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Para Richard Stallman, “Liberdade não é liberdade de escolha” — entrevista na Linux Magazine

O BR-Linux inclui a liberdade de escolha (inclusive quando relacionada ao consumo) na lista das liberdades que valoriza e defende, e continua não comungando com a idéia de oferecer computadores propositalmente incompatíveis com algum sistema operacional, independente da origem da proposta: quer seja de Redmond, de Cupertino ou das savanas.

Segue notícia enviada pela Linux Magazine com algumas das respostas do Dr. Richard Stallman, notório autor de ficção científica e criador do GNU Emacs e do GCC, entre outros projetos, às perguntas da revista.

Enviado por Pablo Hess (phessΘlinuxmagazine·com·br):

“O título não é uma pegadinha, nem distorce os dizeres do Grande Mestre do Software Livre. Confira:

“Em sua atual passagem pelo Brasil, Richard Stallman concedeu à Linux Magazine uma agradável entrevista. Foi uma rara oportunidade de conversar cara a cara com o nem sempre palatável mestre maior do Software Livre, criador da GNU GPL e do conceito de Copyleft, autor do emacs e detentor de tantas outras qualificações, conhecido pelas respostas incisivas e correções a entrevistadores que escorregam na diferenciação dos termos “Free Software” e “Open Source” ou que se esquecem de prefixar o termo “GNU” ao se referirem ao sistema operacional GNU/Linux.

Stallman falou à Linux Magazine sobre SCO, Sun, Oracle, a liberdade de software e o conflito com aqueles que desejam subverter o significado de “Free Software” (Software Livre), usando em seu lugar o termo “Open Source” (Código Aberto) – além de críticas à Microsoft e ao software proprietário como um todo, é claro.

Linux Magazine» Tivemos no Brasil recentemente o programa “PC Para Todos”, que vendeu aproximadamente 3 milhões de computadores equipados com Software Livre, mas que também continham softwares não livres na forma de drivers binários no kernel Linux. Boa parte desses computadores receberam cópias não autorizadas de sistemas Windows. Você não acha justificável esse uso de softwares não livres, pois ajuda na transição de um mundo primordialmente proprietário para o objetivo completamente livre que você propõe?

Richard M. Stallman» Uma ideia seria vender computadores que não fossem compatíveis com o Windows.

LM» Mas isso restringiria a liberdade de escolha dos compradores.

RMS» Liberdade não é liberdade de escolha. Ter a opção de se acorrentar reduz sua liberdade. É simples: engana-se quem identifica liberdade como liberdade de escolha, porque a liberdade de se permitir acorrentar não aumenta a sua liberdade – provavelmente a diminui.

Este argumento está sobre uma superfície que não existe. Veja bem, se o hardware tivesse sido escolhido com cuidado, não haveria necessidade desses drivers proprietários. Eles poderiam ter dito: “Queremos um computador que funcione perfeitamente com Software Livre. Quem quer construí-lo para nós?”. Com essa quantidade (3 milhões), eles teriam uma ótima oportunidade de resolver esse problema, caso tivessem se esforçado. Poderiam até ter dito: “Queremos comprar esses computadores (3 milhões) de quem também for vendê-los para o público em geral”. Quem quer vendê-los?

LM» Agora que a SCO parou de espernear, quem você considera o maior inimigo da liberdade? Quem mais faz propaganda ativa contra o Software Livre e pró-software proprietário?

RMS» Eu nunca achei que a SCO representasse grande perigo. Com essa definição de inimigo, creio que seja a Microsoft. Mas isso não significa que o nosso maior problema seja a Microsoft. O maior problema são as patentes de software, e elas não estão ligadas a nenhuma empresa em particular. Existem muitas empresas que nos apóiam de várias formas, mas são favoráveis às patentes de software. A IBM, por exemplo, tem ações que nos ajudam e outras que nos prejudicam. Ela quer que as patentes continuem existindo e faz lobby a favor delas.”

A entrevista está publicada na Linux Magazine Online.” [referência: linuxmagazine.com.br]

• Publicado por Augusto Campos em 22/06/2009 às 9:00 am
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Comentários dos leitores para “Para Richard Stallman, “Liberdade não é liberdade de escolha” — entrevista na Linux Magazine”

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  1. Profeta do Caos (usuário não registrado) em 22/06/2009 às 9:09 am

    Acho mais fácil fabricarem computadores incompativeis com o Linux do que com o Windows.
    Bem Richard, sinto ser sincero, mas o mundo não funciona assim.
    E a liberdade de escolha, não concordo contigo. Cada um escolhe o que quer.
    Tá, eu sei que você é bacana, teve boas idéias, mas as vezes você é chato demais.

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  3. MaxRaven (usuário não registrado) em 22/06/2009 às 9:36 am

    ““Queremos comprar esses computadores (3 milhões) de quem também for vendê-los para o público em geral”. Quem quer vendê-los?”

    Pelo que eu entendi da fala dele, parece que ele acha que os 3 milhões de PC’s foram comprados de uma tacada ou “pessoa” apenas, além de ter dado oportunidade de comercializar as mesmas maquinas no varejo, mas sabemos que não foi assim.

    Também tem outra questão, pelo que ele quer, além de Software Livre também teria de ser criado o Hardware Livre, afinal boa parte dos problemas que levam a não ter os drives é justamente as tecnologias de hardware proprietária que os fabricantes não querem que outros saibam, ai nem produzem e nem deixam os outros fazerem.

    Agora, como que pode o fato de eu concordar em me amarrar a algo restringir minha liberdade? Se amanha eu quiser largar mão desta amarração é bem provável que eu possa, desde que faça a opção consciente.

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