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Os Homens-Bomba do Software Livre

“Discutimos neste texto o fundamentalismo no Software Livre mostrando como parte da comunidade pode estar tentando evangelizar outros usuários através de formas discriminatórias. Ou seja, este extremismo ignora o fato que pessoas diferentes têm necessidades, desejos e crenças diferentes tratando-as apenas como erradas. Ao invés da comunidade tentar mostrar porque temos produtos melhores, ela acaba discriminando e se considerando melhor do que os outros desenvolvedores.”

Enviado por Rafael Schouery (rafaelΘvidageek·net) – referência (vidageek.net).

• Publicado por Augusto Campos em 22/03/2008 às 10:00 am
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Comentários dos leitores para “Os Homens-Bomba do Software Livre”

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  1. Putz.

    O autor do texto acabou fazendo exatamente o que o ele se dizia contra: misturou elementos ideológicos relacionados à religiões – provavelmente que não a dele – com a ideologia por trás do movimento do software livre; tratou de forma pejorativa uma religião que o autor considera “errada”, mostrando um comportamento exatamente o contrário do que queria dizer no texto, que seria o respeito pelas diferenças.

    Há sim elementos da comunidade – comunidade lembra comunismo, né? mas deixa pra lá ;-) – que agem de forma realmente radical. Me lembro do povo do fórum do Slackware que, quando alguém perguntava algo muito simples – para eles – eles simplesmente diziam: procurem no google. Ou os caras do Slackware que quebravam os CDs do Ubuntu. Ou dos caras da torcida do time XXX quando saem do estádio para espancar os jogadores do time YYY depois do jogo. Ou daquele país onde as pessoas consideradas negras não tinham o mesmo direito que as ditas brancas. Ou quando, no século XVI, povos indígenas de uma certa América tinham tinham sua cultura subjulgada pelos caras que vieram de navio de lá do outro lado do Atlântico. Mas peraê, fugi do assunto e escopo…

    Aqui na universidade onde estudo, todas as máquinas dos laboratórios utilizam (GNU?/)Linux, mas têm o Windows em máquinas virtuais. Sim, pois sabe-se que o Windows ainda é necessário em muitos casos. Muitos professores e alunos com notebook utilizam o Windows plugam suas máquinas nas tomadas de rede e utilizam normalmente a rede, o projetor, etc. Sem problemas. Não há aluno, professor ou funcionário que diga: aqui não entra Windows (principalmente no Paraná, onde o governo instituiu a utilização de software livre nas instituições públicas). Mesmo assim são comuns os acordos com empresas de software proprietário. Lógico que há alguns que ficam meio briguentos por causa da decisão, mas nada que impeça que os acordos sejam feitos.

    Mas há o lado “engraçado” da coisa. Toda esta história de misturar Linux com religião (evangelizar, etc, etc, etc) começou com o próprio Richard Stallman. “Eita, só podia ser mesmo!”. Não não. Acho que alguns geeks sem nada pra fazer, quando viram a performance do RMS como St. Ignacius devem ter se maravilhado com aquilo. Mas já vou avisando que tudo não passa de brincadeira. Igreja de Emacs, VI VI VI, tudo é brincadeira dele, não é nada sério (o que demonstra que ele também tem senso de humor ;-)).

    Peraê, acho que acabei entrando em contradição em algum ponto…

  2. Eu não caracterizaria assim, acho que não são elementos ideológicos misturados tão diretamente a religiões – ele tomou o cuidado de restringir, usar apenas metáforas relacionadas a efeitos nefastos de religiões, como as guerras santas (algo que muitas religiões já empregaram e empregam) e o terrorismo religioso, que também não é “privilégio” de religião nenhuma. Mas por falar em misturar, creio que quem acabou misturando uma série de elementos estranhos (menção ao comunismo, nomenclatura do sistema operacional, rivalidade das distribuições, comportamento excêntrico de celebridades, ausência de ajuda a iniciantes em um fórum, etc.) à questão foi você…

    Creio também que a absoluta maioria dos seguidores das grandes religiões organizadas não se consideram associados aos outros quadros que dizem professar a mesma religião mas usam-na como pretexto para praticar atrocidades, e acho bastante injusto um posicionamento que venha associar guerras santas e homens-bomba exclusivamente aos aiatolás, ou aos xiitas, sunitas, sikhs ou o que for – terrorismo não é exclusividade de ninguém.

    Da mesma forma, eu não me considero associado a elementos que acreditam em abusar de seus privilégios administrativos na gestão de recursos compartilhados publicamente em um grupo (como a lista de e-mail citada no exemplo) para avaliar ideologicamente e de forma prévia o conteúdo de uma comunicação, debater se deve ou não ser distribuída, e inserir conteúdo adicional individualmente, expressando opinião ao fazê-lo.

    Não vejo este tipo de atitude fazendo avançar a causa da liberdade – está mais próximo aos conceitos de censura, ou ao de zampolits. E mesmo que fizesse, não consideraria justificado, ainda que o administrador em questão acumulasse também o cargo de moderador de conteúdo da lista. Esta é uma posição pessoal minha: sou contra a instituição de polícia política ou vigilância de opinião, especialmente no ambiente acadêmico. Mesmo aqui no BR-Linux, me desagrada suspeitar que várias das moderações negativas são aplicadas por discordar da opinião expressa pelo leitor.

    Cada um pode gerir seus recursos particulares como bem entender, e eu mesmo nada tenho contra sistemas de moderação (embora os que eu emprego geralmente preservam a liberdade de opinião alheia), mas bloquear monocraticamente ou ilegitimamente baseado em aspectos ideológicos está fora de qualquer idéia de liberdade pela qual eu esteja disposto a me bater. Eu não apóio zampolits, mesmo que sejam a favor de idéias que eu compartilho.

    Ainda, a idéia de associar estes embates ideo-tecnológicos a guerras santas e evangelizações é algo que vem desde bem antes de Richard Stallman caracterizar-se como santo.

  3. Embora eu seja contra a atitude de censura que consta no artigo, sou a favor de militância pró-software livre, particularmente em ambiente universitário, onde as pessoas estão em formação de valores e de idéias. Essas parcerias supostamente inocentes são altamente nocivas para a sociedade num futuro próximo e distante, ainda mais de empresas que são monopolistas na maioria dos ramos que atuam. Com a desculpa de estarem “treinando para o mercado” as empresas estabelecidas vão adestrando as próximas gerações nos seus produtos e tecnologias e isso deve ser analisado com ética e cuidado especial, porque os ambientes universitários foram e deveriam ser ambientes para formar pensadores e gente que vai criar as tecnologias e empresas do futuro. É preciso treinar sim os alunos nas tecnologias atuais, mas sem desvirtuar o caráter acadêmico e a vontade de aprender coisas novas. E na área de software, o software livre reflete muito mais a academia do que a indústria.

    Muita gente confunde militância e defesa feroz de crenças e valores com religião, daí esses termos jocosos “xiita”, “jihad” e “freetards”. Defender um ponto de vista com firmeza mas também com argumentos racionais é coisa de gente inteligente. Seguir a manada e aceitar passivamente tudo o que é dito é coisa de gente igorante e passiva.

    Fico triste com o tom sensacionalista desta notícia e de outras como esta do 0,5 bit

    http://www.meiobit.com/quer-apoiar-o-open-source-entao-pare-de-encher-o-saco-e-colo

    porque passam do limite ético entre discordar de um ponto de vista e apelar para a ridicularização de pessoas e idéias. Cria discórdia e preconceitos estúpidos.

    Copiando aqui alguns dos trechos do meu comentário no blog vidageek, porque não tem sentido escrever tudo de novo:

    “Também sou usuário de linux há muitos anos (10 anos) e acho que na verdade todos sempre têm a liberdade de escolha para fazer tudo, inclusive o que é errado. Isso acontece porque não dá mesmo para proibir nada, principalmente para estudantes, ainda mais usar windows porque o pessoal apela para a pirataria mesmo.

    Eu sou professor do IME (não o da USP) e particularmente sou contra essas parcerias com a Microsoft para doar licenças a alunos e professores porque isso na realidade funciona de maneira a viciar as pessoas nos produtos da Microsoft. Elas usam de graça na faculdade e quando saem dela tornam-se reféns da empresa porque não conheceram outra coisa. A maioria dos estudantes nunca terá renda para licenciar TODOS os produtos Microsoft ao qual se acostumaram na faculdade e fatalmente apelarão para a pirataria ou farão seus empregadores comprar os produtos muitas vezes desnecessariamente por preferências pessoais.

    Aceitaria uma doação de licenças para um laboratório da faculdade se os produtos fossem necessários para uma aplicação ou software exclusivo para windows, mas daí a servir de “camelô oficial” distribuindo cópias “gratuitas” de produtos Microsoft a estudantes e professores para usar nos seus micros pessoais é outra coisa. Acho que a minha atitude não é de xiita mas de coerência com meus princípios pró-SL.

    E não me venham com essa tese de liberdade de escolha porque simplesmente ela não existe em segmentos de mercado monopolizados. A Microsoft não é apenas uma empresa normal de software, mas a número um em muitos segmentos e particularmente monopolista no segmento de sistemas operacionais para desktops e suites de escritório. Aceitar uma “doação” de licenças de Microsoft Office 2007 é bem diferente do que aceitar doação de um software proprietário para aplicação cientifica feita por alguma empresa de médio porte.

    Onde leciono não fizemos nenhum “Microsoft Campus Agreement” pelos fatos que já citei e pela falta de necessidade disso, já que custa à Instituição alguns milhares de dólares por ano (sim, NÂO é gratuito apesar do que falam). O departamento de computação tem sim um acordo com a Microsoft que lhe permite instalar e usar em seus laboratórios as ferramentas de desenvolvimento, bancos de dados e sistemas MS mas nesse caso realmente é necessário para o curso ter contato com os produtos e ferramentas da Microsoft. Mesmo assim, na minha opinião, isso causa um efeito negativo na adoção de software livre por este departamento.

    Não esqueçam o fator humano que é o mais forte na formação das “preferências pessoais” em relação a software. As pessoas geralmente não escolhem os melhores softwares do ponto de vista técnico, mas o “que todo mundo usa”. Foi assim que nasceu o monopólio do MS Office, do MSN, do windows e de muitos outros softwares. Se uma empresa geralmente pode arbitrar determinados softwares e formatos de arquivo para uso interno, muitas vezes contra as preferências pessoais de muitos de seus empregados, por que uma universidade não pode fazer o mesmo ? Onde leciono, por exemplo, os formatos ODF são o padrão para documentos eletrônicos e então um professor receber documentos OOXML do MS Office 2007 iria contra tudo o que foi padronizado na instituição, além de ser desnecessário.

    Repito, não sou xiita e inclusive sou usuário de uma distribuição linux comercial. Acho que produtos e tecnologias proprietárias podem e devem ser usados quando são a melhor solução mas julgada não por preferências pessoais, mas do ponto de vista técnico. Mas acredito que o software ou tecnologia livre que atende uma função sempre é mais interessante para uma universidade do que um software ou tecnologia proprietária porque permite a pesquisa, customização e trabalhos derivados. As idéias funtamentais do software livre nasceram em ambientes universitários e as empresas de software proprietário dominantes sabem disso e tentam coibir uma maior difusão do conhecimento de SL nas universidades justamente através dessas parcerias supostamente inocentes.

    Nas universidades atualmente há um conflito ético muito grande entre os interesses comerciais das empresas patrocinadora de pesquisas e desenvolvimentos e o interesse coletivo da ciência e da sociedade. Esse do software é apenas um dos conflitos.”

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