O cenário, bastante familiar aos usuários de software proprietário, de um conjunto de termos de licença sendo exibido na primeira vez que um aplicativo é executado pode estar próximo dos usuários do Firefox.

Ocorre que a partir da versão 3 do navegador, a Mozilla Corp. exige que as distribuições que incluam pacotes com versões alteradas, ou especialmente compiladas, do Firefox configurem-no de forma a exibir sua EULA (“End User License Agreement”) na primeira execução do aplicativo, se quiserem usar a marca registrada ‘Firefox’.


“Exiba a EULA, senão…”

O problema já se manifestou de forma bastante concreta para o Ubuntu, que incluirá esta versão na distribuição que será lançada em outubro (Intrepid Ibex). A solução iniciada pelo Debian (distribuir o código aberto do Firefox com outro nome – no caso, IceWeasel) já está sendo considerada, e Mark Shuttleworth mencionou a adição de um metapacote denominado “abrowser” (“umnavegador”), incluindo o código completo, mas sem referências ao nome do Firefox, nos termos da licença.

Pessoalmente, não me importo de clicar em EULAs, especialmente as em outros idiomas, e provavelmente não me daria ao trabalho de instalar o abrowser, no caso de o Firefox (com EULA) ser o default da distribuição que eu usar. E nem questiono o direito de um proprietário de marcas registradas usá-las da forma que desejar, e exigir o que achar correto da parte de quem quiser usá-las ou distribui-las.

Mas acho que a medida antipática da Mozilla Corp. vem em má hora, e mesmo que o conjunto de usuários que ela irá alienar não lhe faça falta, é provável que eu vá ser um deles – pela antipatia, e não pelo exercício do seu direito. Ainda assim, o processo de auto-crítica interno na Mozilla já começou, e talvez dê algum resultado positivo a tempo, embora no primeiro momento não tenha me parecido muito promissor.

Saiba mais (tech.slashdot.org). Agradecimentos ao leitor Carlos Texeira pelo link.