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Dataprev noticia instalação do MS Office, e avisa que o OpenOffice não será desinstalado

A Dataprev (empresa pública federal, vinculada ao Ministério da Fazenda) divulgou neste dia 28 um artigo em sua intranet fazendo alarde ao início da instalação do Microsoft Office 365 como serviço de assinatura, englobando "os aplicativos Excel, Word, Powerpoint, Access e OneNote, inclusive em versões on-line" em equipamentos de 2 mil empregados.

Diz o artigo que "O valor da assinatura mensal por empregado ficou em torno de R$ 48. Considerando-se que para uma única conta de usuário será possível instalar o Office 365 em até 15 dispositivos (5 desktops, 5 telefones e 5 tablets), tanto corporativos como pessoais, o valor da assinatura fica em torno de R$ 3 por mês por cada dispositivo instalado." Ou seja, a empresa comemora o pagamento de R$ 48 por mês, por licença, pois assim beneficia também as necessidades pessoais dos empregados públicos. Ressalta isso no trecho "A instalação do pacote em equipamentos da empresa será efetuada por meio de abertura de chamado pelo Sistema de Gestão de Atendimento da Dataprev. "Já a instalação nos dispositivos pessoais é de responsabilidade do usuário""

Para tanto, a Dataprev realizou um pregão no Sistema de Registro de Preços para a assinatura de até cinco mil licenças, que poderão ser utilizadas por 36 meses, prazo que pode ser renovado. "Não se trata de uma aquisição. A empresa paga uma taxa mensal para utilizá-las" - deixando claro que trata-se de um aluguel, que torna a Dataprev refém do pagamento enquanto precisar do software.

"Além da boa relação custo-benefício, a ferramenta conta com opção de acesso on-line, facilitando a mobilidade dos empregados e o compartilhamento de arquivos." Aqui a Dataprev ainda destaca o fato de os empregados poderão guardar os arquivos da Empresa, que tem grande potencial de serem sensíveis e incluírem dados da Previdência Social brasileira, na nuvem pública da Microsoft, armazenada em território americano. Comenta adiante que os empregados devem respeitar os ditames de segurança da Empresa, mas não era mais fácil fechar a porta?

"A adoção da suíte de escritório para toda a empresa evita a disseminação de software não autorizado e padroniza licenças, versões e ferramentas adquiridas ao longo do tempo. “Perde-se tempo ao converter arquivos que não estão padronizados. A instalação desta licença em toda a empresa evitará a necessidade de conversão, refletindo positivamente no rendimento dos empregados”, explica o gestor da operaçao"." — A Dataprev não explica porque tal padronização não é realizada utilizando um pacote de automação de escritório de software livre, cuja qualidade e funcionalidade não deixa qualquer coisa a desejar em relação ao proprietário, já há vários anos. Além disso, fica claro que a Empresa passará a ser refém eterna do Office, pois uma vez convertidos os arquivos, ninguém nunca mais irá querer voltar atrás.

Quase para fazer rir, a empresa registra uma linha no artigo para dizer que "Vale ressaltar, no entanto, que o Open Office não será desinstalado e poderá continuar a ser utilizado pelos funcionários que optem pela solução." - Oras, se o motivo alardeado para a instalação do Office é a padronização, como os funcionários poderão optar pelo Open Office, que irá sofrer com os documentos do MS Office cujos formatos não respeitam os padrões internacionais de interoperabilidade?

A situação é ainda mais triste se considerarmos não só o momento de dificuldade econômica pelo qual passa o Brasil, mas ainda o fato de que diversos gestores da Dataprev, que continuam na empresa (ou continuavam até poucos dias atrás, e assim participaram desta decisão) são ferrenhos defensores do Software Livre."

Enviado por Xbr (flbdΘriseup·net)

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