina.

Dificilmente o cliente, usuário ou aqueles que se descrevem como “integrantes da comunidade” de um software qualquer têm controle sobre esta continuidade se o desenvolvimento ocorrer pelas mãos alheias, a não ser que se encarreguem eles mesmos de garanti-la – e nem sempre os meios para isto estão disponíveis.

No caso do OOo, ao menos sabemos que haveria outros interessados em dar continuidade ao código aberto do projeto, se a Oracle resolvesse parar (e se não colocasse em jogo questões de patentes). Mas no momento a nota do IDG é mais especulativa do que fática quanto a esta possibilidade, felizmente.

Trecho final da nota do IDG Now, enviado por Mateus Barsotti (mateusbarsottiΘgmail·com):

“Para o OpenOffice, no entanto, não há tanta perspectiva, apesar de sua popularidade. Em 2005, o software ultrapassou a marca de 40 milhões de downloads e, hoje em dia, estima-se que a suíte de produtividade detenha 10% do mercado.

Por ser open source, não tendo de ser adquirido, é difícil provar o índice de uso do OpenOffice. Todavia, o programa está presente nas mais populares distribuições de Linux, inclusive o Ubuntu, e é claramente a alternativa mais famosa ao Office da Microsoft.

Mas o que isso significa para os clientes corporativos que usam o OpenOffice? Terão eles que procurar outra opção?

Seria uma decisão prematura. Embora eu acredite que a Oracle irá priorizar a tecnologia do StarOffice, que pode lhe garantir maior renda, em detrimento desenvolvimento do OpenOffice, isso não quer dizer que o software desaparecerá.

Um dos melhores aspectos no mundo livre do open source é que onde existe uma comunidade de desenvolvedores e usuários dispostos a manter viva uma tecnologia, isso será feito – e você pode apostar que muitos estão trabalhando neste momento.

No caso do OpenOffice, o código continua aberto para quem desejar baixá-lo, dando nova vida ao programa. Algo em torno de 450 mil pessoas já contribuíram com a suíte, portanto, são muitos os usuários com capacidade e vontade para manter sua evolução e manutenção.

A Oracle pode ter decidido que o lucro é tudo, mas os milhões de usuários de softwares de código aberto não dependem de sua boa vontade. O OpenOffice é, simplesmente, muito grande e popular para morrer; é chegado a hora de declarar sua independência.

A pergunta que fica, claro, é se a Oracle aproveitará esse movimento para iniciar mais uma vingança contra a comunidade open source, usando suas patentes como armas.” [referência: idgnow.uol.com.br]