“Li no BR-Linux um colega que reclamou da auto-propaganda que a Intel fez em uma de suas palestras. Me senti à vontade para comentar sobre erros que ocorreram durante o FISL 2008. Essa mesma carta foi encaminhada a Paulo Meirelles, um dos coordenadores do FISL 2008 e à Associação Softwarelivre.org. é “um breve desabafo de um participante [e palestrante] frustrado com um evento que tinha em grande consideração. É com muito pesar que afirmo: se a organização do FISL não tomar medidas drásticas e enérgicas na organização e gestão do evento, caminhamos para assistir o FISL ser transformado em uma Fenasoft do Software Livre.”

A íntegra está no link abaixo. Segue conjunto de trechos:

“Logo no primeiro dia, me deparo com uma imensa fila para credenciamento dos participantes Eram cerca de 6 atendentes para credenciar todos os participantes. O pior: dividiram, linearmente, as incrições dos participantes pelas letras iniciais de seus nomes. É claro que os inúmeros João(s) e Maria(s) ficaram horas na fila enquanto as poucas Zuleica(s) não. Palestrantes tinham uma fila a parte, mas com apenas uma atendente e grande tempo de espera. Percebendo a enorme confusão, a organização decidiu, literalmente aos berros, que não exigiria a credencial para participação no evento. Isso ajudou a esvaziar as filas. Caminhando um pouco pelo espaço do evento noto que, a poucos metros das cabines de credenciamento, em um piso inferior de rápido acesso por escadas rolantes, havia um balcão praticamente vazio, com mais do que o dobro de comprimento e de atendentes, para registrar inscrições de última hora. Essa foi a gota d’água. Ou seja, quem colabora com o evento, pagando antecipadamente, é penalizado com filas quilométricas. Quem vai de ultima hora (paga mais caro, é verdade), quase não pega fila! Que lógica absurda é essa??”

“Como havia levado meu laptop, não estava preocupado em disputar lugar nos pontos de acesso. Resolvi tentar acessar via wireless, uma vez que havia essa modalidade de acesso. Entretanto, para minha decepção, a rede estava completamente congestionada. Era absolutamente impossível conectar-se a uma antena. E mesmo que conseguisse, navegar era sofrível. Essa, aliás, considero uma falta gravíssima da organização do evento. Como é que, num evento de computação, com mais de 7.000 pessoas, não é possível acessar decentemente a Internet? A organização não esperava um volume tão grande de notebooks (faça-me rir)?? Era óbvio que o wireless e os pontos de acesso seriam insuficientes.”

“Ao iniciar, o palestrante apresentou-se como funcionário do UOL (sem nenhum problema, apesar do UOL ter sido um grande patrocinador do evento) e que iria falar sobre meios de pagamento pela Internet (título de sua palestra). Nem bem 5 minutos se passaram e sua apresentação descambou, descaradamente, para uma propaganda do Pagseguro, um Paypal nacionalizado pelo UOL. Não agüentei nem 15 minutos e me retirei. Se eu tivesse interesse em conhecer um produto do UOL, me dirigiria ao stand deles e conversaria com alguém. Não preciso de uma palestra para isso. Houveram outras palestras com essa característica: títulos que levam o público a acreditar que se trataria de uma palestra técnica quando, na verdade, era a venda de produtos de patrocinadores do evento.”

“Não tenho absolutamente nada contra que empresas participem do evento. Elas são necessárias pois, sem seu apoio, o evento seria economicamente inviável. Para isso existem os stands. Considero, no entanto, uma tremenda falta de respeito ocupar espaço de palestras para vendas de produtos de patrocinadores. Falta de respeito, inicialmente, com o público, que está lá para assistir palestras com conteúdo técnico. Em segundo lugar, falta de respeito com os proponentes que foram preteridos. Afinal, neste caso específico, o UOL “roubou” uma vaga de um potencial palestrante com conteúdo técnico.”

Enviado por Rogério Acquadro – referência (pc2consultoria.com).