O Luciano Giordani Bassani postou no Fórum a sua análise do Gentoo Linux. Achei interessante e resolvi reproduzir aqui na capa - clique ali em DETALHES para ver o texto completo. Obrigado e parabéns, Luciano!
Bom, finalmente iniciei o teste de instalação do famoso Gentoo Linux...
Por enquanto só instalei a base do sistema, utilizando o método de baixar os arquivos do site e compila-los (exite a possibilidade de se instalar o Gentoo com um CD com os fontes pré-compilados, para a plataforma i686).
Como teste, eu usei uma máquina Pentium MMX 200Mhz com 64 Mbytes de RAM.
As minhas minhas primeiras impressões sobre o sistema:
- Para instalar o Gentoo, a pessoa tem que ter muuuuuuuuuita paciência, para esperar os pacotes serem baixados e compilados. Só para se ter uma idéia, levei quase 48 horas para concluir o processo de instalação da base do sistema. Claro que tive alguns imprevistos, como a falta de luz no meio do processo. Neste ponto, o Gentoo poderia ser mais inteligente e continuar a compilação apartir do ponto onde parou, ou pelo menos do último pacote que compilou, mas não. Ele inicia o processo novamente (existem estágios de instalação, por isso eu consegui pular alguns que já estavam prontos);
- Quem está acostumado a instalações como a do Suse, Mandrake e Conectiva, se prepare... O Gentoo requer que se faça tudo no "braço", desde "levantar" a rede para começar a instalação, até o particionamento com o fdisk (neste ponto, bem que o Gentoo poderia ter o cfdisk que é mais fácil de ser utilizado);
- Por usar a compilação dos fontes, o Gentoo consegue estar extremamente atualizado, tendo pacotes que nem chegaram na maioria das distros, mas também por isso ele possui alguns bugs. Por exemplo, eu já estou acostumado a usar o vi desde o tempo que eu usava o Solaris, por isso instalei o vi. Só que o vi não funciona no Gentoo (dá falha de segmentação). Mas no site, encontrei uma relato deste bug e uma maneira de contorna-lo, que é setando o TERM para ansi (o padrão é linux);
- Ainda não deu para avaliar se realmente vale a pena ter o Gentoo (daqui a umas 48 horas, quando o KDE estiver instalado, posto a minha impressão), para quem possui máquinas como Pentium ou inferior, mesmo pq já existem distros compiladas para a arquitetura Pentium, como o Mandrake. Mas para máquinas mais velozes, como Pentium 3, 4 e Athlon/Duron, certamente deve valer a pena, pois até agora não encontrei nenhuma distro otimizada para i686. Uma coisa é certa. É a distro ideal para as pessoas que querem testar seus conhecimentos, principalmente do pessoal que adora o Debian, mas quer um GNU/Linux mais otimizado para a sua plataforma, além de aplicativos mais atualizados, como o KDE3, ou GNOME 2;
- Mas, ao contrário da instalação que é bem ruím, pois não tem nenhum assistente, nem mesmo um assistente em modo texto, depois que o sistema estar no ar, a impressão que eu tive é que o Gentoo mostra o seu verdadeiro valor. Ele consegue ser mais fácil de se atualizar e de se instalar pacotes, do que no Debian (pelo menos esta foi minha impressão) ou no Conectiva (onde usamos o apt- get), pois ele cria uma árvore de diretórios com os programas disponíveis. É só vc entar nestes diretórios, escolher o aplicativo desejado e dar um comando similar a:
cd /usr/portage/app-editors/vi/
emerge vi-3.7.ebuild
ou ainda (se vc souber o pacote que quer instalar):
emerge app-editors/vi
A partir deste momento, um script baixa o aplicativo da Internet e compila-o para vc. Vc só tem que esperar o processo terminar (e rezar para não dar algum erro de compilação, pq senão... risos...). O próprio script de instalação resolve as dependências.
Além disso, pelo que eu entendi, os aplicativos instalados (excluindo-se a base), ficam registrados no arquivo /var/cache/edb/ world (muito prático também).
- Para ajudar no processo de instalação, existe um arquivo na raiz do sistema que é montado virtualmente na instalação, que pode ser consultado, mas é recomendável se ter o acesso à Internet, porque eu achei a documentação da Internet mais fácil de ser seguida, pois os comandos, e os passos, estavam bem mais "claros" e destacados, do que no arquivo texto.
Bom, resumidamente o Gentoo Linux é uma distribuição para pessoas que querem um linux extremamente otimizado e atualizado, pessoas que não tem medo do shell, e que conseguem viver sem as facilidades de programas como o yast2, linuxconf, entre outros. Mas creio que não seja uma distribuição recomendável para servidores, pois ao usar pacotes muito novos, podem conter muitos bugs e falhas de segurança. Além disso, não é uma distro pequena, pois ao baixar os pacotes e compilá-los, o Gentoo usa muito espaço em disco (ainda nem instalei o KDE3 e já passou de 1 GByte de espaço usado em disco, claro que eu posso apagar os fontes baixados depois, mas vc precisa de muito espaço em disco para compilar os programas).
esse sistema de instalação do Gentoo é muito parecido com o "ports" do FreeBSD (http://www.freebsd.org/ports/index.html)
Postado por: Gbitten em julho 29, 2002 08:08 AMValeu Luciano, a partir da tua experiência descobri que nõ quero instalar o Gentoo. Mas não significa que eu tenha desistido das "source Based" distros. Deixo aqui uma sugestão para quem tiver uma máquina disponível para bricar. Instalem o Sorcerer Linux.
Até onde eu pude descobrir por alguns poucos textos publicados na web ele é muito mais fácil de instalar do que o Gentoo...Eu mesmo o faria se tivesse uma máquina à toa...
Eu utilizo o Gentoo, e realmente ele não foi feito para o usuário novato, isso foi dito pelo próprio criador da distro (Daniel Robbins), no entanto, deve-se lembrar que o Gentoo ainda é novo, os planos futuros são de ter uma instalação tão fácil quanto a do Windows, mas sempre tendo a opção manual e também de se ter uma versão estável que poderá ser mantida em servidores, apenas necessitando de updates quando houverem bugfixes...
A vantagem do Gentoo é ter os pacotes mais recentes que serão compilados com a melhor otimização para o seu computador, meu P2 300MHz está rodando KDE 3 e OpenOffice sem problemas...
Gostaria de fazer algumas correções no comentário:
1. vc está utilisando tanto espeço pq provavelmente não setou corretamente a variável USE para que alguns programas deixem de ser compilados como por exemplo: -gnome -gtk, o que faria com que o vi fosse compilado apenas para o console ou ainda é possível setar uma opção em que o Gentoo SEMPRE delete o source do pacote após uma instalação!
2. Quanto ao problema com o vi eu já instalei o Gentoo em umas 4 ou 5 máquinas e~em nenhuma delas tive o problema relatado.
3. Com relação ao espaço novamente, com uma instalação desktop COMPLETA (KDE, OpenOffice, Opera, Mozilla, KDevelop, etc...) fica em torno de 1Gb, e ênfase no "em torno de", porém com o Mandrake minhas instalações sempre passavam de 2Gb.
4. O tempo de instalação foi algo que me chamou muito a atenção, só para instalar o sistema base em um ADM K6II 550 com 128Mb eu não levei mais que 1 (um) dia!!!!!!! acho que vc deve estar usando conexão discada para fazer os downloads dos pacotes!
5. Já com relação a segurança fico meio na dúvida, não sei se concordo com o argumento de servidores precisam de softwares estáveis ou se discordo dizendo que cada mínimo update de segurança pode ser baixado quase que imediatamente após o seu lançamento, essa deixo por conta de vcs!
Quanto ao resto concordo com o artigo e só tenho mais uma ressalva, no canal #gentoo do irc.openprojects.net vc concegue ajuda MUITO mais rápido do que em qualquer canal de outra disto!
[] a todos
Postado por: Thiago Alves em julho 30, 2002 01:23 PMThiago, como eu relatei no fórum eu tive o problema da falta de luz no meio da instalação, além disso estou usando um Pentium 200MMX com 64 Mbytes de RAM para instalar o Gentoo, que é bem inferior em termos de processamento que um K6. A demora é maior na compilação dos pacotes mesmo.
Realmente não deletei os sources e nem mandei deletar, pq meu HD é grande e não tenho problemas quanto a isso (e talvez eu gere um CD destes arquivos baixados, para uma instalação em um Duron). Mas notei que o espaço ocupado cresce e se reduz conforme a compilação. Mas não dá para ter a ilusão que o Gentoo poderia ser instalado em máquinas antigas, com HDs pequenos, como eu já vi muita gente relatar. É um GNU/Linux para máquinas mais robustas.
Mas o que eu mais achei interessante no Gentoo Linux é de ele seguir muitas idéias de outras distros, como o Debian, ou até mesmo outros sistemas como o FreeBSD, mas ser oposto em termos de versões de programas. Enquanto o Debian e o FreeBSD pregam que um programa deve ser bem testado antes de ser incluído na versão estável, o Gentoo prega o uso das últimas versões (eu prefiro um KDE3, que ainda não está bem testado do que um KDE2).
vcs taum lerdando
Postado por: biopticube em setembro 13, 2002 03:50 PM