Este artigo da Computação Brasil , uma publicação mensal da Sociedade Brasileira de Computação , é bastante polêmico. O autor, que se diz defensor do software livre, defende a tese de que o termo "software livre" é no mínimo inadequado. O autor afirma que "Licenças de uso inspiradas na GPL impõem a primazia do direito material do detentor do copyright sobre o das outras pessoas."
Postado por marco em 15 de agosto de 2002, 12:52 AM
O que o professor faz se chama silogismo: ele levanta uma premissa (um pressuposto verdadeiro, para o autor) sobre liberdade e outra sobre programa livre, junta as duas e, pronto! A verdade lógica.
Considero, de início, um erro grave a definição de liberdade usada: meia duzia de frases de efeito que tentam reproduzir o pensamento ocidental dos últimos 2500 anos. Para mim, liberdade não existe, é só um conceito abstrato de grande manipulação. Não sou livre para viver em Florença porque não tenho dinheiro. Não sou livre para viver na Florença do Renascimento, porque esta já não existe mais. Em última instância minha liberdade está restrita à leis físicas, o resto é ficção, elocubração. Ou especulação inútil, como queiram.
O autor, certo momento, cita a palavra vacina; textos como o dele são úteis pois servem como vacina para o pensamento manipulador. Vivemos uma época de pré-eleição, e particularizações da verdade abundam. Cuidado a todos nós.
Paulo S
ps tem gente que deveria ter suas contas bancárias investigadas; liberdade é saber quem são os formadores de opinião
Postado por: Paulo S em agosto 15, 2002 06:57 AMA Bíblia diz que o homem jamais poderia vir a servir dois senhores. Ou aborrecerá a um ou desagradará a outro. O que me chama a atenção no texto é justamente a palavra servir. O homem é limitado demais para experimentar a liberdade plena. Diante de nós sempre vão existir um número limitado de opções a escolher. Na Bíblia (amo este livro) também diz que devemos escolher entre dois caminhos: o bem e o mal. E ainda nos alerta a escolhermos o bem para não perecermos e nós sabemos que isto é verdade. Na minha liberdade limitada pelas opções que eu tenho, eu escolho o bem e opto por Deus.
Mas o que isto tem haver com informática ? Vc deve estar se perguntando. Assim como no que diz respeito ao destino de nossas almas temos escolhas a fazer, também o temos em todos os setores da vida e a informática não é diferente. Rejeito a forma manipuladora do monopólio e fico com a liberdade, por mais limitada que seja, do Linux.
Entre servir um ou outro, prefiro ser livre.
Liberdade de pensamento. Escolho o bem e fico com o humanismo secular. Vida longa a liberdade de escolha!
Lamentável o artigo e as ideías deste cidadão
O professor conseguiu o seu intento, que foi criar polêmica. Verdade seja dita: estamos bem acompanhados, pegando como exemplo o Paulo S (ótimo texto, que concordo e assino embaixo), o Webmarlin, o MediaSonic e o William. O professor Carlos Augusto, a propósito do Linux, faz uma confusão tremenda quando usa os termos "propriedade" e "autoria", querendo induzir o leitor a acreditar que pouco importa se o software é livre ou não. Contudo, a página pessoal dele é impagável e vale a pena ser visitada, por ser muito divertida.
Vida longa ao LINUX!!
pessoal... isso é que foi um artigo de penssamentos limitados e egoistas. Ele se coloca no lugar das 'instituições' que a tanto tempo negam ao povo o direito a informação. isto é, ou você tem dinheiro para entrar na 'ciranda' ou fica na marginalidade.
gente a idéia do GPL é justamente essa, deixar e garantir um legado à HUMANIDADE de materiais produzidos por ELA mesma e que "NINIGUEM" venha a ter "poder" de privatiza-la.
Em tantos anos de existência, a humanidade sempre que se junta (no caso, sempre comandados por uma cúpula) nunca faz uma coisa que seja primáriamente benéfica a todos. Só que desta vez não há mais "A cúpula" que pode fazer como quizer (em egoismo e ganância), até ela terá de entrar na NOSSA 'ciranda'.
E só esse fato já está deixando "eles" loucos.
O que o sr. autor do artigo não entendeu é que o conceito de liberdade não acaba na próxima pessoa. A liberdade deve ser propagada, emanar de suas idéias, sonhos, crenças e trabalho.
Quando alguém lança um software sobre a licença GPL, essa pessoa está efetivamente dizendo que a liberdade colocada no trabalho dela NÃO pode ser removida. É opcional que alguém use seu código GPL. Mas a partir do momento que ela se decidir por isso, deve entender que outros também devem se beneficiar.
Dizer que a GPL limita sua liberdade é egoísmo.
Postado por: Julio Nobrega em agosto 15, 2002 02:35 PMGalera,
Concordo com vocês.
Este autor, pouco sabe sobre o mundo livre. Ele está mais sem liberdade do que os antigos escravos.
Quanto a GPL, ele disse: "Licenças restritivas são vantajosas comercialmente. A GPL, seja esta sua meta inicial ou não, é ótima para empresas que distribuem produtos de código aberto. Ela permite obter melhorias e correções feitas por outras pessoas, ao passo que dificulta a criação de produtos concorrentes com vantagens competitivas". KDE, GNOME, Blackbox, Fluxbox, etc... são o que? Se você não gosta de um produto, crie o seu. Ah... mas eu gosto da opção tal do KDE, a beleza do GNOME, a agilidade do Blackbox, a flexibilidade do WindowMaker... Misture tudo e faça o seu Desktop. Liberdade de escolha.
Mas, como dizem alguns professores de Pós-graduação, aonde ele leu as coisas para escrever este artigo podiam estar "contaminadas", sendo assim, ele escreve sem uma base correta.
Bom, uma coisa é certa, ele também tem liberdade de expressão. Fazer o que!? :o(
Creio que o ponto central da questão seja a obrigação de ceder o copyright do seu trabalho a FSF via GPL caso optemos por utilizar algum código sob o controle da mesma.
Sinceramente, para mim, isto é um ponto negativo na licença GPL. Não devíamos ser obrigados a ceder o copyright para poder nos proteger dos "tubarões". Afinal onde fica a liberdade de escolha nisso? É plausível a intenção do movimento, porém se eu pego 10 linhas de código e coloco no meu sistema do qual venho trabalhando duro para desenvolve-lo, sou obrigado a ceder o copyright a FSF ??? Eu simplesmente, não quero ser obrigado a fazer isso! Só quero poder distribuir o conhecimento, compartilhar com a comunidade e tal.
Os líderes da comunidade free software deviam ser mais humildes a admitir que realmente isso é um aspecto ruim da licença e mudar a mesma...Retirando essa obrigação....Só isso! No mais, a licença GPL e ótima.
Egoísmo ??? Fala sério...eu vejo muita demagogia aqui...
Marcos
Marcos, se tu não concorda com o GPL, tudo bem. Então não use o GNU/Linux. Ao invés disso, use o OpenBSD que tem uma licença da maneira que tu queres (licença BSD).
Eu acredito que o grande diferencial do GNU/Linux, que conseguiu atrair a grande quantidade de admiradores e colaboradores é exatamente a licença GPL. Por que muitos programadores não gostariam de ver seus esforços sendo aproveitados por empresas proprietárias (como a MS fez com a camada tcp/ip derivada do FreeBSD), sem nem mesmo citar o nomes deles.
Se não fosse assim, não teria surgido este espaço no mercado para o GNU/Linux, haja visto que o FreeBSD e OpenBSD são tão bons quanto o GNU/Linux.
A liberdade existe. Você é livre para escolher um produto proprietário como o Windows, ou um software totalmente livre, como o OpenBSD ou um produto como o GNU/Linux que garante que espertalhões não irão se aproveitar do seu trabalho, sem nem dar crédito para vc!
Fiquem a vontade para me corrigir caso eu esteja engando, mas GPL não pede que você abra mão do copyright. A GPL prevê que em utilizando o código licenciado sob a GPL, seja alterando o código seja aproveitando todo ou parte desse código para criar outro produto, se você distribuir esse código deverá fazê-lo sob a GPL. A GPL NÃO provê a tranferência de copyright para a FSF, apenas prevê que você não poderá impedir que alguém, uma vez obtido o código, distribua esse código para outro. Você abre mão do controle, não pode determinar quem pode ou não receber o código. Mas o direito autoral é seu, apenas você não receberá nada por ele caso a pessoa que receba o código não queira pagar.
Até cobrar pela distribuição do código pode, contanto que seja para cobrir os custos de distribuição apenas (transferência ou mídia, por exemplo). A GPL faz com que você forneça uma licença prévia para que qualquer um possa utilizar o código sem ter que pedir permissão.
A vantagem da GPL é que uma empresa não pode pegar o código, embutir em seu produto, corrigir alguma coisa ou ampliar as suas funcionalidades e simplemente ficar com todo o esforço de outras pessoas sem dar nada em troca (como a Microsoft fez com a pilha TCP/IP, vinda do FreeBSD). Com a GPL, se você distribuir seu código, que usou código de outras pessoas, retribuindo o que você ganhou de graça.
Postado por: Flavio Machado em agosto 16, 2002 03:13 PMSó queria acrescentar o meu centavo na discussão.
Em um texto do Richard Stallman, onde ele falou sobre a propriedade e direitos autorias, ele comentou que os direitos autorais são um mecanismo criado para haver o crescimento da população. Como?? Uma pessoa cria algo e tem direito exclusivo sobre esse algo por um determinado tempo. Durante esse tempo, essa pessoa vai vender a sua criação na expectativa de ganhar algo com isso e querer produzir mais. Só que o direito autoral tem um tempo determinado, pois não haveria crescimento da sociedade se a criação não caisse no domínio público algum dia. Resumido: o autor cria algo, ganha sobre a criação durante algum tempo e essa criação se torna de domínio público. Essa idéia é realmente boa. Pena que os direitos intelectuais não sigam ela.
O software não segue essa regra. Esses dias estava pensando sobre a ID ter liberado o quake 1 e o 2 sobre a GPL. Bem, isso não foi nada fantástico, porque, apesar de existir alguns fanáticos pelo quake ainda, a ID não vai ganhar muita coisa sobre ele, porque é um software antigo e ultrapassado (me perdoem os fanáticos por quake). Isso deveria ser o normal das empresas, mas não é. Isso deveria ser obrigatório, mas não é. A ID criou algo, se beneficiou por algum tempo e a criação se torna de domínio público mais tarde. Isso não acontece com o software. Por que não?? Se lembra que o direito autoral foi criado para o crescimento da sociedade e não do autor???
Minha opinião é que o software, como outros tipos de criação, deveria ter os seus direitos autorais cancelados após algum tempo, até mesmo porque o software se torna obsoleto e quase sem utilidade depois de um tempo. E claro que não estou me restringindo ao software, mas aqui se fala de software.
A GPL quebra essa imoralidade (para não dizer outra coisa) no campo do software. Muito programadores programam de graça, por prazer. Mas a cada dia aumenta o número de programadores que são pagos para produzir um software que está sobre a GPL. Isso que deveria acontecer desde o início dos tempos. Já viram quantos programadores são pagos para trabalhar em tempo integral no KDE, GNOME, kernel e outros???
A idéia é simples, o autor cria, ganha algo pela criação, para ser estimulado a criar mais, e a criação se torna de domínio público, para que a sociedade cresça. Essa foi a idéia inicial dos direitos autorais no início, pelo menos como comenta o Richard Stallman.
Esqueci de colocar o link do discusso do Stallman. É bem interessante, apesar de longo.
http://www.gnu.org/philosophy/copyright-and-globalization.pt.html
ied my govna pitkekutumatrium... linux rulez
Postado por: Albanez em outubro 30, 2002 01:55 PM
O Arquivo Histórico do BR-Linux.org mantém no ar (sem alteração, exceto quanto à formatação) notícias, artigos e outros textos publicados originalmente no site na segunda metade da década de 1990 e na primeira década do século XXI, que contam parte considerável a história do Linux e do Open Source no Brasil. Exceto quando indicado em contrário, a autoria dos textos é de Augusto Campos, e os termos de uso podem ser consultados na capa do BR-Linux.org. Considerando seu caráter histórico, é provável que boa parte dos links estejam quebrados, e que as informações deste texto estejam desatualizadas.