Para Richard Stallman, “Liberdade não é liberdade de escolha” — entrevista na Linux Magazine
- Governo Federal diz que vai assumir a responsabilidade na banda larga
- Usando seu fone com Android como modem 3G no Linux
- Blender 3D: 7 videotutoriais para iniciantes
- Nexus One: relato de usuário
- Florianópolis: Curso de Shell Script - Julio Neves
- Cursos e simulados on-line gratuitos: ITIL, Cobit, Joomla, Java desktop
O BR-Linux inclui a liberdade de escolha (inclusive quando relacionada ao consumo) na lista das liberdades que valoriza e defende, e continua não comungando com a idéia de oferecer computadores propositalmente incompatíveis com algum sistema operacional, independente da origem da proposta: quer seja de Redmond, de Cupertino ou das savanas.
Segue notícia enviada pela Linux Magazine com algumas das respostas do Dr. Richard Stallman, notório autor de ficção científica e criador do GNU Emacs e do GCC, entre outros projetos, às perguntas da revista.
Enviado por Pablo Hess (phessΘlinuxmagazine·com·br):
“Em sua atual passagem pelo Brasil, Richard Stallman concedeu à Linux Magazine uma agradável entrevista. Foi uma rara oportunidade de conversar cara a cara com o nem sempre palatável mestre maior do Software Livre, criador da GNU GPL e do conceito de Copyleft, autor do emacs e detentor de tantas outras qualificações, conhecido pelas respostas incisivas e correções a entrevistadores que escorregam na diferenciação dos termos “Free Software” e “Open Source” ou que se esquecem de prefixar o termo “GNU” ao se referirem ao sistema operacional GNU/Linux.
Stallman falou à Linux Magazine sobre SCO, Sun, Oracle, a liberdade de software e o conflito com aqueles que desejam subverter o significado de “Free Software” (Software Livre), usando em seu lugar o termo “Open Source” (Código Aberto) – além de críticas à Microsoft e ao software proprietário como um todo, é claro.
Linux Magazine» Tivemos no Brasil recentemente o programa “PC Para Todos”, que vendeu aproximadamente 3 milhões de computadores equipados com Software Livre, mas que também continham softwares não livres na forma de drivers binários no kernel Linux. Boa parte desses computadores receberam cópias não autorizadas de sistemas Windows. Você não acha justificável esse uso de softwares não livres, pois ajuda na transição de um mundo primordialmente proprietário para o objetivo completamente livre que você propõe?
Richard M. Stallman» Uma ideia seria vender computadores que não fossem compatíveis com o Windows.

LM» Mas isso restringiria a liberdade de escolha dos compradores.
RMS» Liberdade não é liberdade de escolha. Ter a opção de se acorrentar reduz sua liberdade. É simples: engana-se quem identifica liberdade como liberdade de escolha, porque a liberdade de se permitir acorrentar não aumenta a sua liberdade – provavelmente a diminui.
Este argumento está sobre uma superfície que não existe. Veja bem, se o hardware tivesse sido escolhido com cuidado, não haveria necessidade desses drivers proprietários. Eles poderiam ter dito: “Queremos um computador que funcione perfeitamente com Software Livre. Quem quer construí-lo para nós?”. Com essa quantidade (3 milhões), eles teriam uma ótima oportunidade de resolver esse problema, caso tivessem se esforçado. Poderiam até ter dito: “Queremos comprar esses computadores (3 milhões) de quem também for vendê-los para o público em geral”. Quem quer vendê-los?
LM» Agora que a SCO parou de espernear, quem você considera o maior inimigo da liberdade? Quem mais faz propaganda ativa contra o Software Livre e pró-software proprietário?
RMS» Eu nunca achei que a SCO representasse grande perigo. Com essa definição de inimigo, creio que seja a Microsoft. Mas isso não significa que o nosso maior problema seja a Microsoft. O maior problema são as patentes de software, e elas não estão ligadas a nenhuma empresa em particular. Existem muitas empresas que nos apóiam de várias formas, mas são favoráveis às patentes de software. A IBM, por exemplo, tem ações que nos ajudam e outras que nos prejudicam. Ela quer que as patentes continuem existindo e faz lobby a favor delas.”
A entrevista está publicada na Linux Magazine Online.” [referência: linuxmagazine.com.br]










Acho mais fácil fabricarem computadores incompativeis com o Linux do que com o Windows.
Bem Richard, sinto ser sincero, mas o mundo não funciona assim.
E a liberdade de escolha, não concordo contigo. Cada um escolhe o que quer.
Tá, eu sei que você é bacana, teve boas idéias, mas as vezes você é chato demais.
““Queremos comprar esses computadores (3 milhões) de quem também for vendê-los para o público em geral”. Quem quer vendê-los?”
Pelo que eu entendi da fala dele, parece que ele acha que os 3 milhões de PC’s foram comprados de uma tacada ou “pessoa” apenas, além de ter dado oportunidade de comercializar as mesmas maquinas no varejo, mas sabemos que não foi assim.
Também tem outra questão, pelo que ele quer, além de Software Livre também teria de ser criado o Hardware Livre, afinal boa parte dos problemas que levam a não ter os drives é justamente as tecnologias de hardware proprietária que os fabricantes não querem que outros saibam, ai nem produzem e nem deixam os outros fazerem.
Agora, como que pode o fato de eu concordar em me amarrar a algo restringir minha liberdade? Se amanha eu quiser largar mão desta amarração é bem provável que eu possa, desde que faça a opção consciente.
Citando acima, “Bem Richard, sinto ser sincero, mas o mundo não funciona assim.”
Exatamente. O stallman é um ideólogo, é um ativista político. Já não é programador a muito tempo. O trabalho dele é mudar o mundo, não é se conformar com ele. O mundo não precisa ser do jeito que nós conhecemos.
Todo mundo tem o direito de concordar com ele ou não, de gostar dele ou não. Mas como figura controvertida que é, muita gente se posiciona a seu respeito partindo de meias informações, ou de um entendimento incorreto da sua militância.
No contexto do que o Stallman falou, a tal “liberdade de escolha” é bastante equivalente a “Livre Mercado”. E quem entende um pouco de prática econômica vai saber que “Livre Mercado” está longe de ser um regime justo e compatível com liberdades. Portanto, concordo integralmente com ele que não é uma restrição à liberdade como valor, apenas em uma limitação num rol de escolhas já bastante limitado (afinal, você não pode escolher entre mais do que meia dúzia de SOs).
Além disso, tudo é questão de óptica. Tente ver no outro sentido: O Windows não restringe a “liberdade de escolha” do comprador em relação à arquitetura de processador?
Vale lembrar que o Dr. Stallman costuma ser bastante criterioso e preciso na sua escolha de palavras e expressões. Creio que ele escolheu intencionalmente a afirmação que fez (sobre liberdade, e liberdade de escolha), e prefiro analisá-la sem recorrer a analogias ou reduções que ele não indicou ao optar por usar conceitos tão amplos.
Não se pode criticar uma pessoa por ser coerente com suas convicções.
Eu sou a favor do governo exigir drivers não proprietários, quando a compra é feita em larga escala (não é o caso do PC para todos).
No caso da compra de maquinas para escolas estaduais, por exemplo.
Acho que deve-se exigir drivers livres, que funcionem no sistema operacional em questão (Linux), mas que também sejam compatíveis com Windows.
Mas antes de tudo isso, acho que é necessário criar um “Inmetro” dos sistemas operacionais, porque esses “Linux” que estão vindo nos PCs populares estão dando vergonha.
Patola (usuário não registrado) em 22/06/2009 às 10:07 am
Concordo e muito com você. Às pessoas que falam que o Stallman é um zero a esquerda, gostaria que soubessem que foi graças a ele que temos o SL e o gnu/linux para usar, aprender e aprimorar.
Apesar de usar metodos ou palavras as vezes estranhos, ele está correto no que tange:
“Não importa quantas pessoas a compartilhem, a idéia não se reduz. Quando escuto sua idéia, ganho conhecimento sem diminuir nada seu”. (Thomas Jefferson)
Ainda para os que relutam em apoiá-lo, peço para que assista à entrevisata com Sergio Amadeu na FISL 08: http://www.youtube.com/watch?v=wS6aNF3_IgM
Abraços!!!
É, desta vez tenho que concordar que o cara falou algo realmente digno de uma piada do cardoso.
Um hardware compatível somente com GNU/Linux seria, além de impossível de ser feito, já que, devendo ser de especificação aberta, logo seria compatível com qualquer sistema operacional.
Mas vamos supor que não seja de especificação aberta. Todos os drivers teriam de ser de código fechado, já que se fossem OS qualquer um poderia portá-lo para o SO que quisesse.
Vamos supor então que o driver fosse de código fechado. Seria uma boa solução :-)
Acho que o Stallman não entendeu bem a situação dos computadores populares com Linux no Brasil, como disse o Max Raven.
Quanto ao seu discurso sobre liberdade – do qual eu normalmente concordo em grande parte -, caímos no velho dilema da liberdade. Sim, o de caráter ideológico, filosófico, religioso, etc. Se pode dizer que uma pessoa que acha que escolheu o que queria por não ter opções de escolha teve liberdade de escolha? Será a liberdade deste diferente daquele que teve um leque de opções mas que no final fez a mesma escolha? Especificamente à questão do software, um usuário de software livre é mais livre que um usuário de software proprietário, mesmo este segundo tendo todas suas necessidades atendidas pelo software escolhido?
Se a questão for levada adiante, posso te dizer que no Brasil não vivemos numa democracia, mesmo tendo a tal da liberdade de escolher nossos governantes, já que são sempre os mesmos candidatos (sim, percebeu que todos os presidentes são velhos e estão na política há décadas?), e é praticamente impossível um cidadão comum se candidatar à um grande cargo? Yes sir, uns poucos loucos de partidos extremamente pequenos viram motivos de piadas pelos eleitores, por quererem brigar com “os grandes”, além de terem horário eleitoral extremamente reduzido e pouquíssimos recursos para a campanha.
Sim, somos livres por podermos escolher se morreremos de dengue ou de febre amarela? Se pagaremos nossos impostos em dinheiro ou em cartão de crédito? Liberdade de escolha é efetivamente liberdade? Se sim, é a única liberdade válida?
Ai, ui. Meus neurônios doeram agora. Acho que está passando Bob Esponja na TV. Vou até lá.
Eu escolho usar Open Source e Free Software. E minha liberdade de escolha é muito importante para mim. Um Senhor que se diz defensor de minha liberdade a ponto de querer restringi-la não merece meu respeito. Ele merece ser lembrando pelos seus feitos, mas não é por conta disso que tem imunidade para falar tanta asneira. Já fui um admirador, mas hoje só tenho repulsa e vergonha por saber que um homem desses está a frente de uma instituição como a FSF (que tem gente séria, muito séria, que não sofre de esquizofrenia).
O mesmo conceito professado pelo Sr. RMS foi e é defendido por ditaduras e regimes totalitários. Vide a ditadura no Brasil, Irã, China, Coréia do Norte. Ninguém, absolutamente ninguém, tem o direito de restringir a liberdade (seja ela de escolha ou não) de outrem, sejam lá quais forem os seus motivos. Eu tenho o direito de comprar um Windows 7 com todos os drivers e hardware proprietário que puder ter e consciente disso.
É por causa da liberdade de escolha das pessoas que os BSDs, o Linux, o Apache, o SAMBA, e tantos outros softwares FOSS estão sendo usados até os dias de hoje. Mas se tivéssemos um Bill Gates, ou um Steve Balmer, ou coisa que o valha, falando uma coisa dessas, teríamos um linchamento on-line. Não estou defendendo nenhum dos dois.
E chegamos ao ponto de querer vender máquinas não compatíveis com Windows. E depois, qual seria o segundo passo? Que as máquinas não fossem compatíveis com BSDs, pois estes não são livres (de acordo com o próprio RMS)? Teríamos máquinas compatíveis apenas com Linux, pelo bem de nossa liberdade. E apenas código GPL, pelo bem de nossa liberdade. E todos teriam que usar barba, pelo bem de nossa liberdade.
Absurdo, simplesmente absurdo.
Computador incompatível com Windows? Netbooks com ARM, Workstations da SUN, tudo da IBM que pesa mais de 30Kg…
Meu iPod Touch é incompatível com Windows, assim como o UM MILHÃO de iPhones 3GS que foram vendidos ontem. Meu Nokia E71 também é incompatível com Windows, até com Windows Mobile.
Meu Mac até é compatível, mas eu escolho não rodar Windows nele. Meu netbook veio com Windows, funciona muito bem, mas escolhi testar o Moblin 2.0.
Meu ecosistema é MUITO, MUITO mais saudável do que essa visão stalinista/stallmanista. Liberdade, ainda que na base da porrada?
Desculpem, mas dessa vez não dá nem pra fazer piada.
É verdade, várias arquiteturas são incompatíveis com Windows, como é natural. O que me parece bem menos natural é escolher uma delas para realizar inclusão digital, baseando a escolha nesta incompatibilidade – ou apresentar isso como uma idéia (ou como primeira idéia, ou como única idéia) para o problema percebido da instalação de cópias não licenciadas do Windows pelos consumidores dos computadores de iniciativas governamentais de inclusão digital.
Uma boa idéia!!
O governo comprar 3 milhões de netbooks ARM em licitação internacional,fazer um concurso para colocar uma distro decente nele e distrbuí-lo em escolas.
Vale mencionar que o Executivo federal está desde 2007 tentando comprar 150.000 deste aparelho (classe netbook – e com Linux) para distribuir nas escolas como projeto piloto para uma posterior versão ampliada, mas ainda não conseguiu nem completar alguma das tentativas de processo licitatório efetuadas.
Acho que o título deu destaque demais a essa frase. Mas vamos comparar…
Pelo que sei na constituição do Brasil existem travas para evitar que alguém assuma a presidência e se torne um ditador. Então mesmo que se escolha como presidente uma pessoa que pregue isso, na prática a constituição o limitaria, o cara teria que partir para a força pois não há mecanismo legal para torná-lo ditador. Então mesmo uma parte da população queira ir em tal direção, estará limitada na sua vontade.
Eu vi a declaração apenas como um direcionamento de escolhas. Se a intenção do legislador fosse promover o SL e concedesse desconto ou financiamento especial só para os micros que usassem SPARC ou ARM, qual o problema? Um consumidor qualquer continuaria podendo adquirir no mercado o computador que quisesse.
Ainda comparando… o governo deu desconto de IPI para carros (à gasolina e/ou álcool) com até 2.0 cilindradas, privilegiando com mais 0,5% os carros álcool/flex. Não vi ninguém que queria comprar carro de maior cilindrada e/ou diesel dizendo-se prejudicado ou que o governo estava restringindo sua liberdade de escolha.
Péssima idéia. Ou deixar de fora as distros que não tem versão ARM é aumentar a liberdade de escolha?
Já faz tempo que eu digo que o Stallman atrapalha muito mais do que ajuda. Ele tem méritos técnicos, mas politicamente é prejudicial ao movimento que ele “defende”.
E, sinto muito, o importante é poder ver, alterar e usar o código-fonte. Código Aberto, Open Source, isso é o que realmente importa. Limitar opções baseando-se em preceitos políticos questionáveis, distorcendo-os a ponto de transformar liberdade em ditadura é ridículo, ingênuo, absurdo.
Uma coisa é incentivar a compra de um produto/solução, outra é restrição de liberdade de escolha. Você falar, escrever um livro, sobre o livre mercado e como ele influencia as pessoas em suas compras com marketing, mídia e tudo mais. Mas ainda sim as pessoas têm sua liberdade de escolha, elas podem decidir comprar ou não esses produtos. Existem pessoas que não comem no Mcdonalds, existem pessoas que nem comem carne, pois elas têm sua liberdade respeitada e podem assim decidir o que comer.
Você pode alegar que o mercado é muito forte, mas mesmo assim você pode simplesmente escolher. Mas ao ser proibido de freqüentar o Mcdonalds, ao ser proibido de comer carne, ao ser proibido de escolher, você não tem mais a opção.
Existem discussões sobre a democracia que falam sobre isso. Que ela não é justa, pois se vale da força da maioria imposta, não de uma liberdade de escolha. Mas isso é outra história, outra discussão. E se você acha que realmente está certo em suas convicções você TEM a liberdade de expressão para falar sobre isso, escrever livros, ter seguidores, montar um partido político. Isso não foi tirado de você.
EmanuelSan, acho que não haveria problema jurídico nenhum em o governo definir que o processador fosse ARM ou SPARC. Quando foi normatizado o PC Conectado, já houve também uma escolha específica de classe de processador (na época, tinha que ser compatível com 2 modelos específicos da Intel e AMD).
E foi bem o cenário que você descreve: na ocasião o nosso governo já concedeu redução de taxas e financiamentos especiais, naquela configuração de hardware específica, e o projeto desta forma recebeu inclusive o apoio de segmentos mais politizados do software livre nacional.
E o consumidor continuou podendo adquirir no mercado o computador que quisesse, exatamente como você diz. E quem produz ou comercializa outras categorias de computadores reclamou mas não teve base maior para contestar.
Escolher a arquitetura de hardware certamente limita as escolhas de software – e o PC Conectado provavelmente não rodaria o Mac OS X ou o Solaris, por exemplo. Mas o que o governo não fez foi basear a sua escolha neste critério da incompatibilidade da arquitetura selecionada com os produtos de software de algum fabricante específico. Assim como quando ele oferece o incentivo para os carros até 2.0 a gasolina, com bônus para álcool ou flex, ele não se esforça para limitar o benefício a motores que sejam incompatíveis com os combustíveis vendidos pela Shell.
Finalmente, acho que não tem ninguém aqui hoje dizendo que algum governo restringiu a liberdade de escolha ao realizar algum programa específico. O que houve foi uma declaração sobre a liberdade de escolha em si, e sua relação com o que é (ou seria) a liberdade, na visão do entrevistado, e em relação a como ele acredita que poderiam ter sido conduzidos estes programas de inclusão social.
Ele e coerente. O que ele diz e que liberdade nao e liberdade de escolha, se voce for escolher abrir mao da liberdade.
Como conhecemos a posicao (extremamente) intolerante do Stallman em relacao ao software nao-livre, nao surprende em nada a declaracao.
Software nao-livre pra ele e tao ruim quanto a escravidao. Imagine ele como um aboliocinista dizendo que nenhum tipo de escravidao e toleravel, e que as pessoas nao devem ter liberdade de escolha entre ser ou nao livres, ou entre libertar ou nao seus escravos. E nos, no caso, somos os escravocratas dizendo: “mas a pessoa deve ter liberdade de escolher se quer ser escrava ou livre, privar a pessoa de optar pela escravidao atenta contra sua liberdade.”
Da mesma forma que a democracia, teoricamente, impede um povo de abrir mao dela. Se houvesse uma eleicao e a maioria do povo escolhesse abrir mao da liberdade e entregar todo poder a um ditador, isso nao estaria correto, mesmo sendo a vontade da maioria. Porque a liberdade (democracia no caso) e um valor maior em si do que a liberdade de escolha que ela te proporciona.
aboliocinista = abolicionista
Acho que quando uma pessoa usa, na defesa daquilo que acredita, uma premissa que equipara as demais posições possíveis ao escravagismo, ao genocídio, à pedofilia ou a outros comportamentos vistos quase unanimemente como indesejados, é fácil acreditar que a argumentação em si é coerente.
No caso em questão, entretanto, trata-se de uma escolha de sistema operacional do computador de um programa governamental de incentivos fiscais para a inclusão digital.
O qual, aliás, era vendido só com sistemas operacionais livres – a instalação do Windows ocorria após a aquisição, pelo exercício da liberdade do próprio consumidor – e na minha opinião, a compatibilidade do hardware e a liberdade de escolher outros sistemas operacionais são, em si, valiosas. Removê-las artificialmente seria custoso, talvez inviável (a não ser que se usasse DRM…) e não necessariamente os mencionados 3 milhões de compradores concordariam que isso seria uma medida favorável aos interesses deles.
Stallman parece querer enfiar o “software livre” DELE goela abaixo à força! Isso não é liberdade, é ditadura!
Se se ele usasse toda essa energia para fazer um software melhor, talvez ele obtivesse melhores resultados.
E por falar em liberdade, eu uso o Opera, o navegador mais fechado do mercado, porque eu fiz valer minha liberdade para escolhê-lo.
Estão fazendo tempestade em copo d’água.
Em vez de jogar pedras contra o RMS, vamos analisar o texto?
Isso é verdade. Certamente, a maioria dos leitores do Br-Linux possui conhecimento para fazer suas próprias escolhas em TI, mas a maioria das pessoas lá fora não faz a menor ideia do que estamos discutindo aqui. O RMS não está querendo restringir a liberdade de ninguém, apenas evitar que a “mão invisível” do “livre mercado” leve pessoas leigas a cair em armadilhas.
Querem um exemplo? os carros “Flex” são uma paixão nacional – todos nós compramos esses carros, iludidos pelas promessas de economia, liberdade e respeito ao meio-ambiente. Acontece que os carros Flex são sempre a pior escolha, porque não são otimizados nem para um combustível nem para o outro. No final, o carro Flex consome mais e polui mais que um carro ajustado para um único combustível.
Sem saber disso, a maioria de nós, especialistas em TI mas leigos em mecânica, caímos como patinhos. Nem sempre nossas decisões são racionais.
Se você ainda não entendeu o argumento, recomendo a leitura do livro “Previsivelmente Irracional“, de Dan Ariely. Veja também esse vídeo.
Mais uma vez, RMS pondera sobre a influência do Estado sobre o “livre mercado”. O Estado pode, sim, usar o seu peso para direcionar o mercado para um rumo ou outro.
Ele não sugere um Estado Stalinista, que proíba uma alternativa ou outra – apenas está sugerindo que o Estado adote políticas para estimular uma determinada solução.
Nem preciso comentar. Concordo plenamente. Alguém discorda?
Augusto, a comparacao de software nao-livre a escravidao feita pelo Richard Stallman nao pode ser enquadrada como uma simples equiparacao das oposicoes opostas a conceitos universalmente rejeitados. Ele nao esta dizendo que o software proprietario e nazista, pedofilo ou corintiano.
Eu, como voce, aceito o software como produto, dentro de uma sociedade capitalista e um ambiente de mercado livre.
No entanto, voce conhece muito bem a ideologia do Free Software, e sabe que, nesse aspecto da discussao, aquilo que defende Richard Stallman sobre software se encaixa perfeitamente no modelo liberdade/escravidao.
Assim, para ele, dizer que o software proprietario escraviza, nao e um argumento falacioso para aparentar coerencia. Quando ele diz que software nao-livre escraviza, e portanto e totalmente inaceitavel, nao importa o contexto, e exatamente isso que ele quer dizer.
O problema do estado ditar regras é que isso apenas é bom para o grupo que defende tais regras. Quando o estado passar a ditar regras que nós não achemos corretas vamos dizer o quê? Que as nossas eram boas, mas essas não são? Quer dizer, se for FOSS for beneficiada, então o grupo de FOSS defende, se nós formos prejudicados vamos recusar?
Não defendo que o livre mercado tome conta de tudo, mas essa alternativa não me parece boa também.
Em muitos momentos as escolhas dos consumidores determinaram o caminho que o mercado deveria seguir. E acredita que seja esta linha que se deve seguir. O Firefox é o que é hoje pelas escolhas de seus usuários, que o preferiram ao IE que já vem instalado no Windows (uso isso como exemplo, por favor).
O que é bom para mim, pode ser veneno para meu vizinho. Minha verdade/vontade não pode universalisada e imposta à todos. Sou usuário de Open Source e com muito orgulho, mas não obrigo minha mãe a usar FreeBSD/Linux em seu desktop como eu faço, no computador dela eu instalo um Windows XP bonitinho, pois é isso que ela QUER usar. E não me venham com histórias de comodismos, computador para minha mãe é um eletrodoméstico, como um DVD ou uma TV, ele tem que simplesmente funcionar e é assim que deve ser para o usuário final.
David, entendi sua opinião, mas discordo de que não seja vicioso um argumento nesta discussão que se baseie em alguma equiparação entre escravidão e a adoção da arquitetura i386 em um projeto de inclusão digital de 2005 que incluiu software livre em seu pacote.
E não, eu não sei se o que ele afirma se encaixa em um modelo maniqueísta (ou mesmo fortemente polarizado) liberdade/escravidão, e nem vi ele afirmar algo neste sentido na entrevista que está em discussão.
Fábio Prudente: creio que o aspecto que está provocando debate não são os trechos que você escolheu citar, e sim a afirmação especificamente relacionada a liberdade de escolha.
O stallman enxerga um problema ético fundamental no paradigma do software proprietário. Esse problema, para ele, é irredutível, não há como negociar, contornar. Essa é uma posição que ele tem, derivada de uma reflexão que é a mesma que fundamenta toda a filosofia do projeto GNU.
Evidentemente que é possível discordar, não aceitar, etc. Mas argumentar que essa posição é “extremamente intolerante com o software proprietário”, é equivocado. É uma questão qualitativa, não é quantitativa. Ele não aceita que uma certa coisa aconteça, não importa que seja muito ou pouco.
Se a liberdade inclui ou não a liberdade de ceder a própria liberdade, não me parece uma questão somente semântica. Muito menos trivial.
Estou de pleno acordo com o David.
Não dá pra comparar “software livre X software proprietário” com “liberdade X escravidão”. Empresas de software não restringem o acesso ao código fonte simplesmente por serem más, como também o uso de licenças de código aberto não torna qualquer pessoa candidata ao prêmio Nobel da Paz.
Enquanto Stallman age como ativista político, existem pessoas, como Mark Shuttleworth, trabalhando para fazer produtos de qualidade, sem se preocupar em estar restringindo uma suposta “liberdade” que só interessa à uma pequena fração daqueles que usam softwares “livres”.
Software, antes de tudo, tem que ser bom.
Eu tenho que discordar do Livio Ribeiro no comentário acima. Demonizar o Stallman para canonizar o Shuttleworth? Vamos com calma: temos de um lado um ideologista, que trabalha no campo das idéias, dos conceitos, como muito bem dito pelo bruno buys ‘Mudar o mundo, não se conformar com ele’.
Do outro lado temos um empresário que tem um modelo de negócios duvidoso em torno do software livre e com fortes suspeitas de estar preparando um terreno para praticar dumping. Não vejo no Shuttleworth um defensor da escolha de liberdade e sim um defensor da liberdade de usar o produto dele.
Augusto,
O governo, por exemplo, concede algumas vantagens se a empresa for considerada “empresa nacional”. Vantagens para “pequenas empresas”. Com certeza há muitas maneiras de se fazer, para dificultar/impedir que os consumidores desvirtuem o objetivo de alguma programa.
Continuando com o exemplo dos carros, antigamente tínhamos carros a álcool ou a gasolina, o governo concedia incentivos para compras dos carros à álcool. Digamos que, por algum motivo, vários consumidores após a compra convertiam o carro para gasolina. O governo não achando isso desejável (pois haveria mais poluição, dependência externa, etc.), poderia induzir os fabricantes a oferecerem carros à álcool que usasse alguma tecnologia não conversível.
Vc não respondeu ao meu argumento sobre à liberdade de escolha. Na constituição existem “travas” para impedir que um governante seja um ditador, independente se a maioria que o elegeu estava querendo isso.
O bruno buys sintetizou muito bem o modelo maniqueista, que nao se encontra explicitamente na entrevista em discussao, mas esta implicito. Ele e simplesmente a base ideologica da FSF. E sobre essa base o Stallman disse o que disse.
Augusto, eu entendo sua intencao de trazer a discussao pro caso pratico do programa brasileiro, mas acontece que a resposta do Stallman e claramente teorica, por isso afirmo que voce sabe.
Faz mais de 10 anos que voce cobre essa discussao, de um lado o ponto de vista (maniqueista e totalmente polarizado) dos “puristas radicais”, representado pelo Stallman, que nao aceita que software nao seja livre sobre nenhuma condicao, do outro lado os “moderados”, representado por quase todo mundo. Dentre outras coisas, isso levou a criacao do termo e conceito Open Source.
Livio, nao so da pra comparar como essa comparacao e feita estruturalmente pelos radicais do software livre. E um equivoco seu achar que “liberdade vs escravidao” significa “bondade vs maldade”. O termo escravidao aqui e usado como extremo oposto da liberdade.
EmanuelSan, certamente há muitas alternativas para evitar quase tudo no mundo. E imagino que eu não tenha, mesmo, respondido a várias facetas do que você afirmou. Acredito e defendo o seu direito de ter e expressar a sua própria opinião.
Os pontos que me tocam nesta discussão, entretanto, não são a democracia, a constituição ou os programas de combustível – são a posição defendida pelo interessado em relação à liberdade de escolha, e a idéia que ele apresentou no sentido de que se escolha uma plataforma com base na sua incompatibilidade.
Respondi ao seu comentário na intenção de informar que a situação que você apresentou como hipótese já ocorre na prática, e que discordo de uma analogia sua.
E continuo discordando, mesmo na nova apresentação relacionada ao proalcool – o governo poderia atuar legitimamente se tentasse impedir que os carros subsidiados fossem convertidos para usar outro combustível que não fosse o álcool, mas não acredito que seria legítima a proposta se fosse delineada em relação à compatibilidade específica com o combustível provido por um determinado fornecedor, algo como “vender automóveis que não sejam compatíveis com a gasolina da Texaco”.
David, de fato eu cubro isso faz tempo e conheço os pontos de vista, mas não sei se a descrição/simplificação que você fez é precisa, nem se foi exatamente isso que o entrevistado quis dizer.
E eu não estou tentando trazer o assunto para o caso brasileiro. A resposta dada pelo entrevistado foi em relação a este caso concreto, eu apenas estou tentando me manter nele.
Antônio Pessoa (usuário não registrado) em 22/06/2009 às 11:06 am
“Eu escolho usar Open Source e Free Software. E minha liberdade de escolha é muito importante para mim. Um Senhor que se diz defensor de minha liberdade a ponto de querer restringi-la não merece meu respeito. Ele merece ser lembrando pelos seus feitos…”
como a GPL? Que precisamente defende a liberdade através de restrições à certas liberdades, como usar o código-fonte sob outras licenças…
As pessoas estão errando o ponto.Liberdade de escolha existe se modelos do tipo arm fossem criados para vendo pelo plano do governo,mas não muita.
Não existe muita porque a intenção do governo é popularizar o software livre.E além de tudo é mais barato comprar um pc popular do que outro não financiado pelo governo.
Quer mais liberdade de escolha? Compre um que não seja financiado pelo governo e pague mais caro por isso.
Existe liberdade de escolha sim ,mas a diferença é que não existe libertinagem de escolhas no pc do governo pois o propósito do governo é ajudar as pessoas comprarem computadores E usar software livre.De jeito maneira i intenção do governo é popularizar o windows falseta e enriquecer a microsoft .Pelo menos em teoria.
Se quiser mais liberdade ,então compre os da dell e sem ajuda financeira.
A liberdade é assim , quer mais ,pague mais.
E prestem atenção a realmente que não oferece liberdade de escolha .Lembre-se de empresas que usam padrões de documentos que forçam a usar uma certa versão de software para poder abri-lo.
Sobre liberdade:
http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/doraliberdad.htm
Eu disse que voce tenta trazer a discussao pro caso brasileiro, e voce diz que tenta se manter no caso concreto (o brasileiro).
So que o caso concreto da discussao foi a resposta do Stallman.
Voce diz que prefere analisá-la sem recorrer a analogias ou reduções que ele não indicou ao optar por usar conceitos tão amplos, como liberdade.
Mas se os conceitos que ele usou sao amplos, o que faz com que os limites que voce da pra sua analise sejam validos e os dos outros nao?
Eu acho que a afirmacao dele e coerente com sua ideologia. Mas voce refuta isso porque ele nao explicitou sua visao de mundo na entrevista. Ora, ele ja fez isso diversas vezes, e publico e notorio. Portanto e mais do que correto analisar o que ele diz com base no que ele ja disse tantas outras vezes.
Sempre vejo suas noticias sobre o Stallman, onde voce, somente usando as proprias palavras dele, sem dizer nada da sua boca, muito sutilmente, o ridiculariza e, as vezes, o vilaniza. As posicoes que ele defende, por si so, o ridicularizam, mas voce faz questao de ampliar, tirando do contexto, isolando frases e tal.
E claro que ele e um cara meio perturbado, e acho ate engracado suas noticias sobre ele. Mas acho que virou meio obsessao. E depois fica dando uma de armless John nos comentarios.
David, o caso concreto da discussão, no que diz respeito à minha participação, foi a resposta do entrevistado a duas perguntas sobre um tal programa brasileiro “PC para Todos” (acredito que o nome tenha sido escrito de forma equivocada pelo entrevistador), e eu procurei manter este foco na minha participação. Se houver alguma analogia ou redução que eu tenha trazido a este debate e da qual você discorde e queira que eu esclareça, por favor apresente-as, e eu tentarei fazê-lo – mas ao menos tentei me ater ao que foi publicado na entrevista.
Espero que tenha ficado claro que o BR-Linux inclui a liberdade de escolha (inclusive quando relacionada ao consumo) na lista das liberdades que valoriza e defende, e continua não comungando com a idéia de oferecer computadores propositalmente incompatíveis com algum sistema operacional, independente da origem da proposta: quer seja de Redmond, de Cupertino ou das savanas.
Esclareço que acredito não ter refutado essa sua afirmação de que a declaração do entrevistado é coerente com a ideologia dele. Eu divergi foi da afirmação em si, e acho que deixei isso bem claro, sem meias palavras e sem tirar frases de contexto. Vi outras pessoas falando sobre a coerência interna do discurso feito e da obra do autor, mas acredito que não participei disso, até porque acredito que é usual que os discursos sejam alinhados à ideologia de quem os profere – o que não os torna corretos, nem errados.
Também espero ter deixado claro que não sei se o resumo que você apresentou do que seria a filosofia stallmaniana aplicada a este caso corresponde à visão dele, ou se está relacionado ao que ele disse dessa vez. Estou bem convencido de que você acredita que corresponde, mas também sei que ele costuma ser bastante específico quando se manifesta.
Espero também não ter dado a entender que as delimitações alheias são menos válidas do que as minhas, quando expus que discordo delas. Aqui é o meu blog, acho natural que eu exponha nele as minhas opiniões, e fico feliz em poder dar espaço para que outros exponham as suas, mesmo que seja para fazer analogias ou reduções envolvendo a liberdade de escolha de sistema operacional para instalar após comprar um “PC para Todos”, o proalcool, o escravagismo e o tal “livre mercado”, ou para defender que a manifestação de uma personalidade deve ser acolhida, com base no seu histórico de contribuições anteriores, sem referência ao teor da manifestação em si, ou ainda para defender que o que foi dito deva ser analisado à luz de um histórico, com base em um resumo não confirmado.
Para concluir, entendi também que você tem sua própria impressão sobre a cobertura que o BR-Linux dedica ao entrevistado. Esta cobertura continuará sendo apresentada por aqui regularmente (sempre que o entrevistado declarar algo que chame minha atenção), e você será bem-vindo para continuar acompanhando e se manifestando a respeito, assim como sempre podera fazê-lo também nos demais sites nacionais que cubram as manifestações do entrevistado de alguma maneira que você considere mais adequada à sua visão dos fatos – afinal, diversidade de pontos de vista é algo muito positivo, assim como o direito de escolha.
A citação de Stallman “a liberdade de se permitir acorrentar não aumenta a sua liberdade – provavelmente a diminui” é totalmente coerente. Contudo o problema consiste no julgamento. Quem é que tem capacidade para decidir se uma decisão implica em se acorrentar ou não? Na minha opinião ninguém tem esse discernimento.
Quando a IBM fechou contratos de suporte vitalicios (ou foi por um longo periodo) do OS/2 provavelmente o Stallman diria que os bancos estavam se acorrentando, quando na verdade quem se “acorrentou” e se deu mal foi a IBM…
Muita gente comentou aqui e gostei muito.
Bom, vejamos:
Liberdade (A) não é liberdade de escolha (B). Ter a opção de se acorrentar reduz sua liberdade (A).
Reduz sua liberdade (A), porém não a liberdade de escolha (B).
Alguém aqui sabe o que é Calvinismo?
Eu sempre achei o Stallman um louco.
- Computadores imcompatíveis com Windows? Pimenta nos olhos dos outros é refresco né?
- A liberdade não significa “liberdade de escolha”? Oras… Isso deveria ser o mínimo que poderíamos ter, e agora ele quer restringir?
Vá catar coquinho na descida Sr. Stallman!
Att,
Renato
Augusto, eu identifico dois pontos chaves na discussão.
1 – Se é política do governo divulgar o software livre e ele resolvesse subsidiar (como fez) computadores para a população de baixa renda e depois descobrisse que no lugar do SL que ele quer promover tivessem colocando um outro que ele não quer promover. Não vejo qual seria a restrição à liberdade de escolha se o governo decidisse que a partir de agora que os processadores utilizados deveriam ser da arquitetura X ou Y. Quem não gostar, simplesmente não participa do programa.
Fiz duas analogias para demonstrar isso, uma era um carro à álcool que não pudesse ser convertido. Pq? se a intenção do governo era promover os carros a álcool, quem estivesse se aproveitando disso para usar gasolina, simplesmente estaria burlando o objetivo, não seria surpreendente se ele colocasse dificuldades para essa conversão indesejada.
O outro era da redução do IPI. Mesmo que alguém no governo tivesse pensado em limitar a cilindrada para não incluir os carros da Ferrari explicitamente, nada impediria que a Ferrari depois construísse um carro 1.0 para ter total isenção de IPI. Não há uma cláusula nas regras do dizendo que a Ferrari não pode participar.
2 – A declaração de que liberdade de escolha pode diminuir a liberdade no geral. Essa declaração está na GPL, ela reduz a liberdade de utilização de um software, pois exige que ao ser redistribuído na forma binária, os fontes também o sejam. Não há opção, a não ser não redistribuir. A GPL faz isso para garantir que outras pessoas usufruam da mesma liberdade e blá blá blá… (não vem ao caso aqui).
Fiz uma analogia com a constituição, que têm cláusulas pétreas, 3 poderes, independência entre eles, blá blá blá etc etc. e embora ela seja democrática não se pode eleger um ditador.
Faço minhas as palavras do David: eu também enxergo no BR-Linux uma certa ridicularização do stallman. Não é de agora, não é só essa notícia.
Augusto, você tem todo direito de não gostar dele. Só que criticar objetiva e explicitamente é uma coisa, ridicularizar e tirar de contexto é outra.
EmanuelSan, e eu procurei expor a você que há diferença (que considero fundamental) entre a idéia do “carro a álcool que não pudesse ser convertido” e a do “carro a álcool subsidiado com a intenção de ser incompatível especificamente com o combustível do fabricante XYZ”.
O importante é que mesmo as pessoas comprando pcs populares e instalandoi windows,elas não pagam o imposto microsoft.
Quem não quer pc popular que compre outros .E existem muitos no mercado. Os pcs populares tem a meta de serem baratos e usarem software livre .Se não gosta da política deles, que pague mais caro.
Ok. So quero deixar claro que voce deixou claro sua opiniao. Espero ter sido claro tambem. E e claro que ninguem concorda com o “entrevistado”. Voce tem todo direito de ter birra com ele. E eu vou continuar me entretendo com essas noticias, claro.
Sempre bem-vindo.
“Liberdade não é liberdade de escolha”, parece frase do Fidel ou do Hugo Chaves. Vocês são livres, mas para usar o que eu quero.
Augusto, eu usei outra analogia para responder. Eu usei o exemplo da Ferrari. É a resposta colocada de forma mais clara.
Vamos a um exemplo mais concreto. Trabalhava numa empresa em que foi feita uma licitação para comprar “cadeiras de digitador” com altura regulável. Ganhou um fornecedor que vendeu mais barato (lógico), mas as cadeiras dele tinham espaldar reto e tinham um qualidade questionável (talvez se o espaldar fosse regulável o pessoal esqueceria da qualidade ou não usasse isso para desqualificar a cadeira).
Depois de muito tempo, na época de outra licitação, foi colocado que ninguém estava satisfeito com as cadeiras daquele fornecedor específico. Naturalmente foram colocados detalhes para ele não ganhar novamente. Mas ,claro, na licitação não estava escrito que o fornecedor X não podia participar, ok? Note que no fundo não era um preconceito contra aquele fornecedor mas com o produto dele, nada impedia que ele participasse com uma cadeira mais confortável e que atendesse as especificações, mas o produto que ele ofereceu de início, foi sim tomado como exemplo do que não se queria.
Não sei exatamente a razão de você estar trazendo novos exemplos, mas vi acima o seu novo exemplo, e já expus, também acima, qual a diferença que considero fundamental na proposta da entrevista. Vou tentar esclarecê-la: é a exclusão intencional da compatibilidade do bem que vai ser provido com o produto de um fabricante específico, ou a adoção desta incompatibilidade (específica com o produto de um fabricante) como um requisito da seleção do produto.
Não é forçar a comprar de outro fabricante, nem forçar que seja mantido o sistema original, nem excluir um fabricante da compra em si (isso o Computador para Todos já fez): é excluir um fabricante específico da compatibilidade com o produto que vai ser comprado. O novo exemplo não inclui, como nos casos anteriores, esta característica.
Sim, certamente é possível refinar o processo a ponto de excluir um produto, especialmente em uma licitação privada, quando o dono dos recursos vai comprar algo para ele mesmo usar.
No caso do “Computador para Todos”, foi-se até além, no que diz respeito à seleção prévia: a escolha chegou a ser explicitada, não foi uma sutileza da especificação: os computadores teriam que vir (e vieram) com sistema operacional de código aberto.
Mas propor que estes computadores fossem feitos intencionalmente incompatíveis especificamente com o sistema operacional do fornecedor XYZ, para impedir que o próprio consumidor instale (depois de comprar) especificamente este produto (o que não é a mesma coisa que obrigá-lo a manter o mesmo sistema operacional que veio pré-instalado, como seria a símile do seu exemplo do proalcool), é uma situação diferente de ambos os casos. Não é comprar a cadeira excluindo um modelo de cadeiras de um dado fornecedor, nem é exigir que o sistema operacional que vem pré-instalado tenha características diferentes das do fornecedor XYZ, e nem mesmo que o computador seja compatível somente com o sistema que veio pré-instalado nele.
“Liberdade não é liberdade de escolha”, parece frase do Fidel ou do Hugo Chaves.
Falou tudo. Os conceitos de liberdade do doutor Stallman são muito diferentes do meu conceito.
É a típica mentalidade esquerdista, não é a toa que ele faz mais sucesso no Brasil do que na maioria dos países desenvolvidos (por isso, são desenvolvidos).
Felizmente cada dia que passa menos pessoas levam a sério suas palavras.
Fazer licitação pra plataforma ARM? E os sistemas proprietários pra essa plataforma? Ou a briga é só contra a MS?
Não me espanto que seja uma surpresa para muitos este tipo de besteira. Já li isto uma porção de vezes nos textos dele. Deve servir de surpresa especialmente àqueles que outrora discutiram comigo aqui mesmo neste blog a fim de defendê-lo. Só serve para mostrar o quanto eram ignorantes a respeito do que falavam…
Errado. Por muitas vezes o discurso de Stallman aproxima-se do comunismo, mas neste sentido o discurso dele assemelha-se muito mais ao anarquismo.
Augusto, quando usei os exemplos eu estava tentando responder sua pergunta, num dos exemplos:
carro ( = computador ), motor à gasolina ( = Intel ), motor à álcool ( = ARM ou SPARC ), gasolina ( = Linux Intel ou Windows Intel ), álcool ( = Linux ARM ou SPARC ).
Na analogia eu tive que criar uma barreira para, p. ex., a Shell ( = Microsoft ) não fornecer álcool ( = Windows para ARM ou SPARC ), mas no mundo real não existe Windows para ARM ou SPARC ( têm o WinCE para ARM, mas ele não é Windows, dizem ), assim já haveria uma barreira natural impedindo um abuso, que seria comprar o computador subsidiado e que foi subsidiado para ter SL e usá-lo com produtos piratas (algo ilegal) além de não ser o objetivo a ser alcançado.
Augusto –
Na norma que regeria o sistema não estaria dito isso, camarada. Simplesmente constaria “usando o processador SPARC” (ou ARM), como hoje é Intel/AMD. Sei que vc insiste nisso por conta da frase usada pelo RMS nessa entrevista, mas ele já havia sugerido n’outra ocasião usar processadores SPARC, alguém pode ter outra idéia melhor, não entendi que a idéia estaria fechada ou seria a melhor coisa a ser feita no caso.
Stallman –
Não vejo como fazer o que vc falou anteriormente seja a melhor implementação dessa idéia acima. Não parece ser uma declaração que faça alguém correr e fazer aquilo que vc falou.
Eu interpreto a declaração como criar barreiras para desestimular a substituição, assim como já haviam sido criadas condições favoráveis para estimular. Uma idéia seria tornar o hardware incompatível, como? Eu acho que um processador alternativo e inicialmente (e talvez para sempre) incompatível com o Windows uma idéia bem melhor e mais simples, embora talvez não seja a mais barata de se implementar, não sei nem quanto sairia os processadores SPARC ou ARM em lotes de milhões de unidades.
Emanuel, não cheguei a ver a minuta da norma legal que instituiria esta proposta, então acho que estou em desvantagem na discussão, pois você está discutindo comigo com base em como ela seria. Se formos discutir com base em como ela poderia ser, ou como cada um acha que deveria ser, não teremos ponto nenhum, e nem benefício, uma vez que a situação em si me parece puramente hipotética.
Mas se ela tem a intenção expressa mencionada na entrevista (“vender computadores que não fossem compatíveis com algum sistema operacional específico”) e é escrita para parecer que a intenção é outra, eu acredito que não a defenderia, mesmo que a conhecesse. E se o SPARC do seu exemplo fosse escolhido com base neste critério (“não ser compatível com um sistema operacional específico”), eu também não a defenderia, nem consideraria legítimo o processo de seleção.
Sobre as outras hipóteses relacionadas a outros casos (históricos ou não), que não as mencionadas na entrevista, creio que não estou apto a comentar a respeito – a complexidade da descrição delas aumenta cada vez mais. O que eu rejeito eu já esclareci: é a escolha de um produto com base neste critério da incompatibilidade com um insumo de um fabricante específico.
Isso aí!! Ainda mais se for pra retirar a liberdade do processador.
Eu pessoalmente, não acho que a ideia específica de se fazer hardware incompatível com o windows uma boa ideia.
Também não acho que o comentário do Stallman nesse sentido mereça tanta atenção.
O entrevistador colocou os drivers proprietários como uma solução para se impedir que os sistemas fossem substituídos por cópias não autorizadas do windows. E perguntou a opinião do Stallman. Ele disse que uma outra solução seria que esses computadores não fossem compatíveis com o windows.
A pergunta do entrevistador não é boa por dois motivos:
* Sugere que a causa da migração para windows é a inexistência de hardware compatível com software livre em geral;
* Sugere que a inexistência desse hardware compatível é algo que não pode ser facilmente contornável sem drivers proprietários.
É uma pergunta do tipo begging the question.
A solução do Stallman é muito melhor:
* Se você vai fazer uma licitação e comprar um monte de computadores, exija que TUDO funcione perfeitamente com software livre.
Acho que o Stallman estava mostrando que a pergunta do entrevistador era falaciosa, mostrando que existem várias soluções para o problema (que diga-se de passagem não está bem definido). Assim como a existência dos drivers proprietários seriam uma solução, a incompatibilidade com o windows também seria.
Não sei porque tanta ênfase nesse comentário. Não acrescenta nada a ninguém. O ponto importante é: SE O GOVERNO QUER SOFTWARE LIVRE, DEVERIA EXIGIR QUE TUDO FUNCIONASSE PERFEITAMENTE COM SOFTWARE LIVRE. Isso vale para qualquer aquisição feita pelo governo.
André Caldas.
Eu concordo que o comentário feito não acrescenta nada a ninguém, e imagino que o fato de ele ter sido feito mesmo assim, por quem o fez, é uma das razões que geram o interesse em debatê-lo.
E como sei que o entrevistado costuma ser bastante específico e preciso no que declara, assumo que se ele quisesse dizer de outra forma, ou acrescentar delimitações adicionais, ou dizer que na verdade ele queria dizer outra coisa, ele o teria feito.
Em especial, quanto à idéia de que ele pode estar rejeitando a pergunta ou querendo apontar vício nela, sei por experiência própria que a prática dele é outra: em todas as ocasiões em que o entrevistei, ele foi bem claro quando queria rejeitar ou apontar alguma falha que ele percebia na pergunta feita. Não acho natural assumir que dessa vez ele faria isso de forma indireta, respondendo algo que deveria ser interpretado como outra coisa.
Dá-lhe Augusto, suando mas comentando todas…
Assim que tem que ser.
Não sei se entendo o Dr. Richard e não concordo com ele ou não sei se concordo com ele sem entende-lo…
O que o Stallman quer dizer com a seguinte frase?
André Caldas.
Não sei o que ele quer dizer, isso é algo que não nos é dado conhecer. Aparentemente está relacionado à afirmação “Mas isso restringiria a liberdade de escolha dos compradores”, que o entrevistador da Linux Magazine inseriu no meio da entrevista.
Acredito que a frase não se refere a modificar o entendimento do que o próprio bom Dr. Stallman afirmou, ou a refutar a pergunta que lhe foi feita e ele respondeu, mas sim a refutar a contestação apresentada pelo entrevistador em uma afirmação no meio da resposta.
Sim, sim… só estou perguntando… :-)
[...] Para Richard Stallman, “Liberdade não é liberdade de escolha” – entrevista na Linux Ma…: O BR-Linux inclui a liberdade de escolha (inclusive quando relacionada ao consumo) na lista das liberdades que valoriza e defende, e continua não comungando com a idéia de oferecer computadores propositalmente incompatíveis com algum sistema operacional, independente da origem da proposta: quer seja de Redmond, de Cupertino ou das savanas. [...]
O Stallman se esqueceu de uma coisa: se há algo não Windows e há milhões de pessoas atrás dela, a Microsoft tenta “abocanhar o mercado” de outro jeito =D. Foi assim com o Zune, com o programa “PC para todos” no Brasil (onde a Microsoft acabou “impondo” um sistema restrito para tentar pegar usuários que estavam em Linux.
Não sei se estou certo, pois não sou do mundo do Open Source, mas digo: tem horas que o Stallman esquece que o Mundo é Livre, e qualquer um pode fazer o que quiser (ou não).
Pff…Pelo visto ninguém percebeu ainda que este velho já esta “gaga” e o maior problema dele esta no juizo, deveria ser internado..Mais louco ainda são os seguidores deste louco que a cada dia que passa já começa a mostra mais o seu lado comunista ditador…Ele acha todos devem ser “livres”, desde que seja com a “liberdade” dele.
Admiro muito o RMS, ele realmente acompanhou de perto toda evolução do software livre e proprietário, coisa que muitos aqui …
Discordo com ele a respeito de que a melhor solução seja criar uma incompatibilidade com “Windows”.Lembre-se, não é a solução que buscamos, “A solução”, buscamos a melhor que encontrarmos.
1.Porque não aproveitar os vários processos que a MS tem por causa de trust e propor um acordo para que ela abra o código fonte de parte do seu kernel, especificamente a parte que cuida dos drivers?
Claro em GPL.
;)
Sei, sei, isto significa aceitar drivers proprietários …
2.Obrigar então os fabricantes de hw a implementarem somente drivers abertos.Já tive problemas com os drivers da broadcom, seria um GRANDE AVANÇO.
Se já tentaram o “1.” com a MS mais de 1 vez, até entendo o RMS, porque não é só neste “aspecto” que a MS já incomodou o nosso mercado de softwares.Junta a MS e outras empresas nesse nosso mundo capitalista, qualquer pessoa que defende o SL ficaria bem “estressada”, já vi varias companhias abusarem deste modelo, veja algumas notícias no site da FSF por exemplo, o tanto que os acordos demoram, ser radical com estas empresas é pouco, muito pouco pelo que elas já incomodaram.
É Stallman, concordo com tudo que disse, menos essa parte de computador anti-windows. Ele está certo em obrigar o povo a falar corretamente os termos, inclusive o GNU/Linux, e não somente Linuxm já que é mesmo uma mistura do projeto GNU e do Kernel fornecido por Torvalds. Não se pode brigar com ele por causa disso.
Agora, gosto do SL exatamente por ele fornecer liberdade.
Se ensina liberdade às pessoas com consciência, e não com autoritarismo. O próprio código do consumidor não permite uma travação dessas.
Temos que mostrar a luz. E as pessoas seguirão por livre e espontânea vontade.