Não é notícia repetida: aconteceu de novo, e dessa vez as informações vieram mais detalhadas, inclusive dando ao IDG Now oportunidade de publicar uma descrição de como o BGP funciona, e como foi abusado desta vez.

Se foi de propósito ou não, talvez demoremos a saber. Há quem acredite em coincidências, afinal de contas.
Segue trecho da nota no IDG Now:
Pela segunda vez em duas semanas, problemas de configurações em servidores da China comprometem a estrutura da Internet. Nesta quinta (8/4), dados de roteamento de um pequena provedor de internet chinês, o IDC China Telecommunication foram retransmitidos pela estatal China Telecommunications e disseminados pela Internet, afetando provedores de telecomunicações como AT&T, Level3, Deustche Telecom, Qwest e Telefonica .
“Há um grande número de provedores de acesso à Internet em todo o mundo que aceitou essas configurações incorretas”, destaca o diretor técnico da empresa de monitoramento da Internet Renesys, Martin A. Brown.
(…) Entre essas redes estão cerca de 8 mil operações norte-americanas, incluindo os sites da Dell, CNN, Starbucks e Apple. Mais de 8,5 mil redes na China, 1,1 mil na Austrália e 230 da France Telecom também foram afetadas.
Essas informações de direcionamento incorretas podem ter simplesmente feito com que todo o tráfego da Internet dessas redes não atingisse seu destino ou mesmo que os usuários fossem redirecionados para computadores com arquivos nocivos na China.
Embora o fato pareça ter sido um acidente, ele mostra a fragilidade do Border Gateway Protocol (BGP), um protocolo crítico e questionado usado para “agrupar” a Internet.
Os dados do BGP são usados para direcionar o tráfego da Internet. Basicamente, os pequenos provedores de Internet “apresentam” o tráfego de BGP para as redes que eles controlam. Essa informação é agrupada e então compartilhada com grandes provedores.
Nesse ponto aconteceram os problemas de ontem. Por alguma razão, o provedor chinês compartilhou suas rotas com dezenas de milhares de redes (cerca de 10% da Internet). Normalmente, o IDC China Telecommunication envia esses dados para 30.
A informação incorreta foi aceita pela China Telecommunications (um grande provedor), que compartilhou os dados com outras grandes empresas de Internet. Em minutos, o dado corrompido se espalhou pelo mundo. (via idgnow.uol.com.br)