“A vida real – com impostos, seguros e logística de transporte, o preço real dos laptops educacionais no Brasil chega a pelo menos 350 dólares. Tal valor torna inviável o projeto educacional idealizado por Negroponte. Dos 350 dólares, 27,2 dólares se referem a impostos, e 32,48 dólares à exigência de garantia de 3 anos.” Esta frase, em destaque na matéria, resume para mim o posicionamento da Veja sobre a situação atual do processo de compra dos laptops educacionais pelo MEC. A opinião sobre a inviabilidade (a este preço) é atribuída a uma pesquisadora da USP, entusiasta do OLPC e participante dos testes do laptop no Brasil.

Mas a matéria não fala apenas sobre a compra no Brasil. Ela inclui uma menção à origem do projeto do OLPC, quando adotava ainda o lema “laptop de 100 dólares”, aos custos atuais (US$ 188 na porta da fábrica), e a alguns obstáculos que o projeto enfrentou: a inexistência da demanda nos volumes esperados pelos proponentes do projeto (em 2005, divulgou-se que seria de 5 a 10 milhões de laptops XO no início de 207 – até o momento já foram vendidos ou comprometidos 500.000), a divisão de mercado com projetos concorrentes, e o posicionamento de alguns governos, como o da Nigéria, que questionam a vantagem de se adotar laptops, quando as crianças não têm onde sentar para estudar. A esta última objeção, Nicholas Negroponte responde que a precariedade só acentua a necessidade do uso dos laptops.

São obstáculos que o OLPC reconhece que não são pequenos, mas espera superar: em uma resposta à revista, o consórcio afirmou que não considera seu projeto ameaçado.

Sobre o processo de aquisição pelo MEC, e o pregão vencido pelo Positivo com o laptop Classmate, da Intel, a Veja também divulgou a informação de que os técnicos do governo se assustaram com o preço (o vencedor do pregão cobrou US$ 350 unitários), explicado em parte pelos impostos, e em uma parte maior pelas exigências extras do MEC, como a forma do suporte técnico e a garantia de 3 anos, prestados no local.

Ainda segundo a Veja, mesmo sem os custos adicionais, os notebooks não seriam vendidos no Brasil por menos de US$ 240. Torço para que consigam avançar, e que a educação do Brasil se beneficie de todo este esforço.

Saiba mais (veja.com.br).