Arquivos históricos do BR-Linux.org apresenta:

Será que o Linux decola no governo?

Essa é para opinar. Alexandre Figueiredo (afigueiredo@o2.net.br) avisa: Gostaria que fosse aberto um tópico de discussão aqui. O assunto seria o uso do Linux no Governo Federal e o Desenvolvimento Social. Será que o .Gov está com medo da falta de suporte, segundo o meu entendimento do comentário do Pedro Doria do nominimo? Será que é apenas politicagem? Todos esses casos nacionais não mostram o potencial para o país? O uso de uma plataforma aberta não traria um desenvolvimento intelectual e até mesmo financeiro? Gostaria de saber o que vocês acham disso. Saber o que a comunidade tem a dizer sobre esse assunto. Sem partidarismo ou religião tecnologica, apenas um exercício filosófico. Digo isso para não sairmos xingando a Microsoft e nem dizer que a Red Hat é melhor que o Conectiva ou que o Slackware é mil vezes superior ao Gentoo. Sem mais, metralhem essas idéas. Mostrem o mínimo de visão de negócio. Provemos que a comunidade aguarda ansiosamente uma medida.

Postado por brain em 19 de dezembro de 2002, 01:36 PM

Comentários

Por que não criamos um mutirão então, um 'fórum de suporte gratuito' especialmente para o governo, de pessoas com algum conhecimento em GNU/Linux e software livre que queiram ajudar? Acho que um 'abaixo-assinado de especialistas dispostos a ajudar' seria mais efetivo que aquele para obrigar o governo a usar software livre.

Se alguém resolver fazer, estou dentro.

Postado por: Patola (Cláudio Sampaio) em dezembro 19, 2002 01:57 PM

Dessa vez estou com o patola.Creio que é hora de entrarmos com tudo e mostrar que é possivel SIM.
Um projeto organizado e hospedado num portal conhecido e respeitado pela comunidade.O importante sera levar esta ideia para o conhecimento dos deputados,vamos aproveitar agora que eles estão felizes após aprovar um projeto de lei que aumenta seus salários de 8 para 12 mil e 700 reais,podendo chegar ate 17 mil.

Postado por: Juliano Dapper em dezembro 19, 2002 02:13 PM


Porque o governo esta acostumado a pagar pelos servicos que recebe; e isso ao meu ver nao e' necessariamente ruin. O governo deve ser cauteloso com o uso dos recursos publicos. Isso e' fato. E e' motivo o bastante para adotar sistemas Open Source.

Agora servicos de suporte ao governo devem envolver expectativas e garantias implicitas na responsabilidade de quem presta o suporte, e isso fica sem sentido se esse suporte for por meio de um 'forum de suporte gratuito p/ o governo';

Fundamentalmente porque os bons profissionais de Open Source tem empregos que concorrem diretamente com a boa vontade deles de ajudar. E outra, o governo vai querer ter alguem com quem contar indiferentemente de quando e sobre o que. E apenas pagando, tem-se o direito de cobrar.

Entao sejamos praticos. Deve envolver contratos, definicoes de responsabilidade, abrangencia e etc. E o governo nao pode fazer contrato com comunidades, e sim com empresas ou entidades que representem a comunidade.

Entao vou expandir a sua ideia, patola, e propor de repente que ao invez de um mero 'forum gratuito pro governo' a comunidade Open Source se unisse em prol de uma cooperativa, burocraticamente legal, e capaz de assumir compromissos legais.

Enfim, nao passa de ideia.

Postado por: none em dezembro 19, 2002 02:24 PM

Todos essas idéias devem ser realmente fudamentadas. Uma coperativa, que assuma compromissos ou até mesmo entidades como SERPRO, Prodasen ou Prodesp que sirvam como base de suporte seriam muito importantes.

Estas já fornecem serviço de infra-estrutura de rede para outras áreas do governo, pq não fornecer suporte de software.

Se começar a ter demanda por softwares contábeis, de engenharia (CAD), entre outros, diferentes do que já temos na área de produtividade, estaremos contribuindo para uma base mais sólida.

Até onde eu soube, no Rio Grande do Sul, as empresas se adaptaram e começaram a fornecer suporte ao Linux.

Temos muita gente boa por aí. Mas a maioria são entusiastas, sonhadores, temos que evoluir para nos tornarmos lideres. Como? Ruminando a idéia. Explico melhor. Quando vemos um lançamento, devemos pensar: O que isso faz realmente? Eu preciso disso? Eu não, mas tenho um amigo que estava procurando por isso...

Entendendo melhor... Temos o ADSL. Para que ele serve? Internet rápida. Só? Ele me permite também acesso 24x7 (geralmente :o) ) e mais barato que linha privada. Hummm. Linux + ADSL + Empresa distribuida = VPN.

Entendem onde eu quero chegar?

Postado por: Alexandre Figueiredo em dezembro 19, 2002 02:58 PM

Isso que é preocupante...
...
"O raciocínio é o seguinte: o argumento filosófico do software livre é que todo mundo pode copiá-lo e quem programa ganha dinheiro vendendo serviço, suporte e construindo adendos por encomenda. Se o governo investe pesado em software livre, as empresas vão segui-lo de olho na carteira de encomendas. Mas o modelo econômico nunca foi testado em larga escala – incentivar empresas com o peso do governo para depois descobrir que elas não se agüentam por si é arriscado. Não que o modelo de software comercial se sustente com as ondas de pirataria, essa já é outra discussão. Simplesmente não há consenso. "
...
Fonte: Coluna do Pedro Doria do nominimo

Postado por: Alexandre Figueiredo em dezembro 19, 2002 03:08 PM

Primeiro quero parabenizar o Linux in Brazil e a comunidade, os quais venho acompanhando há alguns meses apesar de não ter feito nenhuma contribuição AINDA.

Só pra situar... apesar dos meus aninhos de Internet e já há algum tempo ter contato com conceitos, filosofias e acompanhar a FSF e projetos similares (mesmo com alguns períodos sem Internet e sem contato com o movimento), meu contato REAL com o Linux e inicio de participação do movimento do software livre remete há 2 anos atrás e ainda não se dá em nível tecnicamente tão aprofundado quanto a maioria dos senhores.

Quanto à discussão:

Ponto 1.
Acho que primeiro deve-se situar a contexto da discussão.

A questão é o GNU/Linux ( notemos o GNU) ou o software live?

Ponto 2.
Concordo com a posição de que "apenas" forncecer "ajuda gratuita" ao governo não seria de tanto valor. Acho que nesse quesito já temos uma comunidade bastante ativa e que faz isso ente si, ter um "serviço" para um "cliente" específico seria um tanto discriminatório mesmo que consideremos os objetivos.

Ponto 3.
A discussão deve ter uma boa base de fundamentos filosóficos e políticos e nesse ínterim um processo de aculturação da comunidade dita "normal", na qual encaixam-se os governantes, é FUNDAMENTAL.

Daí entram orgãos e trabalhos como os do CIPSGA e o que o cesar Brod vem fazendo pela OneWorld.

Dentro disso chamar o GNU/Linux de Linux é um ponto negativo. Da mesma forma que argumentar que "ser de graça" é a maior vantagem do software livre.

Quão livres queremos ser e quanta liberdade queremos dar aos outros é a maior dúvida nesse ponto.

P.S.:
Estou desenvolvendo um projeto de pesquisa entitulado "Desenvolvimento, Uso e Promoção de Software Livre - Perspectivas e Implicações Politicas, Econômicas e Sociais".

Interessados em auxiliar participando de pesquisas, coleta de informações e etc podem me contactar.

Postado por: PH em dezembro 19, 2002 03:14 PM

Concordo plenamente com a idéia de que trabalho de graça não funciona.
Principalmente em relação ao governo.
Oras, devemos nós favores ao governo? Já pagamos tantos impostos.
Agora, IMHO, o governo não faz mais do que a obrigação em gastar MENOS com seu povo do que gastar MAIS com o homem mais rico do mundo.
[]'s

Postado por: Eri Ramos Bastos em dezembro 19, 2002 03:14 PM

Aqui no Paraná, temos certeza que a iniciativa OpenSource terá total apoio do novo governo, e os órgãos do próprio governo estarão envolvidos com o software livre. Na verdade, os primeiros projetos de inclusão social já devem ter início em meados de janeiro, e a estrutura de desenvolvimento do estado será adaptada para aproveitar e contribuir com o desenvolvimento Open Source.

Temos encontrado resistência por parte de muitos setores de TI, que não querem mexer no seu legado, porque mudar é muito complicado, caro, e, além de tudo, cometeram diversos erros de administração, comprometidos com seus fornecedores e suas soluções que dificultam a escolha de qualquer nova ferramenta.

A comunidade terá papel fundamental neste novo modelo de software, seja no desenvolvimento, seja no suporte.

No último encontro de software livre realizado aqui em Curitiba, o pessoal da Procergs finalizou o debate com a mais pura verdade: todos os órgãos governamentais estão preocupados com o software livre, e não enxergam como eles podem ter receita com esse modelo de negócios. A verdade é que nos últimos 30 anos, ninguém conseguiu vender software algum para alguém que não fosse o próprio governo.
Investir no software livre não é só uma questão de redução de custos. Estamos falando também de segurança, oportunidade, patriotismo, busca de novas soluções e, acima de tudo, que podemos achar as nossas soluções para os nossos problemas, sem que alguém insista em dizer que sabe quais são os nossos problemas e tente resolvê-los lá no exterior.

Quando se fala em administração pública, temos ainda que considerar que qualquer gasto deve obedecer ao princípio da máxima vantagem social. Desta forma, se a mesma coisa pode ser feita com custo menor, é obrigação do órgão público adotá-la, mesmo que isso signifique mudar seu legado ou o seu modus operandi.

É nossa função, como admiradores do software livre, garantir que o governo tome conhecimento do que é possível fazer usando software livre, e propiciar o atendimento rápido que nenhuma empresa do mundo consegue dar quando se trata de solução de problemas. E nisso, a comunidade já provou que é imbatível.

Postado por: Sergio Salgueiro em dezembro 19, 2002 03:30 PM

Bom. Eu trabalho no governo, e na área onde trabalho, o uso do Linux é intenso, não é de hoje.

O que ocorre é que ele ainda não é *extensivo*.

Aqui ninguém nunca teve medo de falta de suporte não. Mas também não lembro de algum dia, nas licitações para aquisição de software, ter aparecido alguma proposta relacionada a softwares livres; os que temos foram projetos "in-house" que cresceram.

Postado por: Augusto Campos em dezembro 19, 2002 03:35 PM

A idéia da cooperativa é boa mas pouco funcional, se levarmos em conta que os frequentadores aqui do LIB são de todo o Brasil, e às vezes até d'além mar (Portugal).
Uma dúvida que gostaria de compartilhar é: o governo deve desenvolver sua distro? Sim, porque se o governo adotar de fato a filosofia do GNU/LINUX, as várias esferas governamentais (Executivo, Legislativo, Judiciário, Estatais) poderão uma adotar uma distro ou partir para criar a sua.
Claro que estou pensando lá na frente, quando o uso preferencial pelo Software Livre estiver regulamentado.

Postado por: João Melo em dezembro 19, 2002 03:46 PM

Absolutamente nao. Nao podemos estar tratando o assunto como sinonimo de GNU/Linux. Estamos falando de software Open Source, e nao de Linux, nem de Stallman ou FSF. Nao convem discutir a plataforma operacional apenas. A questao e' a liberdade que o software livre porporciona.

Ja existem varios orgaos do governo, especialmente em brasilia que, - por exemplo -, utilizam freebsd e openbsd em seus servidores. Entao da pra falarmos que opensource = linux; mesmo porque isso envolveria discussoes acerca da licenca GPL e BSD, e o nosso objetivo nao deve ser expandir as filosofias (ainda que utopicas ou completamente viaveis) do Stallman. O governo nao vai querer assumir filosofias - ao menos nao inicialmente - vai querer artificios concretos.

Entao vamos assumir Open Source como tal! Diferente de GNU/Linux, diferente de GPL, mas sim uma alternativa à limitações restritas pela propriedade de software que inclui vertentes mil, incluindo varios sistemas operacionais (onde linux eh apenas um deles), varias aplicacoes (onde GNU eh grande parte delas, mas nao eh a maioria absoluta) varias bibliotecas e mesmo licensas.

Nao brigar por GNU/Linux nem pela GPL, e sim pelo Open Source. A nao ser que realmente queiramos "outro monopolio", o GPL, dos quais, apenas para ilustrar, o Apache, o XFree o FreeBSD e tantos outros softwares incriveis nao fazem parte.

Vamos expandir nossos conceitos e nao darmos uma de fanaticos, porque agora com a flexibilidade que o governo Lula vai proporcionar ao Open Source, a coisa fica mais seria, e os Bill Gates da vida vao querer (como ja ficou claro) provar que software proprietario eh mais vantajoso aos governos do que open source.
Entao e' bom entedermos e definirmos pelo que estamos brigando, e pelo que acreditamos que o governo deve optar.

Postado por: none em dezembro 19, 2002 04:04 PM

Absolutamente nao. Nao podemos estar tratando o assunto como sinonimo de GNU/Linux. Estamos falando de software Open Source, e nao de Linux, nem de Stallman ou FSF. Nao convem discutir a plataforma operacional apenas. A questao e' a liberdade que o software livre porporciona.

Ja existem varios orgaos do governo, especialmente em brasilia que, - por exemplo -, utilizam freebsd e openbsd em seus servidores. Entao da pra falarmos que opensource = linux; mesmo porque isso envolveria discussoes acerca da licenca GPL e BSD, e o nosso objetivo nao deve ser expandir as filosofias (ainda que utopicas ou completamente viaveis) do Stallman. O governo nao vai querer assumir filosofias - ao menos nao inicialmente - vai querer artificios concretos.

Entao vamos assumir Open Source como tal! Diferente de GNU/Linux, diferente de GPL, mas sim uma alternativa à limitações restritas pela propriedade de software que inclui vertentes mil, incluindo varios sistemas operacionais (onde linux eh apenas um deles), varias aplicacoes (onde GNU eh grande parte delas, mas nao eh a maioria absoluta) varias bibliotecas e mesmo licensas.

Nao brigar por GNU/Linux nem pela GPL, e sim pelo Open Source. A nao ser que realmente queiramos "outro monopolio", o GPL, dos quais, apenas para ilustrar, o Apache, o XFree o FreeBSD e tantos outros softwares incriveis nao fazem parte.

Vamos expandir nossos conceitos e nao darmos uma de fanaticos, porque agora com a flexibilidade que o governo Lula vai proporcionar ao Open Source, a coisa fica mais seria, e os Bill Gates da vida vao querer (como ja ficou claro) provar que software proprietario eh mais vantajoso aos governos do que open source.
Entao e' bom entedermos e definirmos pelo que estamos brigando, e pelo que acreditamos que o governo deve optar.

Postado por: none em dezembro 19, 2002 04:08 PM

tsc tsc, nao era pra ter sido duplicado. sorry.

Postado por: none em dezembro 19, 2002 04:17 PM

O Augusto Campos tocou num tópico importante.
Quanto a licitações sobre software livre, isso acho que nunca ocorreria. Mas, o desenvolvimento in-house seria muito importante.
Digamos que alguem precise de um Gerenciado de Conteúdo um pouco mais profissional. Ninguém apareceria com um PHP-Nuke por lá. Mas, se alguma empresa usá-lo como base ou até mesmo apresentar o Página-1 que é baseado em Zope, é bem capaz.
Uma coisa que o Doria resalta em seu artigo é que nem o Governo sabe o que quer. O Linux poderia ajudar em diversos pontos, ter suporte in-house, aprimorar o uso do software corporativo, entre outras, mas as áreas tem que saber o que quer. E mais uma coisa, não basta dizer que: O IIS tem um funcionalidade assim ou assado e nem usá-la, pedir apenas que se compre.
O uso da TI é apenas para o suporte ao negócio. Lembrem-se: Informática é área meio.
A metodologia para contratar uma consultoria de uma empresa que forneça soluções baseadas em Open Source seria a mesma da atual. Em vez de chamar uma empresa que fornece soluções M$ para implantar um Active Directory, chamar uma que fornce soluções Open Source para mostrar, configurar e documentar a implantação de um DNS/LDAP. As ferramentas estão disponíveis, mas cada um configura de uma forma. Basta escolher a melhor.
Nada impede, também, que a IBM forneça o WebSphere, ou que a Sun forneça o iPlanet, ou que outras empresas forneçam soluções que rodem em Linux.
Substituir uma plataforma operacional de uma empresa depende de planejamento. Pois todos os sistemas de suporte ao negócio podem sofrer uma adaptação. Seja ela simples, com a remodelagem de um sistema de RH de Clipper/DBF para PHP/MySQL. Ou complexa como a adaptação de um sistema qualquer para Kylix.

Postado por: Alexandre Figueiredo em dezembro 19, 2002 04:38 PM

Tá bom, a minha idéia foi boboca e sem pé no chão. É verdade. Mas é que sinto que tem muita gente disposta a colaborar com software livre no governo -- e dado o fato de que este é um organismo público e tem condições de entrar em simbiose com a comunidade, imaginei que poderia haver um jeito de canalizar esta energia de voluntários para isso.

A idéia da cooperativa é boa, mas um pouco extrema. Não estou nem um pouco disposto a sair de meu emprego atual e, como foi dito, existem outros problemas, como distribuição geográfica.

Eu acho que temos uma equação com certas variáveis aqui e alguma combinação delas deve render um belo fruto. Ninguém ainda descobriu qual é por enquanto, pelo que parece.

Na verdade, se tivermos alguma iniciativa, acho que ela terá que ser liderada por alguém de grande expressão política. Não é trabalho fácil...

Mas, por favor, dêem sugestões à revelia... precisamos fazer uma 'tempestade cerebral' pra ver no que vai dar isso. Aí quem sabe não surja algo?

Um fato importante a lembrar é que certos órgãos públicos já estão fazendo um acordo para obter uma padronização de seus GNU/Linuxes, como foi noticiado aqui. Será que seria isso que faria nascer a 'distribuição do governo', como disseram? =)

Postado por: Patola (Cláudio Sampaio) em dezembro 19, 2002 06:39 PM

É interessante a questão do Patola. A adoção do GNU/Linux pelo Governo faria nascer a 'distribuição do governo'? A exemplo do LinEx, o Sistema Operativo de Extremadura. (www.linex.org). Talves o esforço para criar sua distribuição (ou padronizar o que usar) seja a forma de o Governo retribuir o esfoço da comunidade.

Postado por: Luck em dezembro 19, 2002 07:07 PM

Acredito que a primeira coisa é estabelecer uma certa ordem. Vários pontos em nossas conversas só são esclarecidos quando se quebra o pau. Ninguém se conhece, ninguém sabe em que o outro pode colaborar, qual o raio de influência de cada um, e por aí vai. Se me solicitassem um cadastro (sério)eu preencheria na boa dizendo em que, ou com que posso ajudar.
É tudo uma questão de organizar objetivos (o objetivo sempre segue o pressuposto filosófico que norteia a nossa vida, portanto não deve ser tão difícil) e mensurá-los. Com uma linha a seguir, e com critérios para avaliar a caminhada, não acho que um grupo, ainda que disperso geograficamente, não possa conquistar alguma coisa.
Considero o pontapé inicial dado pelo Patola muito interessante (muita gente se manifestou), não vejo porque descartar as idéias dadas agora, de imediato; elas podem ter variantes interessantes. Mas primeiro as pessoas tem que se conhecer. Depois enumerar o que cada um propôe.

até mais
paulo s

Postado por: paulo s em dezembro 19, 2002 07:59 PM

Bom, já que a idéia é fazer um brainstorm, que tal destinar parte do FUST, ou de qualquer outro imposto, para a implantação de laboratórios open source nas universidades federais? Assim o governo poderia germinar projetos que atendessem às suas necessidades. Notem que não falei de suporte, nem sobre o governo ser cliente das universidades, mas investir na geração de tecnologia.

Postado por: Pacozila em dezembro 19, 2002 08:51 PM

Vou deixar minha opinião e experiência sobre o famos "suporte" que os softwares pagos fornecem. Já trabalhei em um dos tribunais superiores e digo que se não pagar o contrato de suporte, nada feito. Então o preço é soft+suporte. E acreditem que nem sempre somos atendidos por mais que um pseudo consultor que sabe pouco mais que consultar uma knowledge base (e mal, diga-se de passagem). Poucas vezes recebemos suporte de verdade, que resolvesse algo que não tivéssemos acabado resolvendo nós mesmos pela demora. Hoje trabalho em uma estatal do setor financeiro e digo: é ainda pior.

O que falta dizer é simples: o gestor da área tem que fazer um contrato com alguma empresa para "tirar o seu da reta". É só isso. Para ele não importa se resolve, mas ele se cobriu de garantias (ele acha). Quando o Linux tava no início existia uma tendência de comprar Microsoft mesmo tendo outra alternativa pois se você comprasse Microsoft e o projeto desse errado você dizia "mas todos compram Microsoft, não sei o que deu errado"; se usasse Linux (ou qualquer outro OS ou Aplicação free) e desse errado, logo vinham dizendo "quem mandou, a culpa é sua".

Não sei quantas histórias dessas eu ouvi (todas reais) até que alguns conhecidos começaram a desafiar a regra nos órgãos onde trabalhavam. Eles passaram a apresentar pareceres por escrito descrevendo como os projetos que escolhiam Windows apenas defensivamente iriam falhar. Chegavam a descrever o que ia dar errado, o custo, etc. Batata, era tentar fazer e os erros previstos aconteciam. Quando o parecer caia na mão de alguém bem graúdo no órgão, vinha logo uma bronca de cima para baixo do tipo "porquê você não houve seus técnicos?". Depois de uns 3 projetos escolhendo mais tecnicamente as coisas, independente de ser free ou comercial, eles passaram a ser respeitados. E eles nem sempre escolheram softs free: em um dos casos que soube eles indicaram um OS comercial que resolveu bem a situação, sem preconceitos.

Cabe a nós, técnicos, administradores, leigos, etc, desmistificarmos essa história de suporte resolve tudo, que é proteção para falhas. Coisa nenhuma! Nada substitui um bom projeto, uma escolha sensata.

Fora isso temos o fator corrupção. Não substimem isso. A TBA, maior representante Microsoft no Brasil, cresceu absurdamente depois que vendeu R$ 100.000.000,00 (isso mesmo) adiantado para o Serpro Nacional, em soft, treinamento e muita "bola". Não por acaso disseram que a "dona" da TBA era na verdade testa-de-ferro de um senador. Interesses existem, temos que vencê-los projetando as licitações de forma limpa, dificultando ao máximo a corrupção. Eu já tive o prazer de melar um esquema de corrupção retirando um item "especial" do edital, muito engraçado ver o cara da empresa (e o do órgão) vendo um concorrente ganhar, muito engraçado mesmo. A cara deles quando falaram em uníssono que não era possível por causa de um item do edital (que não estava lá, claro) é algo que guardo até hoje na memória.

Para terminar, recomendo que os bons em Linux montem suas empresas, associem-se a grupos maiores se for necessário, mas preparem-se. Quando disserem que não há suporte/produtos/pessoas, estejam lá e mostrem-se. E ganhem dinheiro com isso, não tem nada de errado! Apenas mantenham a ética e mandem os corruptos para a cadeia.

Postado por: Flavio em dezembro 20, 2002 01:42 AM

Não acredito, também, que uma cooperativa seria a melhor opção. Essa "cooperativa", na realidade, funcionaria melhor para suporte a "usuários finais", mesmo do governo, que queiram solucionar questões do dia-a-dia. Evidentemente, porém, há uma míriade de fontes de informação e suporte gratuitos na internet, como canais de IRC (Freenode/OPN), Rau-tu da Unicamp, fórum da LIP, etc. Isso pra não citar documentações propriamente ditas, isto é, Foca Linux, LDP-BR.

A respeito do suporte ao, governo concordo com o Flavio. Acho que deveríamos criar nossas empresas e ganhar dinheiro com o que sabemos, de forma justa, honesta e transparente.

Também trabalho no governo federal, mas em nada relacionado a TI diretamente. Tenho a impressão que o linux seria facilmente "engolido" pelos gestores aqui, desde que previamente se invista em modificações e adaptações, e mude-se os padrões de documentos, por exemplo. No setor público, entretanto, nada é simples, e há entre os burocratas do governo federal quem certamente se sentiria coagido a "usar um sistema operacional do PT".

Pra completar, não consigo engolir o fanatismo da maioria do pessoal aqui de se prender religiosamente ao GNU/Linux. Pq ainda não se converteram ao Hurd, então? :P

E quanto ao GPL/BSD/etc, até onde eu sei, essas diferenças nas licenças pouco significam para o ordenamento jurídico brasileiro, ainda que seus princípios tenham valor mais ou menos universal. Entendo que, se o governo optar por adotar o software livre, há de se criar novas licenças específicas para nosso sistema jurídico - não que o GPL não tenha valor aqui, trata-se, apenas, de sistemas jurídicos distintos com preocupações distintas e, no nosso caso, o governo seria um dos principais interessados, o que muda totalmente o cenário.

O sr. Stallman, até onde eu sei, não dá a mínima pro Estado, e não é o meu caso. No Brasil, desde os primórdios, o Estado é central no desenvolvimento do software livre, inicialmente restrito, porém, nas universidades federais.

Desculpem pela falta de clareza do texto.

- Yves Marques Teixeira
-- nictuku

Postado por: nictuku em dezembro 20, 2002 10:27 AM

Olá a todos da comunidade,
Claro que é um avanço poder ter o poder de deixar as correntes do capitalismo imposto pela Micro$oft, alguns países de 1º mundo já declararam liberdade, agora é nossa vez. Com o apogeu do GNU/LINUX, poderemos crescer como referencial mundial, já que possuimos algumas das mais talentosas mentes no cenário do Software livre e não podemos abrir mão de ocupar um lugar que é nosso por direito neste contexto.

Postado por: João Marcelo de Sousa Siqueira em dezembro 20, 2002 11:04 AM

"O sr. Stallman, até onde eu sei, não dá a mínima pro Estado"

O Stallman não dá a mínima pra nada, a não ser à GPL e a coizera GNU. Como programador e figura expoente do cenário de tecnologia mundial, ele é admirável. É bom no que faz. Mas como formador de opinião é um cego fanático, quase taliban. Deixemos ele de lado.

As exposições do Sr. nictuku são ótimas (e o texto está bem claro ;). O governo sem dúvida deve criar licencas proprias. Talvez tambem distribuicoes proprias, mas deve ser orientado com as caracteristicas (parafraziando Bill Gates, só pra apimentar) virais da GPL. Entendo que a GPL em sua essência não agradaria o governo. Devem fazer algo como a Sun fez, criando sua própria licença para termos Open Source, e mesmo como a Apple fez no que diz respeito à sua "extensão" da licença BSD. Acho que a licença BSD seria um bom modelo.

Acho também que essa thread está se encerrando, então se quizermos (comunidade open source) fazer alguma coisa de verdade em favor ao software livre, é hora de mover nossas idéias para além de comentários em cima de uma notícia. Ideia do Patola é viável? Ideia do kra anonimo sobre cooperativa? Ou vamos criar nossas proprias empresas e sermos concorrentes em licitações do governo quando a preferência ao uso do software livre (estou sendo otimista já) se tornar lei?

Postado por: Mr. Deeds em dezembro 20, 2002 02:30 PM

Mr. Deeds, discordo completamente sobre a necessidade de criar sua própria licença.

Primeiro, há o risco (bem grande) de ela ser incompatível com as licenças dos softwares que derivar (por exemplo, se ela utilizar um software GPL, não pode mudar a licença).

Segundo, fazer uma licença de software é algo extremamente difícil, necessita-se de um caro time de advogados para isso.

E as que temos na praça - as mais conhecidas BSD, MIT, GPL, LGPL - têm bom tempo de estrada e por isso mesmo muito mais chance de serem consideradas válidas na corte.

Postado por: Patola (Cláudio Sampaio) em dezembro 20, 2002 05:30 PM

Como qualquer cliente, temos que analizar as necessidades do Governo. Algumas vezes será necessário usar software proprietário, mas é claro que na grande maioria das vezes uma boa análise dos softwares disponíveis no "catálogo" de softwares livres irá resolver o problema. Sem fanatismos.

Postado por: none em dezembro 22, 2002 09:06 PM

Embora quase completamente leigo sobre o assunto, estou estudando sobre Linux para avaliar o custo-benefício de usá-lo em outro âmbito da administração pública, as prefeituras.

As prefeituras, acredito eu que em uma grande maioria, utiliza softwares piratas e sendo assim o software livre resolveria grandes problemas.

Como ainda não foi falado nada de administração municipal aqui, pergunto se há o interesse por elas ou apenas pelo governo federal?

Esta "cooperativa" abrangeria as prefeituras?

Independente de qualquer coisa, estou disponível e interessado em ajudá-los no que for preciso.


frazao

Postado por: frazao em dezembro 27, 2002 04:00 PM

Caso vocês decidam se organizar e formar o tal mutirão, ou qualquer coisa que seja, não deixem de me chamar, hein?
Mandem e-mail ( eduardolinux@tutopia.com.br ) ou mensagem no meu ICQ ( 45990061 ) e me avisem, posso contribuir de várias maneiras, inclusive angariar contribuidores, de todos os tipos. Tem muita gente que pode ajudar, mesmo não sendo íntimo do pingüim

Postado por: Eduardo Costa Lisboa "Linux" em janeiro 2, 2003 06:55 PM

Eu acompanhei esse "debate" nas últimas semanas e surgiram grandes idéias, mas esta faltando (como já foi dito) uma organização no debate. Curioso que em outubro eu participei de uma mesa redonda sobre software livre no Simpósio Brasileiro de Engenhria de Software e ao final da discursão não foi possível "fechar" nada. A idéia era mais ou menos a mesma da nossa. (utilização de software livre pelo governo)
Sem dúvida existem muitos profissionais muito bem qualificados dispostos a participar desta mobilização. Precisamos nos organizar.

Postado por: Leonardo Marques em janeiro 2, 2003 10:29 PM


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