“Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem rabiscar novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em pilhas de partituras. A única diferença para os tempos de criança é o papel. Na Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em rios, árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o “Beethoven do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta para rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí.”

E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.

A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições. Um jargão famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um faz música com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as músicas dele são livres por natureza –, temos uma espécie de música de “código aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário de tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.”

Enviado por Jose Pissin (pizza) (jpissinΘgmail·com) – referência (link.estadao.com.br).